Projectar o futuro tomando por base apenas os últimos 10 anos será outra forma de fado?

Um excerto do artigo de ontem de Manuel Caldeira Cabral no Negócios que apresenta uma alternativa de interpretação à corrente dominante que talvez não mereça ser desprezada, “Uma teoria alternativa sobre o crescimento de Portugal“:

“(…) Mas então porque é que Portugal não registou um crescimento do PIB mais acentuado do que a média europeia na última década?

A meu ver este facto explica-se por três razões. A primeira é que as melhorias nos factores de crescimento só resultam em aumento do PIB potencial com algum desfasamento. As melhorias introduzidas na educação primária e pré-primária podem reduzir o abandono escolar e melhorar o desempenho das actuais crianças, o que se vai reflectir em termos de aumento da produção apenas daqui a 15 ou 20 anos. O aumento do número de estudantes universitários pode ter um efeito mais imediato, mas mesmo neste caso existe um desfasamento temporal.

A segunda razão decorre de, ao mesmo tempo que estas melhorias estavam a acontecer, o país ter enfrentado três importantes choques externos: o aumento do preço da energia; o aumento da concorrência asiática e os efeitos do alargamento da UE. Estes foram choques assimétricos, com efeitos negativos para Portugal muito mais acentuados do que para a generalidade dos restantes países europeus.

A terceira liga-se à diferença entre crescimento do PIB potencial e crescimento do PIB efectivo. Tal como na década de noventa o PIB efectivo de Portugal cresceu acima do PIB potencial, também na década 2001-2011 o PIB efectivo terá crescido abaixo do PIB potencial.  

O facto de o nosso PIB efectivo estar abaixo do PIB potencial, quando em 2001 se verificava o inverso, explica parte da má performance verificada na última década. No entanto, a existência desta diferença (“output gap”) significa que Portugal tem um potencial de crescimento por realizar.

Infelizmente tudo indica que, mesmo com o restabelecer do crescimento, em 2012 ou 2013, esta diferença (“output gap”) deverá persistir pelo menos até 2015. O acordo ontem apresentado mantém, tal como tinha de fazer, a política de consolidação orçamental, pelo que não vai contribuir para reduzir a diferença entre PIB efectivo e potencial, no curto prazo. As dificuldades de acesso ao financiamento das pessoas e empresas vão-se manter.  (…)”

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2 Comentários

  • CarlosResponder

    Ó Manel quanto é que o Zé Trocas te pagou por esta conversa para boi dormir? Deves estar a pensar que os portugueses são todos parvos, não, só os que votam no Sócrates, os outros apenas contribuem com os impostos que pagam para as vossas mordomias…Tinha razão o saudoso Eça de Queiroz “Os políticos são como as fraldas, é preciso mudá-las regularmente…” e o Sócrates já cheira muito mal…

    • MapariResponder

      Porque é que o que o Manuel diz há-de ser a apologia de Sócrates?
      Mesmo que esteja correcto em tudo o que escreve onsigo imaginar críticas quanto baste, se quiser criticar os últimos dois governos.
      Algum governo alguma vez fez tudo bem ou tudo mal?
      Bem sei que estamos em campanha, mas ganhamos em conseguir ir além da espuma dos dias.

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