Euribor, taxas de juro

Euribor a 3 meses aproxima-se rapidamente dos 2,5% e bate recorde de 2025

Se a euribor a 3 meses continuar a subir ao ritmo que o fez na última semana, entre 7 e 14 de julho, em três ou quatro dias atingirá os 2,5%. De facto, entre 7 e 14 de julho passou de 2,313 % para 2,452%.

Entretanto, em dois dias os preços do Brent subiram mais de 15% e s prespetiva para a inflação e para a política monetária do Banco Central Europeu 8BCE) mudaram significativamente. O conflito do Golfo Pérsico entrou numa fase nova e sem que haja uma perspetiva de saída pacífica ou estabilização benigna no horizonte mais próximo.

Novos máximos para as Euribor

A Euribor a 3 meses, mas também nos restantes prazos, está a refletir estas expectativas, tendo retomado um período de escalada. A 14 de julho de 2026, os valores das Euribor para os três prazos mais populares na indexação de créditos era este:

  • Euribor a 3 meses: 2,452%
  • Euribor a 6 meses: 2,654%
  • Euribor a 12 meses: 2,825%

É preciso recuar aos primeiros meses de 2025 para encontrar registos mais elevados para as Euribor.

O BCE que subiu recentemente as taxas diretoras em 25 pontos base, irá reunir novamente entre 22 e 23 de julho, podendo determinar novas mexidas nas taxas ou sinalizar um sentimento diferente do que deixou expresso na reunião anterior que apontava para uma perspetiva de cautela na reação da política monetária, afastando mais mexidas no imediato a menos que as circunstâncias surpreendessem.

Em breve saberemos se a nova fase do conflito configura uma surpresa suficiente, se tem impacto suficiente nos indicadores macroeconómicos acompanhados pelo BCE para determinar uma atitude mais intervencionista.

A haver intervenção será no sentido de restringir o acesso ao dinheiro, tornando-o mais caro, procurando conter a atividade económica e contribuir assim para que haja forças em contra-ciclo no sentido de reduzir a pressão pela subida dos preços.

Impacto no Aforro e no Poder de Compra

Uma subida da Euribor determina uma perda de competitivade imediata de todas as aplicações de poupança de baixo risco que não reajam oferecendo melhores taxas. Os “jovens” Certificados do Tesouro Série 5, mantendo a sua taxa de referência atual para o primeiro ano (2,35%) vão ficar desde já a cava o fosso para os certificados de aforro que se irão aproxima da taxa máxima antes de prémios de liquidez, caso a Euribor continue a aproximar-se do seu máximo para efeitos de CA, ou seja, dos 2,5%. Mas o mesmo se dirá dos depósitos a prazo que, ainda assim, se têm revelado mais dinâmicos do que o habitual (já vamos na 4ª atualização do mês no comparativo de depósitos a prazo sempre sob pretexto de subidas das taxas de remuneração).

Em suma, a perspetiva de combustíveis mais caros, de um reforço da transmissão da subida dos preços à economia, do encarecimento dos créditos à habitação e não só e de uma tentativa de condicionar a atividade económica “secando” e/ou encarecendo o preço do dinheiro são agora situações mais prováveis de permear o nosso futuro próximo. No final das contas, haverá quem não consiga evitar uma perda real do poder de compra.

O que se passa no Golfo Pérsico, não fica no Golfo Pérsico.

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