Mortos superam nascimentos: população cresce à custa dos imigrantes (act.)
O INE acaba de divulgar as estimativas para a população residente relativas a 2009, dando informação com o detalhe máximo ao nível concelhio. Esta a informação mais desagragada fornecida no período intercensitário que, recorde-se terminarã com o próximo censos a realizar daqui a menos de um ano. Segundoa estimativa agora divulgada o saldo entre mortes e nascimentos foi negativo em cerca de 5 mil individuos.
A população residente terá crescido marginalmente cerca de 10 mil individuos fixando-se nos 10 637 713, à conta de um reforço da imigração, mas note-se que os dados sobre migrações são significativamente menos fiáveis do que os relativos a nascimentos e mortos pelo que não é sequer seguro que a população tenha de facto aumentado.
Ainda o INE e o Pordata
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Na sequência de “INE: técnicos em fuga“, qual Jonathan Swift em plena crise da batata, Uma Proposta Modesta do Pedro Magalhães que leva o João Rodrigues de Arrastão. E bem. É justo. Quem quer estatísticas que as compre.
P.S.: no meus idos tempos de INE houve uns senhores que disseram em tempos que para o INE ter autonomia financeira tinha de arranjar receitas próprias. Fui ver qual era a percentagem máxima de receitas próprias no orçamento total de uns quantos INEs espalhados pelo mundo e nessa altura (inícios do século) e descobri que havia um que chegava aos 30% (Seria na Holanda? Esta memória…). Um. E era um outlier. Depois disseram que a autonomia exigia um nível de receitas próprias muito superior a 30% e o INE perdeu-a. Pelos vistos a médio prazo deu nisto, entre outras coisas:”INE: técnicos em fuga“. A culpa é do Pordata.
INE: técnicos em fuga (act.)
No Negócios hoje: “Falta de Pessoal ameaça contas do PIB“. Regresso por instantes ao E&F porque o tema me é caro.
Sai do INE há um ano e meio e fi-lo bem depois do que seria razoável se atendesse apenas à remuneração, às perspectivas de progressão de carreira (monetárias e de responsabilidade). Trabalhar com números que são informação vital para o auto-conhecimento do país, fazê-lo com a perspetiva (cada vez mais apenas teórica) de que estão balizadas por uma instituição independente do poder político e fazê-lo junto de colegas que, apesar das tradicionais capelinhas, conseguiam ter um inacreditável empenho e dedicação à causa (tantas vezes em genuíno espírito de missão), ajudaram sobremaneira a adiar, ano após ano, a saída.
Hoje, olho para o INE, e (talvez) com a excepção de raros amigos e colegas que conseguiram chegar a posições de chefia, anda tudo a disparar currículos. Mesmo com o mercado como está, o INE vai sangrando para o privado, para outros departamentos do Estado com perspetivas mais decentes e para as mais diversas instituições internacionais. Cada um poderá ter as suas razões, e terá, mas há também aspectos comuns muito evidentes que estão a gerar um problema muito complicado que poderá generalizar-se a muitos departamentos do aparelho do Estado.
O INE desde 1989 (ano de grande reforma em que instituiu o regime de contrato individual de trabalho e se desligou formalmente da função pública) tem sido cobaia para muito experimentalismo, quase sempre testando a degradação ou constrangimento seguinte do que é trabalhar para o Estado: o congelamento de salários, o congelamento de entradas, o congelamento de carreiras, o vínculo precário nas novas contratações, todas as asneiras iniciais do SIADAP… Tudo isto o INE fez primeiro e com maior empenho, como bom aluno.
Estatísticas sobre Portugal é no Pordata (muito melhor que o INE!)
O título é provocação mas o que é certo é que foram vários ex-colegas do INE que me enviaram nos últimos dias a referência ao Pordata como um exemplo a seguir na disponibilização da informação estatística sobre Portugal. Até séries cronológicas tem!
O tema foi desenvolvido um pouco mais no “Onde Estão os Números?” em ”Pordata – Base de Dados sobre Portugal Contemporâneo“.
Quem tem ido para o desemprego?
Um parágrafo do destaque de ontem do INE (Inquérito ao Emprego – 4º Trimestre de 2009) que apurou uma taxa de desemprego de 10,1% no 4ª trimestre de 2009 face a igual período de 2008:
“O aumento trimestral da população desempregada ocorreu essencialmente nos seguintes grupos populacionais: homens, indivíduos 15 aos 24 anos e dos 35 aos 44 anos, indivíduos com nível de escolaridade completo, no máximo, até ao ensino básico (3º ciclo), indivíduos à procura de novo emprego provenientes do sector da indústria, construção, energia e água e indivíduos desempregados à procura de emprego há um ano ou mais.”
Inflação – Janeiro de 2010
Pegando na lupa é possível detectar uma subida de 0,1% no índice de preços no consumidor quando comparado com o mesmo mês de 2009, aliás, se retirarmos das contas as alfaces do Oeste e os combustíveis lá temos ainda valores negativos inquestionáveis: os preços desceram 0,6% face ao período homólogo.
A taxa de inflação propriamente dita manteve-se nos -0,8%, mais um mês de deflação portanto. Ainda é cedo para afinar desde já as previsões para a inflação no final de 2010 (recorde-as aqui: “Previsão da Taxa de Inflação para 2010“) que andam, para já, em torno dos 0,7% mas positivos.
Relatório completo sobre a Inflação em Janeiro nesta ligação do sítio do INE.
Previsão da Taxa de Inflação para 2010
Arquivado em: Dinheiros, Economia Nacional, Números Estatística
Com o conhecimento dos dados definitivos da inflação de 2009 (os preços desceram 0,8% em 2009 conforme informou hoje o INE), as previsões para o valor da taxa de inflação em Portugal em 2010 ganham um pouco mais de precisão ainda que se mantenha um exercício difícil.
O Banco de Portugal que divulgou recentemente o seu Boletim Económico de Inverno avançou com uma revisão para este valor prevendo agora que os preços subam ligeiramente em 2010, mais concretamente, prevê uma taxa de inflação de 0,7% (1,6% em 2011).
Em Novembro de 2009, a Comissão Europeia, havia previsto uma subida de 1,3% para o Índice Harmonizado de Preços nos Consumidores, um indicador marginalmente diferente da comum taxa de inflação (ver “Previsões Económicas da Comissão Europeia 2009 a 2011“). Qual o nosso palpite? Vale o que vale, mas apontaria para um valor entre os dois, sublinhando que, em bom rigor, este é um exercício de elevado risco.
P.S.: Já agora tem curiosidade em conhecer a evolução da Taxa de Inflação em Portugal desde 1977 até hoje? Então passe por aqui: “Taxa de Inflação em Portugal: 1977 – 2009“.
