Habitação Arrendamento Lisboa Portugal

Estará o Mercado de Arrendamento Realmente a dar os Primeiros Sinais de Descida?

Esta é uma pergunta que começa a ser mais comum desde que entrámos no ano de 2026: estará o mercado de arrendamento a dar os primeiros sinais de descida? Chegados ao sexto mês do ano já deveria haver dados que alimentam uma resposta robusta, contudo, não é esse o caso.

Dados do INE atrasados

De facto, as estatísticas mais credíveis e abrangentes em Portugal são as divulgadas pelo INE no âmbito das Estatísticas de Rendas da Habitação ao nível local. Sucede que devido a constrangimentos técnicos na partilha de informação com a Autoridade Tributária, as estatísticas foram sendo suspensas ao longo do último ano e as do primeiro trimestre foram adiadas estando agora prevista a sua divulgação a 26 de junho.

Quanto aos dados relativos ao segundo trimestre de 2026 a difusão está também já agendada para 29 de setembro do corrente ano.

A última edição desta informação de referência do INE tem já um ano pelo que é inútil do ponto de vista de quem quer saber o que se está a passar correntemente ao nível da evolução dos preços das rendas.

Dados parciais apontam para tendência global de descida já com quatro meses

Resta então olhar para a informação parcial divulgada por atores privados envolvido no setor do imobiliário.

Em destaque, até por realizar algum esforço de difusão de informação ao público, temos os dados do Portal Idealista que apontam, na realidade, para uma evolução cada vez mais dual e assimétrica entre várias cidades do país.

Em termos médios globais, segundo o Idealista, as rendas contratadas em maio, através da sua plataforma, estão em queda de 2,9%. Prolongando uma tendência recente que, ainda assim, já se regista há quatro meses consecutivos. Sendo que tudo isto estará a suceder ao mesmo tempo que o crédito à habitação se revela extremamente dinâmico e os preços da casas para habitação na sua modalidade de venda continuam a bater recordes e a subir de preço de forma acelerada, mesmo em cidades/distritos onde as rendas começam a descer.

Como em todas as médias, há o potencial para estas esconderem realidades muito distintas e parece ser exatamente o que sucede neste caso.  Vejamos os exemplos extremos que se podem extrair da informação divulgada pelo Idealista.

Cidades com rendas a descer em 2026 (dados até maio inclusive)

Nas principais e mais caras cidades do país, os preços começaram a dar sinais de correção:
    • Porto: Registou a queda mais acentuada entre as grandes cidades, com um recuo homólogo de -6,6%. O preço mediano fixou-se em €16,6/m².
    • Braga: Seguiu a tendência com uma quebra de -3,5%.
    • Viseu: Registou uma descida de -2,7%, mantendo-se como uma das capitais de distrito mais acessíveis para arrendar.
    • Lisboa: Teve uma contração ligeira de -1,7%. Apesar do recuo, continua a ser, de forma isolada, a cidade mais cara de Portugal, com um valor mediano de 22/m².

Cidades com rendas a subir em 2026 (dados até maio inclusive)

Em sentido contrário, a maioria das restantes capitais de distrito (11 das 15 analisadas) continuou a encarecer:
  • Viana do Castelo: Liderou as subidas do país com um disparo expressivo de 17,5%.
  • Castelo Branco: Teve um aumento acentuado de 14,8%.
  • Faro: Subiu 11,2%, refletindo a contínua pressão turística e de residentes estrangeiros no Algarve.
  • Funchal: Registou um aumento de 10,8%, consolidando-se como a segunda cidade mais cara do país para arrendar (17,4/m²), ultrapassando o Porto.
  • Setúbal (+6,9%) e Évora (+8,1%): Mantêm-se altamente pressionadas devido à proximidade à Área Metropolitana de Lisboa e à procura estudantil, respetivamente.

No conjunto, parece haver uma aproximação com algumas das cidades mais caras a corrigirem em baixa e algumas das cidades com preços médios e até baixos (como Castelo Branco) a subirem, diminuindo o enorme diferencial de preços de arrendamento por metro quadro.

Perspetivas para o futuro

Talvez os dados do Idealista sejam uma amostra representativa, talvez não. Mais próximo do final de junho, com os dados do INE (que abrange todos os contratos declarados junto das Finanças e respetivos valores) ficaremos a saber se a informação referente ao primeiro trimestre capta o início da tendência sinalizada como tendo começado entre janeiro e fevereiro, pelo menos em algumas das cidades do país.

Entretanto, já no decurso deste ano (em maio), foram introduzidas alterações importantes à legislação com potencial impacto neste mercado.

Veremos se os próximos meses trarão algum reflexo nos preços das rendas que possa ser imputável a estas alterações. Recorde aqui o essencial sobre essas alterações: OFICIAL: Publicadas em Diário da República as “Medidas de desagravamento fiscal para o fomento de oferta de habitação”.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *