Houve dois recordes dignos de nota nas estatísticas económicas internacionais reveladas a 10 de junho de 2026:
- a inflação nos Estados Unidos da América que atingiu os 4,2% e bateu um recorde com três anos e
- a Euribor a 3 meses que, à medida que a semana se aproximou da data agendada (11 de junho) para a próxima reunião do conselho de governadores do Banco Central Europeu (BCE), foi escalando até atingir um máximo dos últimos 15 meses, .
De facto, a 10 de junho, a Euribor a 3 meses atingiu os 2,397%. Desde março de 2025 que não se registava um valor tão elevado nesta taxa de juro utilizada como indexante em múltiplos contratos de crédito junto de particulares e empresas.
Menos espetacular mas igualmente relevante para a análise de conjuntura é o comportamento mais recente da taxa de câmbio Euro/Dólar que está por estes dias no patamar mais baixo desde abril de 2026, a rondar os $1,155/€.
Como tem sido a evolução recente da Euribor?
No último artigo sobre este tema editado no Economia e Finanças a 11 de maio, também havia um recorde a assinalar 2,25% (“Euribor a 3 meses ultrapassa os 2,25% – Recorde de 12 meses“).
Na altura escrevíamos:
” (…) O atual valor da Euribor a 3 meses aponta precisamente para essa expectativa no mercado interbancário, com a Euribor a 3 meses a fixar-se 25,4 pontos base acima da taxa de facilidade depósitos ainda em vigor.
A Euribor a 6 meses está quase outros 25 pontos base acima (2,492%) e a Euribor a 12 meses acrescenta até um pouco mais do que outros 25 pontos base (2,778%).
A leitura natural é a de interpretar estes “degraus” entre Euribor de prazos diferentes como se o mercado antecipasse como provável que, no espaço de 12 meses a contar de hoje, viessem a ocorrer três subidas das taxas diretoras de 25 pontos base num total de aproximadamente 75 pontos. (…)”
No espaço de quase um mês, 60% da distância que separava a Euribor a 3 meses da Euribor a 6 meses que então se registava foi eliminada. Por outro lado, as Euribor a 6 e a 12 meses não aumentaram ao mesmo ritmo neste período, tendo a Euribor a 12 meses sido a que se manteve mais estável.
De facto, entre 11 de maio e 10 de junho:
- a Euribor a 3 meses passou de 2,254% para 2,397%, ou seja, aumentou 14,3 pontos base
- a Euribor a 6 meses passou de 2,492% para 2,592%, ou seja, aumentou 10 pontos base e
- a Euribor a 12 meses passou de 2,778% para 2,841%, ou seja mais 6,3 pontos base.
Ocorreu assim uma compressão da amplitude (de 52,4 pontos base para 44,4 pontos base) entre a Euribor a 3 meses e a Euribor a 12 meses no espaço de um mês.
A convicção de que haverá um aumento das taxas diretoras a 11 de junho de 25 pontos base acompanhado de outro idêntico nos próximos três meses é hoje mais elevada, a avaliar pelas Euribor a 3 e a 6 meses. Adicionalmente, a expectativa de que ainda passa existir outro aumento de 25 pontos no próximo ano mantém-se igualmente implícita na Euribor a 12 meses.
Se esses três aumentos ocorrerem, a taxa de facilidades de depósito do BCE subirá de 2,00% para 2,75%. Se houvesse uma expectativa sólida de que, no espaço de um ano, existiria outro aumento de 25 pontos base, a Euribor a 12 meses deveria estar próxima dos 3%. Na realidade, para já, está mais próxima do degrau inferior (a 9,1 pontos base de distância dos 2,75%) do que dos 3,00% (15,9 pontos base de distância).
Naturalmente, tudo isto poderá mudar consoante o discurso do BCE na reunião de 11 de junho e seguintes, bem como consoante a evolução da inflação, da evolução da atividade económica, da taxa de câmbio e da própria política monetária Norte Americana que terá impacto em alguns indicadores muito relevante para a União Europeia e Zona Euro em particular.
Para já, a inflação na UE mantém-se uns furos abaixo da registada nos EUA (3,2% versus 4,2%) mas esse cenário não pode ser considerado estável. A pressão sobre a Reserva Federal Norte Americana para que aumente os juros está subir.
Por outro lado, o conflito militar que está a ser a causa de arranque de todo este processo tarda em ter um fim.
Consequências para o crédito à habitação e certificados de aforro
As perspetivas de futuro apontam para que dificilmente quem tem créditos à habitação a taxas variáveis escapará a uma (nova) subida das prestações. Outra forte probabilidade é de que quem vier a contratar créditos à habitação à taxa fixa ou mista, encontrará uma oferta de taxas fixas mais alta do que até aqui, ao longo dos próximos meses.
Quem tem créditos indexados à Euribor a 3 meses estará na linha da frente (já terá até sentido as primeiras subidas da prestação), seguidos de perto por quem tem créditos indexados à Euribor a 6 meses.
Quanto aos certificados de aforro, estes aproximam-se a passos largos de poder voltar a bater na sua taxa máxima, o que sucederá logo que a Euribor a 3 meses atinja os 2,5%, mantendo-se assim competitivos entre os Depósitos a Prazo.
