É preciso recuar a março de 2022 para encontrar um valor tão reduzida da taxa de desemprego estimada pelo o INE como o apurado para o mês de novembro de 2025: 5,7%. E há um novo mínimo histórico na subutilização do trabalho.
Há hoje mais empregados do que a soma de todos os empregados e desempregados registada em Portugal há poucos anos
O mínimo na taxa de desemprego, de mais de três anos, ocorre de mãos dadas com um valor máximo histórico na população empregada que era em novembro de 5.306,1 mil pessoas.
A última vez que se tinha registado uma taxa de desemprego tão baixa, a população de pessoas empregadas era significativamente inferior: 4.877,3 mil pessoas.
Se somássemos a população empregada em março de 2022 (4.877,3 mil pessoas) com a população que nessa data estava desempregada (295,9 mil pessoas) somaríamos 5.172,2 mil pessoas, ou seja, o total da população empregada e desempregada há pouco mais de três anos é muito inferior ao total de pessoas empregadas atualmente em Portugal. Fica aquém em 132,9 mil pessoas.
O contingente de desempregados apurado pelo INE era em novembro de 2025 de 318,8 mil pessoas, valor inferior ao de outubro de 2025 (0,1 pontos percentuais ou p.p.), e ao de novembro de 2024 (0,9 p.p.).
Mínimo histórico na subutilização do trabalho
Ainda na comparação entre março de 2022 e novembro de 2025, ressalta outro dado, referente ao indicador que mede a taxa de subutilização do trabalho. Em março de 2022 a taxa de subutilização do trabalho era significativamente mais elevada: 11,1%. Em novembro de 2025 fixou-se abaixo dos dois dígitos: 9,8%. Um indicador que está a cair significativamente (-1,3 p.p. face ao mês homólogo) e que registou em novembro de 2025 o seu valor mais baixo da série histórica.
Este indicador, de certa forma, mede o potencial máximo disponível no mercado do trabalho para suportar o crescimento económico (produtividade à parte), além do desemprego puro. E como se vê no gráfico do INE, esse potencial está em mínimos histórico, indiciando que poderá haver já setores com problemas importantes de falta de mão-de-obra, nos quais ao desemprego sectorial é nulo ou muito próximo disso.
Estes factos deverão ser relevantes para determinar as opções quanto à política de imigração em Portugal.

Fonte: INE
A taxa de desemprego de jovens situa-se nos 19,3%, abaixo da média dos últimos anos mas mantendo-se tradicionalmente acima da média nacional global.
Nota Técnica
A Subutilização do trabalho é “o indicador que agrega a população desempregada, o subemprego de trabalhadores a tempo parcial, os inativos à procura de emprego, mas não disponíveis e os inativos disponíveis, mas que não procuram emprego” e a taxa de subutilização do trabalho apura-se dividindo este indicador pela população ativa alargada que corresponde “à população ativa acrescida dos inativos à procura de emprego, mas não disponíveis e dos inativos disponíveis, mas que não procuram emprego. “.
Citações do INE.
