O atual nível da inflação convida à subida das taxas de juro. De facto, os dados mais recentes do Eurostat com a primeira estimativa para inflação no União Europeia em maio de 2026, revelam uma subida dos 3,0% registados em abril para os 3,2% em maio. Recorde-se que em fevereiro a inflação encontrava-se abaixo dos 2% (1,9%).
BCE deverá subir taxas na próxima semana
Esta subida continuada dos preços no consumidor já claramente acima do valor de referência do Banco Central Europeu, de 2%, torna mais provável a subida das taxas de juro diretoras definidas pelo BCE já na reunião da próxima semana, a 11 de junho.
A confirmar-se a subida de 25 pontos base, levando a taxa de facilidade permanente de depósito do BCE a subir de 2% para 2,25%, o novo valor encostará no atual valor das Euribor a 3 meses.
A confirmação da subida da taxa diretora e a confirmação da uma inflação consistentemente acima dos 2%, deverá abrir caminho para que a Euribor inicie o seu caminho até à próxima subida esperada das taxas do BCE.
Neste momento, as Euribor a 3, 6 e 12 meses registam valores crescentes com o prazo, com intervalos correspondentes a sensivelmente uma subida de 25 pontos entre cada prazo (ver tabela em baixo), o que indicia que a expectativa dos mercados é a de que as taxas diretoras continuarão a subir nos próximos seis e 12 meses, antecipando uma subida global de cerca de 75 pontos base no espaço de um ano.
| Euribor (2/6/2026) | |
| A 3 meses | 2,276% |
| A 6 meses | 2,540% |
| A 12 meses | 2,786% |
O cenário mais provável e os impactos no crédito e na poupança
O cenário mais provável, neste momento, será assim de que a Euribor a 3 meses vá crescendo para próximo do atual valor da Euribor a 6 meses e a Euribor a 6 meses para o atual valor da Euribor a 12 meses e assim sucessivamente.
Naturalmente, a confirmar-se este percurso mais provável, estaremos perante um encarecimento do preço do dinheiro com impactos garantidos em todos os créditos indexados às Euribor, nomeadamente, o crédito à habitação.
Do lado da poupança, destacam-se os certificados de aforro por terem embutido a indexação à Euribor a 3 meses, uma relação que se mantém até esta atingir os 2,5% (Certificados de Aforro Série F), valor a partir do qual os certificados de aforro atingem o máximo de remuneração (além dos prémios de permanência).
Os depósitos a prazo têm vindo, progressivamente a subir as taxas médias para novos depósitos e é natural que esse movimento se mantenha até haver uma inversão do atual ciclo, patrocinado pela inflação largamente importada devido aos eventos em curso no Golfo Pérsico e Médio Oriente.
