Como evitar a subida dos “spreads”

10 February, 2010 por Monica · 5 comentários
Arquivado em: Dinheiros, Instituições Financ. 

A melhor forma de evitar a subida dos spreads dos empréstimos bancários é… não pedir empréstimos aos bancos. O dinheiro tem um custo e este ameaça subir significativamente mesmo antes de a Euribor retomar a sua esperada subida.

Aquilo que quer comprar dar-lhe-á um retorno maior do que a taxa de juro que vai pagar pelo respectivo empréstimo?  Já simulou cenários financeiramente  menos desafogados para ver até onde será capaz de sustentar o empréstimo que se prepara para fazer?

Delineou estratégias de fuga se a coisa der para  o torto (não estamos a pensar em fuga às dívidas note bem)? Quanto custam e o que implicam?

Pedir dinheiro ao banco para comprar um bem não é, nem deve ser encarado como um ato tão natural quanto respirar, deve ser sempre ponderado como um de vários recursos possíveis para seguir um determinado percurso de investimento ou de consumo.

Como já aqui foi referido há cerca de dois anos em “Sugestão: Pedir dinheiro emprestado à família“, talvez não seja uma má altura para ponderar soluções mais familiares, pode ser que tenha a sorte de ter alternativas bem mais económicas e sustentáveis perto de si. E pode até ser que ganhe gosto pelas vantagens de ser capaz de poupar.

 Como é que pode ser maior vergonha pedir emprestado à família do que ir pedir ao banco? Às vezes parece. Mas não fará mais sentido oferecer uma taxa de juro simpática (sem o spread) ao seu familiar que provavelmente não a conseguiria obter no tradicional depósito a prazo?

Permanece muito atual este texto que apresenta o empréstimo dentro da família como uma win-win situation:

“ Does the idea of hitting up family or friends for cash make you cringe? You may be forgetting that the people close to you might actually be happy to loan you money.”

Artigo completo aqui.

Obrigações da dívida pública para particulares – novidade em breve?

28 January, 2010 por Mapari · 3 comentários
Arquivado em: Dinheiros, Política Económica 

Com os certificados de aforro a definharem por falta de atratibilidade e com o próprio Governo a não acreditar que haja um aumento líquido de aforro colocado pelos particulares através deste produto ao longo do corrente ano (apostamos mais na continuação do progressivo caminho para a extinção deste produto se nada mudar), eis que poderemos estar na eminência de se abrir a porta de acesso direta à dívida pública por parte de particulares através de uma emissão de Obrigações da Dívida Pública: “Estado vai emitir Obrigações de dívida pública para particulares“.

Quando e se se vier a concretizar este instrumento de captação de poupança contamos dar notícia detalhada neste espaço. Olhando para o histórico em arquivo percebemos que a poupança e o aforro, são assuntos muito cá de casa.

Certificados de aforro a forma mais barata de financiamento do Estado?

27 January, 2010 por Mapari · Um comentário
Arquivado em: Dinheiros, Política Económica 

A ler “Fuga dos certificados de aforro vai estancar em 2010” por Susana Domingos no Jornal de Negócios, num tema que é muito cá de casa. Um excerto:

” (…) O Secretário do Tesouro Carlos Costa Pina apresentava em 2008 como argumento para a alteração das regras dos certificados de aforro, o facto de se tratar do meio de financiamento da dívida do Estado mais caro. No entanto, com a queda das taxas de juro entretanto observada (e que actualmente está bem abaixo de 1%) e com o aumento da yield das obrigações do Tesouro e Bilhetes do Tesouro os certificados de aforro podem, na realidade, ter-se tornado na forma mais barata de financiamento do Estado. “

Depositar ou amortizar dívidas?

25 January, 2010 por Mapari · 3 comentários
Arquivado em: Dinheiros, Sociedade 

Não perdeu o emprego nem teve nenhum azar especial? Viu o seu salário aumentar simpaticamente em 2009 e até passou a pagar substancialmente menos pelos créditos que tinha?  Ouviu dizer que vão subir as taxas de juro e não sabe se há-de desde já reduzir a dívida ou se há continuar a aforrar, por exemplo, investindo em aplicações de baixo risco como os depósitos a prazo? No fundo, deve depositar ou amortizar as dívidas?

A resposta é mais que previsível: depende! E depende de muita coisa. Mas antes de mais note algumas premissas conservadoras que estão implícitas nas linhas de cima:  abandonar a lógica de poupança por uma de consumo não foi considerada como opção e tampouco se perspectivou a investimento de mais elevado risco como seja o efetuado em valores mobiliários (acções, obrigações, etc).  Dito isto, as linhas que se seguem destinam-se apenas a quem reduz as suas alternativas precisamente à pergunta: poupar ou amortizar dívidas? Leia mais

Zon, Optimus Clix, Meo*: qual o mais barato?

