Cada vez mais portugueses desistem de procurar emprego (act.)

Com tantas taxas e termos de comparação disponíveis para analisar o desemprego/emprego, em que é que ficamos? A taxa de desemprego no 2º trimestre manteve-se idêntica ao trimestre anterior nos 10,6%, contudo, descontando dos efeitos da sazonalidade, algo que se consegue aproximar comparando a taxa actual com a do mesmo trimestre no ano anterior, constata-se que a escalada de aumento continua. Em 2009, no mesmo trimestre, a taxa de desemprego havia sido inferior em 1,5 pontos percentuais. Quanto muito poderemos estar perante uma ligeiríssima desaceleração do aumento (no primeiro trimestre o aumento havia sido de 1,7 pontos percentuais) mas um aumento ainda assim.

Se olharmos apenas para o número absoluto de desempregados o cenário é ainda mais negativo pois ocorreu um aumento homólogo de 16,2% entrando mais 82,1 mil individuos no desemprego do que os registado no mesmo período de 2009. Ainda não foi neste trimestre que tivemos boas notícias; infelizmente o problema continua a agravar-se significativamente. Segundo o INE temos neste momento 589,9 mil pessoas sem emprego que continuam a procurar activamente emprego.

Note-se que neste trimestre 12,8% dos que estavam desempregados no trimestre anterior passaram à condição de inactivos (um número que aumentou face à comparação entre o 4º trimestre de 2009 e o 1º de 2010), ou seja, deixaram de procurar activamente emprego e assim de ser considerados desempregados sem contudo terem efectivamente encontrado ocupação. Se não tivessem desistido a taxa de desemprego teria aumentado significativamente, mesmo pela comparação com o trimestre anterior.

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PIB português aumenta 1,4% no 2º trimestre de 2010

A primeira estimativa para o crescimento do PIB relativa ao 2º trimestre de 2010, divulgada há instantes pelo INE, aponta para um crescimento homólogo de 1,4% ( desacelerando face aos 1,8% registados no 1º trimestre) e para uma variação face ao trimestre imediatamente anterior de 0,2% (a chamada variação em cadeia que, quando negativa em dosi trimestres sucessivos “abre” um período designado de recessivo). Segundo o INE:

“(…) No 2º trimestre verificou-se uma diminuição dos contributos da Procura Interna e da Procura Externa Líquida para a variação homóloga do PIB, comparativamente ao observado no trimestre anterior. (…)”

Contrariamente ao que sucedeu no primeiro trimestre, estes números agora apurados colocam o crescimento do PIB português abaixo dos valores médios calculados para a média da zona euro e da União Europeia como se pode comprovar na nota divulgada pelo Eurostat. A nível europeu destaca-se o forte crescimento da Alemanha (3,7% em termos homólogos e 2,2% em cadeia) ainda que em termos gerais várias economia europeia tenham superado as expectativas correntes ainda há bem pouco tempo.

Taxa de Inflação fixa-se em zero – Julho 2010

11/08/2010 por Mapari · Deixe um comentário
Arquivado em: Dinheiros, Números Estatística 

Foram 10 meses de deflação (inflação negativa) que terminaram em Julho de 2010. Com o forte impulso de crescimento dos preços hoje reportado pelo INE, relativo à variação homóloga do mês de Julho de 2010 (subida de 1,8%), a taxa de variação média anual (vulgo, taxa de inflação) abandonou os valores negativos (havia sido de -0,2% em Junho de 2010) e fixou-se em zero por cento. O aumento do IVA (merecedor de um caixa com detalhes sobre os impactos nos preços, por parte do INE), um reforço dos preços de combustíveis e de produtos alimentares não transformados, entre outros, estarão na base da impulso agora registado.

A taxa de inflação sem habitação fixou-se igualmente em zero. Note-se que será esta taxa, mas referente ao mês de Agosto, que estabelecerá a actualização das rendas ao longo de 2011. Muito provavelmente esse valor será marginalmente positivo, depois de em 2010 ter sido claramente negativa (o que implicou o não aumento das rendas).

Comércio Internacional mantem boas indicações em 2010

Com a divulgação pelo INE das estatísticas do Comércio Internacional, relativas ao trimestre terminado em Junho, reforçaram-se as indicações positivas que vinham sendo apuradas nos meses anteriores. As exportações portuguesas continuam a crescer acima dos dois dígitos quando se efectuam comparações homólogas e, embora as importações estejam igualmente a forte retoma, as primeiras continuam a crescer a um ritmo mais acelerado.

O destaque particular vai para o comércio com países da União Europeia uma vez que se vêm registando taxas de cobertura crescentes.

