Ainda o INE e o Pordata
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Na sequência de “INE: técnicos em fuga“, qual Jonathan Swift em plena crise da batata, Uma Proposta Modesta do Pedro Magalhães que leva o João Rodrigues de Arrastão. E bem. É justo. Quem quer estatísticas que as compre.
P.S.: no meus idos tempos de INE houve uns senhores que disseram em tempos que para o INE ter autonomia financeira tinha de arranjar receitas próprias. Fui ver qual era a percentagem máxima de receitas próprias no orçamento total de uns quantos INEs espalhados pelo mundo e nessa altura (inícios do século) e descobri que havia um que chegava aos 30% (Seria na Holanda? Esta memória…). Um. E era um outlier. Depois disseram que a autonomia exigia um nível de receitas próprias muito superior a 30% e o INE perdeu-a. Pelos vistos a médio prazo deu nisto, entre outras coisas:”INE: técnicos em fuga“. A culpa é do Pordata.
INE: técnicos em fuga (act.)
No Negócios hoje: “Falta de Pessoal ameaça contas do PIB“. Regresso por instantes ao E&F porque o tema me é caro.
Sai do INE há um ano e meio e fi-lo bem depois do que seria razoável se atendesse apenas à remuneração, às perspectivas de progressão de carreira (monetárias e de responsabilidade). Trabalhar com números que são informação vital para o auto-conhecimento do país, fazê-lo com a perspetiva (cada vez mais apenas teórica) de que estão balizadas por uma instituição independente do poder político e fazê-lo junto de colegas que, apesar das tradicionais capelinhas, conseguiam ter um inacreditável empenho e dedicação à causa (tantas vezes em genuíno espírito de missão), ajudaram sobremaneira a adiar, ano após ano, a saída.
Hoje, olho para o INE, e (talvez) com a excepção de raros amigos e colegas que conseguiram chegar a posições de chefia, anda tudo a disparar currículos. Mesmo com o mercado como está, o INE vai sangrando para o privado, para outros departamentos do Estado com perspetivas mais decentes e para as mais diversas instituições internacionais. Cada um poderá ter as suas razões, e terá, mas há também aspectos comuns muito evidentes que estão a gerar um problema muito complicado que poderá generalizar-se a muitos departamentos do aparelho do Estado.
O INE desde 1989 (ano de grande reforma em que instituiu o regime de contrato individual de trabalho e se desligou formalmente da função pública) tem sido cobaia para muito experimentalismo, quase sempre testando a degradação ou constrangimento seguinte do que é trabalhar para o Estado: o congelamento de salários, o congelamento de entradas, o congelamento de carreiras, o vínculo precário nas novas contratações, todas as asneiras iniciais do SIADAP… Tudo isto o INE fez primeiro e com maior empenho, como bom aluno.
Estatísticas sobre Portugal é no Pordata (muito melhor que o INE!)
O título é provocação mas o que é certo é que foram vários ex-colegas do INE que me enviaram nos últimos dias a referência ao Pordata como um exemplo a seguir na disponibilização da informação estatística sobre Portugal. Até séries cronológicas tem!
O tema foi desenvolvido um pouco mais no “Onde Estão os Números?” em ”Pordata – Base de Dados sobre Portugal Contemporâneo“.
Quem tem ido para o desemprego?
Um parágrafo do destaque de ontem do INE (Inquérito ao Emprego – 4º Trimestre de 2009) que apurou uma taxa de desemprego de 10,1% no 4ª trimestre de 2009 face a igual período de 2008:
“O aumento trimestral da população desempregada ocorreu essencialmente nos seguintes grupos populacionais: homens, indivíduos 15 aos 24 anos e dos 35 aos 44 anos, indivíduos com nível de escolaridade completo, no máximo, até ao ensino básico (3º ciclo), indivíduos à procura de novo emprego provenientes do sector da indústria, construção, energia e água e indivíduos desempregados à procura de emprego há um ano ou mais.”
Inflação – Janeiro de 2010
Pegando na lupa é possível detectar uma subida de 0,1% no índice de preços no consumidor quando comparado com o mesmo mês de 2009, aliás, se retirarmos das contas as alfaces do Oeste e os combustíveis lá temos ainda valores negativos inquestionáveis: os preços desceram 0,6% face ao período homólogo.
A taxa de inflação propriamente dita manteve-se nos -0,8%, mais um mês de deflação portanto. Ainda é cedo para afinar desde já as previsões para a inflação no final de 2010 (recorde-as aqui: “Previsão da Taxa de Inflação para 2010“) que andam, para já, em torno dos 0,7% mas positivos.
Relatório completo sobre a Inflação em Janeiro nesta ligação do sítio do INE.
Previsão da Taxa de Inflação para 2010
Arquivado em: Dinheiros, Economia Nacional, Números Estatística
Com o conhecimento dos dados definitivos da inflação de 2009 (os preços desceram 0,8% em 2009 conforme informou hoje o INE), as previsões para o valor da taxa de inflação em Portugal em 2010 ganham um pouco mais de precisão ainda que se mantenha um exercício difícil.
