Saldo natural negativo recorde em 2021

O INE divulgou os dados preliminares das Estatísticas Vitais relativas a janeiro de 2022, aproveitando para dar também uma primeira imagem final do que sucedeu ao longo de 2021. E é nessa segunda análise que nos centramos neste artigo. A verdade é que as mortes superaram nascimentos em 45 mil indivíduos em 2021 (45.289 para ser mais rigoroso) registando-se um saldo natural negativo recorde em 2021.

Saldo natural negativo recorde em 2021 superior a 45 mil pessoas

Este saldo natural especialmente negativo resultou da conjugação combinada de dois efeitos: o que se relaciona com o aumento da mortalidade (cerca de 8,9% das mortes estiveram relacionadas com a pandemia por sars-cov-2) e o que se relaciona com a redução da natalidade, natalidade que só no final de 2021 começou a dar sinais claros de recuperação, coincidindo com o alívio de cenário pandémico que se começou a registar no final de primeiro trimestre de 2021.

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As estatísticas vitais do INE não acompanham os movimentos migratórios pelo que não é possível aferir se esta queda de cerca de 45.000 pessoas no saldo natural se traduziu numa quebra idêntica, maior ou menor na população residente.
Se tivessemos que especular diriamos que a população residente não terá diminuido tanto por via de um saldo migratório positivo, mas há ainda pouca informação real que possa confirmar esta perceção. Teremos que esperar pelas Estatísticas Demográficas.

Efeito da pandemia mas não só

Esta queda de cerca de 45 mil por via do saldo natural em 2021 compara com uma queda de cerca de 39 mil em 2020 e outra de cerca de 25 mil em 2019.
Estamos perante uma redução potencial da população residente (falta saber o que sucedeu com as migrações) de 110 mil indivíduos em apenas três anos.
Um número muito influenciado pela pandemia mas que deixará marcas e produzirá efeitos que não deverão ser inteiramente revertidos por um natural e expectável comportamento de recuperação na natalidade, onde se deixarão de adiar gravidezes e haverá mais confiança para ter o 1º, 2º ou 3º filho.

A verdade é que o contingente de mulheres em idade fértil continua a diminuir e, a menos que, por alguma razão inesperada, o número médio de filhos por mãe recupere, a evolução natural será a de um queda contínua da população por mais algumas décadas.

É para entrar em pânico?

Este tema sempre controverso e algo vulnerável a reações alarmísticas, tem claramente impactos relevantes a nível económico, social e cultural.
Será sempre mais difícil um país crescer em cenário de forte envelhecimento. Por esta via, a gestão de expectativas sobre o que será um bom desempenho económico nesta conjuntura será fundamental para evitar uma atitude depressiva que em nada contribuirá para melhorar a situação.
Por outro lado, se o ritmo de perda de população ativa for especialmente acelerado, os riscos para a paz social e para a sustentabilidade de modelo de desenvolvimento e de estruturação da comunidade serão, de facto, ameaçados e submetidos a forte estress.

Esse ritmo acelerado pode ser mitigado, quer pela captação de ativos de outros espaços geográficos, de preferência ajustados às necessidades produtivas do país e com impactos culturais mínimos, quer pela introdução de teclonogia inovadora e mais produtiva geradora de riqueza, menos assente do trabalho humano (que poderá exigir um esforço adicional de redistribuição de rendimentos), quer, ainda, pela reconfiguração do próprio mercado de trabalho de modo a poder acomodar inativos ou pessoas que tipicamente não são incorporadas no mercado alterando a base social com capacidade para dar um contributo para a economia (por exemplo, reformados, requalificando pessoas que perderam competências, etc).

Já se a queda populacional for moderada, ainda que contínua, tudo isto poderá não ser um problema, ou um fator disruptivo, podendo, ser mais facilmente mitigado pelo que descrevemos em cima e por algum ajustamento mais comportável de política públicas.

Dica para investigação futura: qual o impacto de tudo isto no mercado habitacional?

Dedicar-nos-emos a uma breve reflexão sbre este tema num próximo artigo sobre Arrendamento e Habitação.

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