A Comissão Europeia (CE) coloca previsão para a inflação nos 3,0% em 2026 no novo cenário macroeconómico para a União Europeia que divulgou no seu “Forecast Spring 2026“.
Previsão sobe um ponto percentual em poucos meses
Recorde-se que a previsão anterior da mesma instituição era de 2,0%. Temos, portanto, um revisão de 100 pontos base.
O valor previsto para Portugal ai em cima da previsão para média da Zona Euro (21 países) e fica uma décima abaixo do previsto para o total da União Europeia.
Para 2027, a expectativa é de que a inflação desacelere para 2,3% em Portugal e na Zona Euro. Mais três décimas, ou seja, mais 30 pontos base do que na previsão anterior.
A instabilidade no mercado da energia provocada pelo conflito no Médio Oriente e no Golfo Pérsico, em especial, após o ataque dos EUA e Israel ao Irão, que colocou o trânsito marítimo no Estreito de Ormuz em suspenso, estará entre as principais causas para esta revisão.

Previsões estão a ser sistematicamente revistas em alta
No final de março de 2026, o Banco de Portugal atualizou as suas projeções macroeconómicas para Portugal (veja o artigo “Banco de Portugal corta previsões de crescimento em 20% (2026)“) e tinha antecipado um novo valor para inflação de 2026 de 2,8%. Um valor, ainda assim inferior ao agora projetado, em maio de 2026, pela Comissão Europeia.
Mas nem só a inflação é impactada pelas revisões. Na tabela que reproduzimos, verifica-se que a previsão para o PIB rela é agora mais modestas 1,7% em 2026 quando na previsão anterior era de 2,2% e 1,8% em 2027 quando na previsão anterior da Comissão Europeia era de 2,1%
Emprego resiste com boas perspetivas
A taxa de desemprego resiste a este cenário global menos favorável. A previsão de primavera da Comissão Europeia para 2026 é exatamente igual à que havia feito nas previsões de inverno: 5,9%. E para 2027 a expectativa é até melhor 5,8% versus 6,1%.
Com evolução favorável face às previsões anteriores surge o saldo orçamental. A CE continua a prever o regresso dos défices em 2026 e 2027, de 0,1% e 0,4% respetivamente mas traçam uma expectativa melhor do que a avançada à cerca de meio ano que apontavam para um défice superior tanto em 2026 (0,3%) como em 2027 (0,5%).
Como sempre sublinhamos que se tratam de previsões e a sua volatilidade está bem patente na magnitude das mudanças que muitos dos indicadores sofreram em menos de meio ano.
