Projeções Economia Portuguesa 2026 a 2028 - BdP

Banco de Portugal corta previsões de crescimento em 20% (2026)

A 25 de março de 2026, o Banco de Portugal cortou em 20% a previsão de crescimento real do PIB para 2026, passando-a de 2,3% para 1,8%. Do lado da inflação, a revisão da previsão é em alta com um acréscimo de 33,3%, passando de 2,1% para 2,8%.

Como pano de fundo destas revisões está a antecipação das consequências económicas da atual situação geo-política, em particular as consequências da guerra em curso no Médio-Oriente que está a gerar uma escassez histórica dos combustíveis fósseis disponíveis no mercado mundial e que já está a levar, não só ao aumento dos preços dos combustíveis e derivados, como também a situações de racionamento no acesso aos combustíveis.

O Banco de Portugal avança, contudo, com explicações adicionais para a revisão agora realizada, algumas mais de carácter interno, outras associadas aos impactos das alterações climáticas:

“(…) Os eventos climáticos extremos do início do ano e a evolução mais fraca da atividade no final de 2025 face ao projetado em dezembro também contribuíram para a revisão em baixa. Este quadro adverso é mitigado, em 2026, pela solidez do mercado de trabalho, a execução do PRR e uma política orçamental expansionista. Em 2027 e 2028, a atividade será condicionada pelo abrandamento da oferta de trabalho e pela diminuição dos fundos europeus. (…)”

Projeções Economia Portuguesa 2026 a 2028 - BdP
Fonte: Banco de Portugal

Um dos baluartes da economia portuguesa que estará e deverá minimizar o impacto da crise é o dinamismo do mercado de trabalho, onde persistem taxas de desemprego baixas e criação líquida de emprego suportada pelo influxo de mão de obra estrangeira.

Nas previsões para a economia portuguesa para 2026, 2027 e 2028, o Banco de Portugal continua a antecipar o crescimento do emprego e a estabilização (até descida) da taxa de desemprego. No caso do emprego, o Banco de Portugal é até mais otimista do que constava nas projeções divulgadas em dezembro de 2025.

Um dado difícil de compreender numa primeira leitura é a expectativa do Banco de Portugal de desaceleração do deflator do PIB face ao que estava projetado em dezembro, isto apesar da aceleração da inflação. De facto, para 2026, o Banco de Portugal reviu de 3,1% para 3,0% o referido indicador para 2026. Para 2027 e 2028 já se antecipa um deflator mais elevado do que anteriormente previsto. Numa tentativa de explicação, o Banco de Portugal estará a confiar que a transmissão à produção interna da inflação importada do exterior (via combustíveis, entre outros), só virá a produzir impactos significativos a partir de 2027 e predominará o efeito do abrandamento dos custos unitários do trabalho.

Uma última nota para a desaceleração do consumo privado face à previsão de dezembro, que era de 2,3% e foi agora revista para 2,0%.

O Banco de Portugal apresenta ainda uma análise de cenarização caso a evolução da crise altere os pressupostos usados (como o preço dos combustíveis) e caso se transforme numa crise estrutural e duradoura.  Os alertas do Banco vão no sentido de que a situação se poderá degradar mais face a estas projeções caso a crise geopolítica persista.

“A evolução do conflito militar no Médio Oriente continua a ser muito incerta.

Uma subida mais marcada ou prolongada do preço do petróleo aumentaria os custos de produção das empresas, reduziria o poder de compra das famílias e afetaria a confiança. 

A inflação seria mais alta, e a economia portuguesa cresceria menos do que o projetado.”

Para mais detalhes, poderá ler o Boletim Económico de Março de 2026 do Banco de Portugal.

 

 

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