25 January, 2010 por Mapari · Um comentário
Arquivado em: Consumo e Produtos, Dinheiros, Empresas, Mercados 

Há quase um ano abordámos aqui alguns dos truques e dilemas envolvidos na escolha e (re)negociação de contratos com as empresas de telecomunicações, na ótica do cliente residencial foi em “Zon, Clix, MEO: menos 20% na factura; de novo em busca do melhor negócio“. Muito do que se disse então mantêm-se pertinente. Recordo aliás a forma como o autor terminou a peça citada:

 “Neste momento, parece-me claramente vantajoso ter apenas um prestador de serviços de telecomunicações. E parece-me de todo recomendável, daqui a 12 meses voltar a olhar para o mercado e procurar a melhor relação de qualidade/preço. Ser fiel a um operador, se as técnicas comerciais existentes se mantiverem, é a pior opção para o consumidor final.”

Pois um ano passou e está na altura de voltar a sondar o mercado e ter uma atitude pro-ativa, ponderando sempre a hipótese de mudar de prestador de serviços.

Se noutros mercados os prestadores de serviços já perceberam que as promoções para novos clientes justificam algum tipo de amenização para que os “velhos” clientes não se aborreçam e permaneçam fieis, pelo mercado das telecomunicações a situação ainda é distinta, particularmente SE o cliente for completamente passivo.

Se não for o cliente a perceber que com o passar do tempo ficou com um tarifário muito desfavorável, raramente será o fornecedor a ter uma atitude preventiva (para não perder o cliente) e, se acabar por tê-la, tal sucede geralmente muito depois de o facto ser evidente. O cliente só tem a ganhar em questionar, em perguntar se é menos que os outros e, claro, em se predispor a mudar de fornecedor.

Por estes dias consumou-se a fusão da marca Clix com a Optimus, muito provavelmente a oportunidade será utilizada para agitar um pouco o mercado. E que tal investigar junto de amigos e conhecidos os contratos que estes têm com os respectivos fornecedores, passar pelos tarifários anunciados e, se for caso disso, pegar no telefone em busca de um melhor negócio?

Deixamos, a terminar, uma sugestão de leitura do Diário Económico de hoje: “Os pacotes mais baratos de Internet, TV e telefone“.

* Junte-se-lhe a Cabovisão, a Vodafone, a AR Telecom.

Era uma vez um Certificado de Aforro

16 January, 2010 por Monica · 2 comentários
Arquivado em: Dinheiros 

Há muito muito tempo, num país pequinino havia um instrumento de poupança chamado certificado de aforro… Qualquer dia é assim que se pode contar esta história. Sem surpresa, num ano (2009) em que a taxa de poupança subiu de forma muito expressiva no país, os certificados de aforro, ou melhor o Estado, perdeu 326 milhões de euros,  feitas as contas entre novos subscritores e resgates neste tipo de poupança.

Este tema é quase tão antigo quanto o Economia & Finanças, e já em Novembro de 2006 (veja “Avizinha-se o fim dos Certificados de Aforro? (actualizado)“), quando se começou a falar numa alteração drástica dos certificados de aforro notávamos algumas incoerências no discurso:

“(…) Segundo cita hoje o Diário de Notícias (notícia não disponível on-line) o Secretário de Estado do Tesouro e Finanças afirma que os Certificados de Aforro não passam de uma forma de subsidiação da poupança pelo Estado. Esta afirmação levanta-me uma dúvida: como perceber que ao mesmo tempo que se afirma isto dos certificados se tenha reintroduzido os benefícios fiscais nos Planos Poupança Reformado? (…)” Leia mais

A longa agonia dos certificados de aforro

12 October, 2009 por RCB · 2 comentários
Arquivado em: Dinheiros, Instituições Financ., Política Económica 

Temos acompanhado a novela dos certificados de aforro por aqui ao longo dos últimos anos. Há uns meses contudo que deixou de ser notícia no Economia & Finanças, afinal tudo isto é triste (saídas líquidas de capital atingem os 51 milhões de euros em Setembro), tudo isto existe (depósitos com remunerações que mais que duplicam o retorno dos certificados), tudo isto é fado.
Por estes dias, as instituições financeiras vão compondo o ramalhete de oferta dos depósitos a prazo com bonificações sobre a taxa de referência de mercado enquanto os certificados se mantêm agarrados a uma inflexibilidade trágica porque desenhada num patamar pouco competitivo, isto depois de um período de turbulência lesivo da confiança neles depositadas. 

Saberá o Estado o que faz? Será inteligente desprezar esta forma de financiamento da dívida pública? Ou o objectivo era aceitar a progressiva erosão da base de aforradores enquanto, de caminho, se vendia gato por lebre, oferecendo uma remuneração bem abaixo da paga em empréstimos e outras opções de titularização da dívida do Estado?

Não sendo irrelevante para o contribuite eleitor, esta questão deve interessar pouco ao pequeno aforrador. O medo de depositar economias num produto inequivocamente conservador e seguro como um depósito a prazo já lá vai e a perspectiva de assegurar nos primeiros anos um retorno muito superior, nalgumas situações mais de duplo face aos certificados, deixam pouca margem para dúvidas quanto à opção a seguir para maximizar o retorno do capital com baixo risco.

