Famílias consomem mais mas poupam também mais no 1º trimestre de 2010 (act.)

É uma aparente quadratura do círculo que retrata um cenário desejável e que se quer (mas não se garante) duradouro, particularmente no que se refere às famílias. As necessidades de financiamento da nossa economia foram menores no 1º trimestre de 2010 que em momentos anteriores. Os receios de aterragem brusca (com quebras no investimento que se poderão tornar alarmantes pelo eventual impacto na capacidade produtiva e no emprego) não estão contudo descartados.
O INE divulgou hoje as estatísticas sobre contas nacionais relativas ao primeiro trimestre de 2010 desagregadas por sectores institucionais: famílias e instituições sem fins lucrativos ao serviços das famílias, empresas financeiras, empresas não financeiras e administrações públicas.
Estes números permitem compreender os dados do PIB numa perspectiva diferente da habitual, sendo possível analisar isoladamente o comportamento de cada um destes sectores e de algumas das suas desagregações adicionais (por exemplo, administração central, administrações locais, etc).
O destaque escolhido pelo INE refere-se ao incremento (ainda que em desaceleração) da taxa de poupança das famílias (10,7% do PIB) e da capacidade de endividamento das famílias fruto dos recursos gerados pela poupança, pelo saldo positivo das transferências de capital e pela redução do investimento.
Aparentemente o consumo aumentou mas a um ritmo mais lento do que o rendimento disponível. Para melhores e maiores detalhes o ideal é espreitar a nota de imprensa do INE e os respectivos quadros.

Quer spreads baixos? Então não vá a bancos portugueses

28 June, 2010 por Mapari · Um comentário
Arquivado em: Dinheiros, Instituições Financ., Mercados 

Há poucos dias o presidente da CGD repetia mais uma vez que os spreads do crédito iriam ter de subir, novamente. Neste artigo, “Banca portuguesa ameaça fechar torneira ao crédito“ ,temos outra forma de pôr as coisas .

E, de facto, no espaço de poucos meses, o spread mínimo praticado na CGD para crédito à habitação quadruplicou. Em outros bancos “locais” com o BES, BCP ou BPI para citar apenas os de maior dimensão o cenário foi parecido. Mas quer isto dizer que é hoje impossível obter spreads inferiores a 1,25% para contratar um crédito à habitação?

Não, de todo! Por estes dias há muitas famílias que são mais credíveis do que alguns bancos e podem com alguma surpresa financiar-se a mais baixo custo do que os bancos nacionais. Como? Batendo à porta de bancos estrangeiros a operar em Portugal. Deutsch Bank, Caixa Galícia, BBVA são algumas das instituições que ainda têm praticado spreads abaixo do ponto percentual.

É certo que para se obterem spreads de 0,5% ou mesmo inferiores, a relação financiamento garantia não poderá ser superior a 50% e a avaliação de risco do cliente terá de reflectir uma baixa probabilidade de risco. Ou seja, quem pede, tem que ter capital de arranque elevado, comprovando capacidade de poupança, oferecendo um bom colateral ao banco (imune a algum precalço no imobiliário), devendo ter emprego estável, em sector robusto com pelo menos alguns anos de carreira consolidado.

Em bom rigor, os spreads subiram em todos os bancos pois há pouco tempo era possível obter spreads de 0,3% com uma avaliação de risco bem menos exigente, contudo, os spreads inferiores a 1%, tanto quanto sabemos, desapareceram da oferta da banca nacional, mesmo para as condições acima descritas, mas o mesmo não sucede com instituições financeiras como as referidas. O caso do Deutsch Banco (banco alemão) é paradigmático: não estão interessados em aforro (remuneram depósitos e afins a cerca de 0,1%) contudo estão interessados em investidores qualificados (ou perto disso) disponíveis para produtos complexos e, claro, estão muito interessados em emprestar dinheiro (o tal que não estão muito interessados em emprestar a outros bancos) para ganharem quota de mercado e recolherem directamente nos mercados com bancos estrangulados retorno da sua capacidade de emissão de moeda via juros.

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Certificados do Tesouro: Novo produto de poupança para famílias a partir de Julho (act.II)

11 June, 2010 por Monica · Um comentário
Arquivado em: Dinheiros, Política Económica 

Foi hoje publicado em Diário da República a resolução do Conselho de Ministros n.º 40/2010 que define o enquadramento e as características do Certificados do Tesouro (CT), um instrumento de dívida pública agora criado que permite aos particulares colocar poupança de longo prazo neste produto do Estado.
Há já alguns meses que este produto havia sido anunciado (ver aqui “Certificados do tesouro à venda para particulares em Julho (act.)“) agora clarificam-se algumas das suas características. Do que lemos parece-nos uma proposta que poderá ser interessante a longo prazo (ainda não apurámos se será mais interessante que um Certificado de Aforro da série C para 10 anos de investimento). Para prazos inferiores a 5 anos, remunera por referência aos Bilhetes do Tesouro ou à Euribor a 12 meses (hoje a taxa foi de 1,271%). Neste caso, na actual conjuntura, é menos interessante que muitos depósitos bancários a 1, 2, 3 ou 4 anos. Em todo o caso, para quem queira investir a 1, 2 ou 3 anos, aceitando não poder mexer no dinheiro durante pelo menos 1 ano, será seguramente um produto mais interessante que os Certificados de Aforro da série C. Mas eis alguns destaques do conteúdo da Resolução:

  • Estarão disponíveis a partir de 1 de Julho (junto do IGCP, e provavelmente dos CTT, à semelhança dos Certificados de Aforro);
  • A subscrição mínima é de 1000€ e a máxima de 1 milhão de Euros;
  • Prazo da aplicação de 10 anos;
  • O investimento fica imobilizado durante 6 meses podendo ser resgatado depois disso;
  • Haverá pagamento de juros anual, perdendo-se os juros entre o momento do resgate e o último vencimento de juros (isto caso o resgate se faça em data diferente da do vencimento de juros);
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Depósitos a Prazo – Abril de 2010

13 April, 2010 por Mapari · 3 comentários
Arquivado em: Dinheiros, Instituições Financ. 

Procedemos à atualização habitual da nossa página que contêm as ligações para os depósitos a prazo comercializados pelas instituições financeiras (IF) acreditadas em Portugal.

