Entre 2016 e 2025 apenas num ano a taxa de crescimento do PIB em termos reais foi negativa: 2020, o ano mais crítico do COVID.
O PIB português na última década
A ano de 2025, cujo PIB foi divulgado pelo INE no final de janeiro de 2026, surge logo a seguir com o crescimento real positivo mais modesto da década, apenas 1,9%.
Aliás, 2024 (+2,1%) e 2025 (+1,9%) foram dois dos três anos da década em que o crescimento do PIB foi mais modesto, entre os nove anos em que o PIB real cresceu.
Apenas 2016 (+2,0%) se intromete entre eles com um crescimento de 2,0%, ano que, recorde-se, surge na reta final da crise financeira internacional e que ainda apanha Portugal sob alçada dos Procedimento por Défice Excessivo que só viria a terminar em meados de 2017.
Eis o que diz o INE sobre 2025 nesta sua análise preliminar:
A procura interna apresentou um contributo positivo para a variação anual em volume do PIB, superior ao observado no ano anterior, refletindo a aceleração do consumo privado e do investimento.
O contributo da variação de existências passou a positivo enquanto a formação bruta de capital fixo registou um abrandamento.
O contributo da procura externa líquida foi mais negativo em 2025, tendo as exportações de bens e serviços em volume desacelerado de forma mais pronunciada que as importações de bens e serviços.

Na tabela em baixo apresentam-se os dados de base, com a ressalva de que os anos mais recentes ainda poderão sofrer revisões pelo INE.
| Ano | Taxa de crescimento real do PIB Português |
| 2016 | 2,0 |
| 2017 | 3,3 |
| 2018 | 2,9 |
| 2019 | 2,7 |
| 2020 | -8,2 |
| 2021 | 5,6 |
| 2022 | 7,0 |
| 2023 | 3,1 |
| 2024 | 2,1 |
| 2025 | 1,9 |
PIB fecha o ano de 2025 em desaceleração
Além do comportamento global anual pouco estimulante, a verdade é que o PIB desacelerou significativamente no último trimestre de 2025 registando um variação homóloga de 1,9%, em linha com o crescimento anual.
Em 2024, o quarto trimestre tinha sido o mais pujante em termos de crescimento homólogo do PIB (2,6%).
Em 2025, o trimestre de crescimento mais robusto foi o terceiro, único trimestre em que superou os 2% (2,3%). Vale a pena recuperar, neste momento, o artigo “Porque é que a economia portuguesa acelerou pelo 3º trimestre consecutivo? (3º Trimestre 2025)” que editámos sobre este valor.
Apesar do crescimento modesto Portugal continua a convergir com o resto da Europa
Se é verdade que o crescimento do PIB tem diminuído nos últimos dois anos, também é verdade que Portugal continua a registar níveis de crescimento que superam a média comunitária, quer na sua configuração de agora 21 países da Zona Euro (já com a Bulgária), quer na sua configuração de União Europeia.
Sendo certo que ainda faltam dados de vários países, o Eurostat já fez as contas com os disponíveis e apurou uma variação homóloga média no último trimestre de 1,3% para Zona Euro e de 1,4% para a União Europeia. Ambos os valores são claramente mais modestos do que os 1,9% da economia portuguesa.
Dos 15 países que já divulgaram a sua estimativa preliminar para o PIB no final de 2025, Portugal é o que registou o quarto crescimento mais elevado. O nosso principal parceiro comercial – a Espanha – registou um crescimento de 2,6%, um valor só superado pelos da Irlanda cujos dados foram calculados com nova metodologia e que não são inteiramente comparáveis.