Que descansem em paz, certificados da série C e… bons negócios.

Certificados de Aforro em vias de extinção

31 July, 2009 por RCB · Um comentário
Arquivado em: Dinheiros 

A acreditar nesta peça do Diário Económico “Certificados de aforro perdem 74 investidores por dia” estamos a assistir inexoravelmente ao desaparecimento dos Certificados de Aforro.

Comprar dívida pública com um mínimo de interesse parece ser coisa vedada aos particulares, só com intermediários pelo meio, como muito bem lembrava ontem João Duque, no mesmo jornal, a propósito da impossibilidade de particulares comprarem directamente Obrigações do Tesouro ao Estado.

Taxa de juro e rendimento dos Certificados de Aforro – Séries A, B e C

2 March, 2009 por RCB · Deixe um comentário
Arquivado em: Dinheiros 

Desta vez é o Diário Económico que oferece mais um mimo para quem precisa de ajuda a calcular o rendimento das suas aplicações. Nesta página está disponível uma calculadora ou simulador para as rentabilidades dos certificados de aforro, já considerando as actualizações recentes aqui referidas recentemente em “Novidades nas taxas de juro dos Certificados de Aforro“.

Novidades nas taxas de juro dos Certificados de Aforro

O experimentalismo num instrumento de captação de poupança de longo prazo continua, desta vez respondendo ao status quo que aqui apresentámos há dois dias em “Certificados de Aforro com taxa líquida abaixo da inflação esperada“, e que era claramente desfavorável e desmotivador para aplicar dinheiro neste produto. Hoje, o Governo recua face à alteração efectuada há cerca de 13 meses (ver “Os certificados de aforro acabaram (morreram por falta de interesse) – actualizado“) e volta a colocar os Certificados de Aforro no mercado das opções interessante. Eis as alterações conhecidas:

À cabeça as novas subscrições sobem 0,5 pontos percentuais. Ou seja, a taxa de juro aplicável continua a ser de

0,85*E3-0,25 mas agora adicionada de 0,5 ficando:

0,85*E3+0,25

em que E3 é a média dos valores da Euribor a três meses observados nos dez dias úteis anteriores, sendo o resultado arredondado à terceira casa decimal (Fonte: IGCP)

Por outro lado, o prémio de fidelidade ou de permanência é reforçado em 0,25 pontos percentuais do 2º ao 8º ano de antiguidade.

Os novos prémios brutos serão assim de (pontos percentuais):

0,50, no 2.º ano
0,75, no 3.º ano
1, do 4.º ao 7.º ano
1,25, no 8.º ano
1,5, no 9.º ano
2,5, no 10.º ano

Finalmente, o montante máximo de subscrição sobe de 100.000€ para 250.000€ (Fonte: Jornal de Negócios). Ou seja, tudo o que foi dito no ano passado, todo o processo de diabolização dos Certificados de Aforro enquanto aplicações para ricos foi enfiado na gaveta, ao ponto de agora mais do que se duplicar o limite máximo de subscrição para cada pessoa sob o bizarro pretexto de se estar a responder à subida do montante garantido pelo Fundo de Garantia de Depósitos que, como sabemos subiu de 25000€ para 100000€ há alguns meses.

As mudanças parecem ir no bom sentido e creio que defendem o melhor interesse do Estado, perdeu-se foi uma boa oportunidade para ficar quieto há cerca de um ano. Entre o que então se fez e o que agora de emendou tivemos duas alterações que por si só não abonam nada em favor de uma das características e vantagens históricas desta forma de captação de poupança e de financiamento da dívida pública que é, precisamente, a sua estabilidade contratual e, consequentemente, a sua simplicidade e maior apelo a todo o tipo de aforradores independentemente do respectivo grau de instrução. Será que daqui a 12 meses tudo mudará de novo? E será que voltaremos a ter efeitos retroactivos sobre o que foi contratualizado conforme sucedeu há um ano? Algum dia as taxas hoje prometidas para quem faça hoje o aforro e o mantenha durante 10 anos serão efectivamente pagas?

Esperemos que a volatilidade normativa volte a estabilizar, mas a dúvida é legítima. Nem sempre uma emenda consegue corrigir inteiramente um erro.

Estas alterações entram em vigor para subscrições iniciadas em 1 de Março de 2009 e serão aplicadas aos restantes certificados da série C no momento da actualização das respectivas taxas. A taxa de juro aplicável às subscrições feitas em Março será de 1,874%.

ADENDA: Como remedeio adicional o Governo veio anunciar que a remuneração dos Certificados da Série C “não poderá ser alterada num sentido desfavorável ao aforrador“. Muito bem, sucede que essa era já a expectativa dos investidores da série A e B, expectativa que veio a sair gorada. As condições da série A e B não sofrem alteração com esta mudança.

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