Nas estimativas mais recente compiladas e agora publicadas pelo Observatório da Emigração no seu Portuguese Emigration Factbook 2024, (editado em novembro de 2025) apurou-se que a emigração Portuguesa estabilizou nas 70.000 saídas. Os dados de 2023, agora estimados, ficam muito próximos dos de 2022 (entretanto melhorados com mais informação definitiva).
Eis alguns tópicos que destacamos e detalhamos mais em baixo:
- 1. Portugal é o 5º país da União Europeia com maior proporção da sua população emigrada (2024)
- 2. Estabilização nas 70.000 saídas esconde mudanças nos destinos
- 3. Portugal tem 10,8 imigrantes por cada 17,3 emigrantes
- 4. Mais informação
1. Portugal é o 5º país da União Europeia com maior proporção da sua população emigrada (2024)
Em 2024, Portugal teria cerca de 1.8 milhões de nacionais a viver permanentemente no estrangeiro. Este número é inferior ao apurado em 2020. A taxa de emigração será agora de cerca de 17% face à população residente em Portugal. O peso da emigração portuguesa para a Europa tem aumentado. Esse aumento tem sido contínuo e representou, em 2024, cerca de 72% do total. Em 1990 o valor esta pouco mais de metade (52%).
Neste exercício sempre complexo de identificar os fluxos de saída mais pela informação administrativa e estatísticas dos países de destino do que através de estatísticas nacionais (que não existem para as saídas) o Observatório da Emigração produziu 83 páginas de análise e de informação estatística.
Esta análise permite-nos conhecer um pouco melhor:
- o perfil atual dos emigrante português,
- os principais países de acolhimento,
- a evolução dos stocks de emigrantes pelo mundo fora,
- a evolução e o peso das remessas financeiras de emigrantes,
- a posição global da emigração portuguesa no mundo e
- a relação com a imigração que Portugal está a receber.
2. Estabilização nas 70.000 saídas esconde mudanças nos destinos
Segundo o Observatório da Emigração, a estabilização ocorreu apesar de se registar um declínio acentuado na emigração para o Reino Unido. A emigração para este país caiu mais de 40% entre 2022 e 2023. O Brexit terá tornado o Reino Unido menos interessante como destino levando a que Suíça, Espanha e França se tornassem os principais destinos dos emigrantes portugueses.
A França continua a ser o terceiro destino mais importante – seguido da Suiça que lidera e da Espanha em segundo – tendo registado uma queda de 27% nas entradas.
Em sentido inverso, o Observatório identificou um aumento significativo da emigração com destino à Suíça, Espanha e Países Baixos. Em menor grau, também a Alemanha e a Escandinávia registaram aumentos.
Sem dados muito concretos sobre mais características relativas a esta emigração mais recente, o Observatório considera:
“provável que a heterogeneidade social da emigração portuguesa se tenha mantido, com trabalhadores pouco qualificados (predominantes nos fluxos para França e Suíça) e profissionais altamente qualificados (mais comuns nos fluxos para a Holanda e a Escandinávia).”
Entradas por país em 2023:
- Suiça: 12.652
- Espanha: 11.554
- França: 7.426
- Alemanha: 6.375
- Países Baixos: 4.892


3. Portugal tem 10,8 imigrantes por cada 17,3 emigrantes
Há sete anos consecutivos que Portugal está a receber, em termos líquidos, mais imigrantes do que a enviar emigrantes para o exterior. Os números mais recentes, apontam para uma taxa de emigração de 17,3% (face à população total residente me Portugal) para 10,8% de taxa de imigração. Com o elevado afluxo anual liquido de imigrantes estes dois números estão a convergir rapidamente. Ainda assim, ainda temos um número de emigrantes superior ao de imigrantes.
Os dados de 2023, agora revelados, indicam que em termos líquidos, ou seja, já descontadas as saídas, o saldo migratório terá batido um recorde positivo de 155.701 indivíduos. Portugal terá assim conseguido mais do que compensar as saídas e registado um aumento da população residente por via da entrada de imigrantes em cerca de 155 mil pessoas (136 mil em 2022).
Em qualquer contexto, um aumento da população residente, num único ano, superior a 1 ponto percentual é um desafio e, provavelmente, uma oportunidade para uma sociedade. Ter esse fenómeno repetido em anos sucessivos será claramente um grande desafio.
Dito isto, recorde-se que Portugal já tem na sua história alguns desafios populacionais, sociais e económicos muito relevantes, associados à demografia.
Desde vários movimentos de saídas abruptas de população até influxos recordes à escala mundial como sucedeu com a receção num espaço de poucos meses de cerca de 800.000 pessoas na sequência do processo de descolonização. Na altura, este influxo terá representado um acréscimo quase instantâneo de cerca de 10% da população a residir em Portugal.