Com países extra-comunitários (onde predominam as trocas relativas a produtos energéticos) o sentido da evolução tem sido o oposto, tendo-se degradado significativamente a nossa baçança comercial. Note-se ainda que, excluindo os produtos energéticos, a situação no trimestre em análise piorou face a 2009 tendo a taxa de cobertura passado de 106,0% para 100,5%.

Olhando para a globalidade das nossas trocas comerciais a evolução face a 2009 é, ainda assim, positiva. Em igual período de 2009 vendiamos 63,1€ de exportações por cada 100 euros que importávamos. No trimestre de 2010 em análise a situação  passou para 64,3€ de exportações por cada 100€ de importações.

Indústria Portuguesa regista forte subida no volume de encomendas

O destaque do INE é interessante:

“Em Junho de 2010, o valor das novas encomendas recebidas na indústria registou uma variação homóloga de 9,9% (-2,3% no mês anterior). Este resultado foi determinado pelo comportamento mais positivo do mercado externo (17,8% em Junho, 1,9% em Maio) e, em menor grau, pelo comportamento do mercado nacional, que apresentou uma variação de 2,0% (-6,6% no mês precedente).”

Mas o detalhe é particularmente animador:

“(…) O agrupamento de Bens Intermédios, com um contributo de 7,4 pontos percentuais (p.p.), determinou a variação homóloga do índice total. Este agrupamento registou uma taxa de variação de 15,4% depois de no mês precedente a mesma se ter situado em -2,0%. Os agrupamentos de Bens de Consumo e de Bens de Investimento apresentaram variações de 6,9% e de 3,5%, respectivamente (8,2% e -8,1% no mês anterior, pela mesma ordem). (…)”

Na próxima sexta-feira será conhecida a primeira estimativa referente ao PIB do 2º trimestre de 2010.

Portugal é o terceiro país com mais trabalhadores a termo da Europa

Um país que tem, em termos relativos, 22% da sua população activa empregada com contratos temporários (quase 1 em cada 4 trabalhadores) não pode ser assinalado como tendo uma legislação laboral muito rígida. Ou pode? Será tão rígida que se abusa dos contratos precários para garantir o fácil despedimento? A explicação nunca é assim tão simples, seguramente.

Note-se que sendo um dos países da Europa com mais trabalho a termo somos dos que tem menos trabalho a tempo parcial! Não é ilegal, pode-se fazer, mas quase ninguém o pratica ou o permite. Tudo muito diferente da média europeia em que muito à custa das mães que concilia via trabalho parcial a vida familiar, elevam este tipo de contrato para patamares muito distintos dos nossos. Em simultâneo temos uma das mais elevadas taxas de actividade femininas da Europa.

O código de trabalho em Portugal é flexível ou inflexível face aos nossos parceiros? Será uma questão de gosto, escolha a versão que mais lhe agrada, mas em sentido lato pelo menos é evidente que quando cerca de 1 quarto da população tem contratos a termo, conseguir dispensar trabalhadores não é um problema para muitos empregadores, é apenas uma questão de alguns meses.

Então e que impacto poderá este tipo peculiar de estrutura contratual ter na produtividade? Se encontrarmos estudos e teste empíricos sobre o tema voltaremos ao caso, parece-nos contudo que a dúvida é pertinente.

Eis os números completos do Eurostat (em inglês) que colocam Portugal como o 3º país da Europa em que os contratados a termo têm mais peso, logo a seguir à Polónia e à Espanha.

Fontes: Eurostat e Público.

Taxa de sobrecarga das despesas em habitação quase duplica em 4 anos

Os dados são do Inquérito às Condições de Vida e Rendimento cuja vaga de 2009 (rendimentos de 2008) foi ontem divulgado pelo INE conforme aqui sublinhámos: entre 2005 e 2008 a taxa de sobrecarga das despesas em habitação passou de 4,3% da população em 2005 para 8,2% em 2008, tendo registado três incrementos consecutivos. Como se calcula e o que significa este indicador? O INE explica; a taxa de sobrecarga das despesas em habitação é a:

Proporção da população que vive em agregados familiares em que o rácio entre as despesas anuais com a habitação e o rendimento disponível (deduzidas as transferências sociais relativas à habitação) é superior a 40%.
As despesas com a habitação incluem as relacionadas com água, electricidade, gás ou outros combustíveis, condomínio, seguros, saneamento, pequenas reparações, bem como as rendas e os juros relativos ao crédito à habitação principal.

Ou seja, é um indicador que permite aproximar a proporção da população que estará a ter dificuldades muito significativas em fazer face aos seus compromissos com as despesas básicas associadas ao alojamento da sua família.

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