O Banco de Portugal que divulgou recentemente o seu Boletim Económico de Inverno avançou com uma revisão para este valor prevendo agora que os preços subam ligeiramente em 2010, mais concretamente, prevê uma taxa de inflação de 0,7% (1,6% em 2011).
Em Novembro de 2009, a Comissão Europeia, havia previsto uma subida de 1,3% para o Índice Harmonizado de Preços nos Consumidores, um indicador marginalmente diferente da comum taxa de inflação (ver “Previsões Económicas da Comissão Europeia 2009 a 2011“). Qual o nosso palpite? Vale o que vale, mas apontaria para um valor entre os dois, sublinhando que, em bom rigor, este é um exercício de elevado risco.
P.S.: Já agora tem curiosidade em conhecer a evolução da Taxa de Inflação em Portugal desde 1977 até hoje? Então passe por aqui: “Taxa de Inflação em Portugal: 1977 – 2009“.
Níveis de confiança em queda em Portugal
O INE acaba de divulgar os resultados dos últimos inquéritos de conjuntura às empresas e aos consumidores referentes ao mês de Dezembro. Depois de alguns meses de recuperação dos níveis de confiança parece confirmar-se agora o retomar de uma evolução negativa dos níveis de confiança. Esse movimento é particularmente intenso entre os consumidores.
Poderá consultaro relatório completo do INE nesta ligação.
Indicadores Sociais: Actualização de dados sobre a Pobreza
Arquivado em: Dinheiros, Economia Nacional, Pobreza / Riqueza, Política Económica, Segurança Social
O INE acaba de divulgar o relatório anual com os principais Indicadores Sociais do país (dados de referência relativos a 2008).
Discretamente, no interior da publicação podem-se encontrar alguns indicadores de síntese sobre a pobreza em Portugal ao longo de 2008. Da comparação com os anos anteriores verifica-se que o número aumentou. Por exemplo, a taxa de risco de pobreza antes de transferências sociais subiu em 2008 retomando o valor registado em 2005 (41% da população). A mesma taxa após se considerarem transferências relativas a pensões também aumentou de 24% em 2007 para 25% em 2008. Apenas na situação em que se consideram todas as transferência sociais se obtem uma estabilização do número de pobres em torno dos 18%.
Ass transferências socias são cada vez mais importantes para amenizar a situação de partida contribuindo provavelmente também para a redução significativa dos índicadores de desigualdade que se vem registando de forma continuado pelo menos desde 2005 (Coeficiente de Gini; Desigualdade na distribuição de rendimentos (Rácio S80/S20) e Desigualdade na distribuição de rendimentos (Rácio S90/S10)).
Fica o destaque sobre a pobreza mas há pano para mangas na publicação de 207 páginas hoje publicada.
Nota: Este é o meu primeiro texto no Economia & Finanças. Conto não os desiludir procurando manter os níveis de rigor e de relevância que têm pautado os artigos que tenho lido por aqui. Critiquem à vontade
Ao vosso dispor,
Mapari.
Deflação desacelera em Novembro mas continua a aprofundar-se
Segundo dados do INE hoje divulgados, a taxa de variação média anual dos preços manteve-se negativa tendo descido mais um pouco face ao apurado no mês anterior. A habitual taxa de inflação (agora de deflação porque os preços estão a descer), fixou-se nos -0,8%.
As variações face ao mês anterior e face ao mesmo mês do ano anterior dão contudo um sinal de que o ritmo da descida dos preços está a abrandar. A variação face ao mês anterior foi de +0,2% e a variação homóloga do -0,6% sendo inclusive superior à variação média anual.
Relatório do INE disponível aqui.
INE revê em baixa estimativa sobre o PIB no 3º Trimestre
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Com a recepção de informação revista e de dados ainda não disponíbeis aquando da estimativa rápida, o INE reestimou a variação homóloga para a evolução do PIB ao longo do 3ª trimestre de 2009 passando do inicial 2,4% negativo para 2,5%. Face ao 2º trimestre do corrente ano o PIB cresceu 0,7% (0,9% na estimativa rápida). O cenário global mantêm-se face ao antecipado há alguns dias pelo INE na sua síntese económica mensal:
“(…) A diminuição menos intensa do PIB em termos homólogos esteve fundamentalmente associada à redução menos acentuada da procura interna, particularmente do Investimento, cujo contributo para a variação do PIB passou de -4,6 p.p. no segundo trimestre para -2,7 p.p. no seguinte. O contributo da procura externa líquida foi inferior ao verificado no trimestre anterior (0,9 p.p. e 0,2 p.p. do 2º para o 3º trimestre), tendo-se observado menores diminuições homólogas das Exportações e das Importações. (…)”
Relatório completo no sítio do INE (aqui).


