O indicador de inflação no consumidor acelerou de 2,7% em março para 3,4% em abril de 2026, segundo os dados preliminares avançados na Estimativa Rápida do Índice de Preços no Consumidor do Instituto Nacional de Estatísticas (INE).
O que está a “puxar” a inflação para cima?
Segundo o INE, há, fundamentalmente, duas classes de despesa a fazer disparar os preços, para já:
- índice relativo aos produtos energéticos que aumentou para 11,7% (5,7% em março);
- índice relativo aos produtos alimentares não transformados, que aumentou para 7,5% (6,4% no mês anterior).
Ambas com impacto relevante nas finanças pessoais, em especial de quem depende de combustível para desempenhar a sua atividade e tem uma estrutura de consumo próxima da subsistência, em que o peso dos alimentos é mais elevado no orçamento do agregado familiar.
Ainda assim, para já, os efeitos de transmissão ao resto do cabaz de consumo parecem ser limitados, dado que o indicador da inflação subjacente (que exclui das suas contas precisamente as duas classes que mais têm subido) manteve-se relativamente estável, passando de 2,0% para 2,2%. Mas este é, claramente, um indicador-chave a acompanhar e que é, entre outros, especialmente relevante para definir política monetária pelo BCE.
Se a nível europeu, este indicador se afastar muito dos 2%, aumenta a pressão para o BCE intervir, neste caso, no sentido de subir taxas de juro de referência para tentar reduzir a procura e, assim, controlar os preços.
A variação média anual dos preços no consumidor foi também atualizada pelo INE com as novas observações de abril de 2026, passando de 2,3% em março para 2,4% em abril.

Como compara Portugal com a União Europeia?
A nível europeu (dados do Eurostat), dos 21 países que já divulgaram dados de abril, identificamos oito com inflação inferior a Portugal, 10 com valor superior e dois com o mesmo registo de Portugal.
Na Zona Euro, o preço dos produtos energéticos subiu 5,1% em março e 10,9% em abril. Um pouco abaixo do registado em Portugal, em ambos os meses.
A variação média anual é de 3,0%, acima dos 2,4% apurados em Portugal. Note-se que esta análise não é exata atendendo a que o indicador de inflação usado pelo Eurostat é ligeiramente diferente – é o IHPC e não o IPC, gerando, habitualmente, discrepâncias de uma décima.
Revisão da previsão da inflação para 2026
Estes registos não estavam claramente incorporados nas previsões para a taxa de inflação para 2026. Os cenários de base, por exemplo, patentes no Orçamento do Estado para 2026, apontavam para preços do barril do petróleo dentro dos $60 a $70 durante o ano como valores médios, uma perspetiva cada vez mais distante quando se sucedem os dias em que o valor no mercado supera os $100.
O FMI foi das primeiras instituições a incluir uma revisão em alta significativa para a inflação em Portugal em 2026, prevendo agora que esta se fixe nos 3,1% (antes 2,1%), num cenário em que a crise energética não se agrava. Recordamos o artigo “Previsão da inflação para 2026 dispara – FMI Abril de 2026” que apresenta mais detalhes.
Hoje mesmo realiza-se uma reunião do BCE, na qual já serão valorizadas estas estimativas preliminares para a inflação de abril de 2026.
O INE irá apurar a estimativa final a 13 de maio.