A taxa Euribor a 3 meses atingiu os 2,254% a 11 de maio de 2026, um registo que não era superado desde 15 de abril de 2025. è, portanto, um recorde anual.
Política monetária estável desde junho de 2025
Sublinhe-se que desde 11 de junho de 2025 que o Banco Central Europeu não altera a taxa de facilidade de depósitos tendo-a fixado nos 2,00%. Desde então a Euribor desceu para voltar a subir apenas na sequência do conflito em curso no Golfo Pérsico, mas as taxas definidas pelo BCE continuam cristalizadas nos valores de junho de 2025.
De facto, até ao momento, o BCE não alterou a sua política monetária mas com o aumento da inflação (já está bem cima dos referência de 2% na Zona Euro – 3% em Abril), a expectativa no mercado é que está a aumentar a probabilidade de o BCE vir a subir as suas taxas diretoras, eventualmente, já na reunião de junho de 2026, provavelmente, em 25 pontos base (taxa de facilidade de depósito).
O atual valor da Euribor a 3 meses aponta precisamente para essa expectativa no mercado interbancário, com a Euribor a 3 meses a fixar-se 25,4 pontos base acima da taxa de facilidade depósitos ainda em vigor.
A Euribor a 6 meses está quase outros 25 pontos base acima (2,492%) e a Euribor a 12 meses acrescenta até um pouco mais do que outros 25 pontos base (2,778%).
A leitura natural é a de interpretar estes “degraus” entre Euribor de prazos diferentes como se o mercado antecipasse como provável que, no espaço de 12 meses a contar de hoje, viessem a ocorrer três subidas das taxas diretoras de 25 pontos base num total de aproximadamente 75 pontos.
Subida dos juros pelo BCE vista como inevitável no curto prazo
Inequívoco é que, independentemente da magnitude das eventuais mudanças, com os dados macro-económicos existentes e com a realidade geopolítica persistentemente disruptiva da atividade económica global, a expectativa dominante é a de que a política monetária passará a ser mais restritiva nos próximo meses, com as taxas de juro a subirem.
Esta expectativa está já a ser canalizada para as taxas de juro dos depósitos (ver o artigo “Melhores Depósitos a Prazo em Maio de 2026“), dos empréstimos e créditos de diversa natureza.
Atividade económica será alvo de múltiplos choques
A atividade económica está já sobre “ataque” pelas restrições de acesso a várias matérias primas e até alguns bens transformados críticos para várias atividades produtivas (dos transportes à agricultura passando pelo moldes, componentes digitais, entre outros) que têm conduzido a inflação elevada, para já em alguns bens e produtos.
No entanto, a reação dos Bancos Centrais, mandatados para manter a inflação controlada – independentemente da sua origem – acabará por ter como consequência pressionar a atividade económica no sentido de um arrefecimento por via do preço do dinheiro e, consequentemente, das maiores restrições a aceder a ele, seja para investimento, seja para consumo.
O objetivo da política monetária será o de aliviar as pressões inflacionistas – neste caso importadas forçadamente por via da subida dos preços dos combustíveis (ver o artigo “Produtos Energéticos disparam 11,7% e inflação no consumidor acelera – abril de 2026“). Esse equilíbrio tenderá a fazer-se num patamar de produção mais baixo, com menos PIB e economias com maiores pressões para estagnarem ou mesmo encolherem, em dimensão.
Se isto acontecerá ou não, dependerá da severidade dos impactos futuros da atual crise ao nível dos preços e da dimensão dos movimentos de política monetária que terão de ser adotados pelos bancos centrais caso estes se mantenham fieis ao seu manual clássico de ação.
