O Instituto Nacional de Estatística ( INE) revela através da Estimativa Rápida das Contas Nacionais Trimestrais, 30 dias após o final do primeiro trimestre, que o PIB português terá crescido 2,3% face a igual período do ano 2025. A aceleração da procura interna e, em particular, do investimento são fatores explicativos comuns à evolução homóloga e em cadeia. O consumo privado não registou igual fulgor.
2026 começa mais pujante do que 2025 e com melhor registo desde finais de 2024
Variação Homóloga
Este é um arranque mais pujante do que o registado há um ano, altura em que o PIB registou um crescimento homólogo de 1,6%. O valor agora registado é também uma aceleração dos valores homólogos se compararmos com o registo de 1,9% apurado para o quarto trimestre de 2025. É também a melhor taxa de variação homóloga desde o quarto trimestre de 2024.
Do pouco detalhe que já é possível divulgar numa estimativa rápida o INE sinaliza, em termos homólogos, o seguinte:
O contributo positivo da procura interna para a variação homóloga do PIB aumentou, destacando-se uma aceleração do investimento. A procura externa líquida registou um contributo mais negativo, verificando-se uma aceleração mais pronunciada das importações de bens e serviços que das exportações de bens e serviços.
Variação em Cadeia
Se alteramos a análise não para as comparações homólogas, mas para comparar quanto cresceu o PIB face ao trimestre imediatamente anterior, o valor apurado aponta para uma variação nula, ou seja, o PIB no primeiro trimestre manteve-se idêntico ao que foi produzido no último trimestre de 2025.
Neste caso, este registo trata-se de uma clara desaceleração, dado que a variação em cadeia entre o terceiro e o quarto trimestre de 2025 tinha sido positiva e de 0,9%. Se juntarmos a isto o facto de o INE incluir nestes cálculos, para as variações em cadeia, fatores de correção de sazonalidade, a imagem obtida não é tão dinâmica e positiva como parece transparecer das variações homólogas.
Para esta evolução o INE sinaliza:
O contributo da procura externa líquida para a variação em cadeia do PIB passou a negativo, refletindo uma recuperação das importações de bens e serviços mais significativa que das exportações de bens e serviços. Em sentido contrário, o contributo da procura interna passou a positivo, verificando-se uma aceleração expressiva do investimento, enquanto o consumo privado abrandou.

Portugal regista 3.º melhor crescimento homólogo do PIB na Uniao Europeia
Entre os 15 países que já divulgaram estimativas rápidas (dados do Eurostat) do PIB relativas ao primeiro trimestre de 2026, Portugal regista o 3º melhor valor (2,3%). Apenas a Espanha (2,7%) e a Lituânia (2,5%) superam o valor português.
Como consequência, a economia portuguesa continua a crescer mais depressa do que a do resto da União Europeia, mantendo-se no caminho da convergência que dura já há largos anos.
Em termos de variação homóloga a economia europeia cresceu 1,0% (Portugal 2,3%). Em cadeia, a UE cresceu 0,1%, Portugal 0,0%.
Efeitos da crise energética ainda limitados
Sublinhe-se que cerca de 1/3 do primeiro trimestre já enfrentou alguns efeitos da crise do estreito de Ormuz, iniciada com os primeiros bombardeamentos ao Irão pelas forças israelo-norte-americanas a 28 de fevereiro de 2026.
Há poucos dias, o INE revelou o indicador de confiança dos consumidores (e o indicador de clima) já com informação referente ao início do segundo trimestre de 2026, que aponta para uma conjuntura económica mais desafiante: “Consumidores portugueses dão sinal de alarme quanto à economia“.