Subsídio de férias e Reembolso do IRS

Que uso costuma dar ao subsídio de férias e ao reembolso do IRS?

Não será para todas as famílias mas é uma realidade comum a muitas: o mês de junho traz duas fontes de rendimento extraordinárias que, em conjunto, não se repetem no resto do ano, o subsídio de férias e o reembolso do IRS.

O ano de 2026 estará a revelar-se menos generoso em termos de reembolso do IRS por ter havido um maior rigor no cálculo das retenções mensais durante o ano de 2025 mas, mesmo assim, continuará a haver largos milhares de agregados familiares que ou já receberam ou irão receber, o mais tardar até 31 de agosto, algum valor de reembolso do IRS que descontaram em 2025.

Por outro lado, entre os trabalhadores por conta de outrem, com raras exceções setoriais, ou de quem tenha optado por receber o subsídio em duodécimos mensais, o subsídio de férias é pago em junho.

Já os pensionistas da Segurança Social e da Caixa Geral de Aposentações têm de esperar até julho para receber a pensão correspondente ao subsídio de férias.

Cuidados e recomendações sobre como lidar com o dinheiro extra

Consumir…

O final do mês é assim um período especialmente apetecível para a apresentação de propostas de consumo ou de investimento às famílias. Cadeias de distribuição lançam campanhas promocionais, marcas e instituições financeiras procuram vender produtos, serviços e subscrições anuais, clubes de futebol apostam na venda de lugares de época, enfim, um pouco à imagem do que se passa no final de novembro (subsídio de natal), o final de junho é um período em que se procura estimular um frenesim consumista.

Encerrar dívidas…

No entanto, esta é também a oportunidade, uma rara oportunidade, para alguns equilibrarem o orçamento e resolver dívidas ou despesas anuais ou de maior dimensão e às quais é difícil acudir sem uma planificação mensal muito rigorosa (e às vezes mesmo com ela). Para alcançarem este objetivo de se livrarem do fardo ou de parte dele, é fundamental evitarem o canto da sereia consumista e alocarem criteriosamente o dinheiro extra nos projetos e obrigações essenciais. De preferência antes de aparecerem as campanhas “irrecusáveis”.

Constituir ou reforçar a autonomia financeira e multiplicar o poder do dinheiro…

Pode também ser uma oportunidade para constituir uma reserva ou reforçar uma reserva financeira já existente.

Seja para conseguir acudir a um período de emergência seja para, por exemplo, alcançar algum músculo financeiro que possa permitir poupar dinheiro em aquisições futuras.

Recorde-se que alguns serviços ou produtos apresentam preços mais vantajosos se houver disponibilidade de realizar pagamentos anuais em vez de mensais. O nível da vantagem pode superar largamente, o retorno que se obteria, por exemplo, aplicando o dinheiro em produtos de poupança de curto prazo e baixo risco.

Alguns exemplos correntes:

  • Tem filhos e quer que estes tenham formação complementar de línguas? Não será difícil obter descontos sobre o valor a pagar pelo ano letivo se conseguir pagar a propina por inteiro em vez de ir pagando mensalmente. A poupança pode corresponder a um ou dois meses de propina.
  • Vai ter uma revisão importante no automóvel?  Ou tem de comprar um computador novo no início do ano letivo? Se conseguir pagar a pronto e evitar ter de recorrer ao cartão de crédito, o serviço ou o produto ficará consideravelmente mais económico. As taxas de juro do credito ao consumo não são baratas.
  • É aquele ano redondo de aniversário de casamento e “tem” de fazer umas férias especiais? Se conseguir pagar a pronto, muito provavelmente, obterá um desconto no pacote que comprar e ainda evita o juro de um eventual recurso ao crédito.

Caso consiga evitar o gasto imediato da verba, por vezes em algo que tem um período gratificante reduzido e nem produz memórias muito valiosas, o mês de junho e o dinheiro extra que irá receber poderão oferecer uma forma real de multiplicação do dinheiro e da sua capacidade de consumir e viver de forma mais desafogada.

Que exemplos está disposto a partilhar?

Se já está mais do que rotinado a gerir os seus recursos e tem uma perspetiva mais sofisticada, já tem aplicações financeiras e trata a literacia financeiro por tu, não nos leve a mal por este artigo, talvez ele não seja para si. Por outro lado, se precisa de um empurrão para se disciplinar e para encontrar as vantagens e (alguns) exemplos de poupança que lhe têm escapado, esperemos que este artigo tenha ajudado como breve provocação encorajadora.

Se tiver sugestões e dicas úteis não hesite em partilha-las na caixa de comentários. Se surgirem propostas interessantes iremos juntá-las ao corpo do artigo.

Que uso costuma dar ao subsídio de férias e ao reembolso do IRS?

Boa gestão de carteira!

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