Numa primeira análise identificámos alguma diversificação adicional na oferta de depósitos a prazo de médio prazo na modalidade de remunerações crescentes, confirmámos a inevitável redução das taxas de juros dos depósitos que se encontram indexados à euribor e constatámos que, apesar dos baixos valores nominais das remunerações dos depósitos, é ainda fácil encontrar depósitos a prazo que remuneram acima da taxa de inflação que têm sido, recorde-se, negativa ao longo dos últimosm eses (se considerarmos a taxa média de crescimento anual). Contratar depósitos a prazo pela banca via internet (homebanking) continua a ser muito mais vantajoso do que recorrer ao balcão.

Convidamos a nosso leitor a navegar pelas sugestões do portal onde muito provavelmente encontrará a ligação para a melhor taxa de juro de depósitos a prazo. Reforçamos mais uma vez a utilidade de comparar as ofertas recorendo à obrigatório Ficha de Informação Normalizada (que algumas IF resolveram começar a chamar singelamente de “FIN” e que ironicamente fornecem muito perto do fin das páginas informativas).

Note que nem só a taxa de juro é relevante, não se esqueça de analisar, por exemplo, quais as penalizações em caso de levantamento antecipado do capital e se tal possibilidade é, de todo, possível.

Bons negócios!

Quanto devo dar de semanada/mesada?

9 April, 2010 por Mapari · Um comentário
Arquivado em: Dinheiros, Sociedade 

Pessoalmente ainda não passei pela experiência de ter de me preocupar com a mesada (ou semanada) do(a)s petizes. Se tudo correr bem lá chegarei, mas gostaria de ouvir opiniões informadas. Têm sugestões quanto aos critérios?

O Jornal de Negócios compilou uma série de dicas e sugestões para estimular e educar sobre poupança e gestão de dinheiro. Para um leigo achei alguns exemplos interessantes como aquele que sugere que os mealheiros paras os pequeninos devem ser de vidro transparente para ajudar a entusiasmar! O resto das dicas está nesta peça do referido jornal.

Onde pôr a poupança das crianças?

31 March, 2010 por Monica · 3 comentários
Arquivado em: Dinheiros, Instituições Financ. 

As conclusões não serão propriamente uma novidade para quem anda atento aos produtos de poupança existentes, mas é sempre bom ver outros a confirmarem as evidências. A Deco Proteste comparou os produtos de poupança desenhados pelas instituições financeiras para as crianças e jovens e concluiu que é melhor considerar escolher antes um depósito a prazo convencial ou uma aplicação com mais risco. Quanto aos depósitos a prazo já se sabe que, por regra, os mais interessantes estão disponíveis pela internet: são estes que permitem obter as melhores taxas de juro (veja a nossa folha com as ligações para os produtos disponíveis no mercado português).

Quanto às contas crescer e mealheiros e quejandas, muito brinde, muita publicidade mas não resistem ao teste comparativo. Mais um de muitos casos em que o que o seu banco quer que pareça, não é. Nada que não se resolva com um espírito crítico e algum aconselhamento independente, como se vê.

Entretanto, continuam a aguardar-se novidades sobre a conta poupança futuro

Como evitar a subida dos “spreads”

10 February, 2010 por Monica · 5 comentários
Arquivado em: Dinheiros, Instituições Financ. 

A melhor forma de evitar a subida dos spreads dos empréstimos bancários é… não pedir empréstimos aos bancos. O dinheiro tem um custo e este ameaça subir significativamente mesmo antes de a Euribor retomar a sua esperada subida.

Aquilo que quer comprar dar-lhe-á um retorno maior do que a taxa de juro que vai pagar pelo respectivo empréstimo?  Já simulou cenários financeiramente  menos desafogados para ver até onde será capaz de sustentar o empréstimo que se prepara para fazer?

Delineou estratégias de fuga se a coisa der para  o torto (não estamos a pensar em fuga às dívidas note bem)? Quanto custam e o que implicam?

Pedir dinheiro ao banco para comprar um bem não é, nem deve ser encarado como um ato tão natural quanto respirar, deve ser sempre ponderado como um de vários recursos possíveis para seguir um determinado percurso de investimento ou de consumo.

Como já aqui foi referido há cerca de dois anos em “Sugestão: Pedir dinheiro emprestado à família“, talvez não seja uma má altura para ponderar soluções mais familiares, pode ser que tenha a sorte de ter alternativas bem mais económicas e sustentáveis perto de si. E pode até ser que ganhe gosto pelas vantagens de ser capaz de poupar.

 Como é que pode ser maior vergonha pedir emprestado à família do que ir pedir ao banco? Às vezes parece. Mas não fará mais sentido oferecer uma taxa de juro simpática (sem o spread) ao seu familiar que provavelmente não a conseguiria obter no tradicional depósito a prazo?

Permanece muito atual este texto que apresenta o empréstimo dentro da família como uma win-win situation:

“ Does the idea of hitting up family or friends for cash make you cringe? You may be forgetting that the people close to you might actually be happy to loan you money.”

Artigo completo aqui.

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