INE confirma que gerir bem é fundamental para o sucesso económico

Num inquérito inédito realizado a cerca de 4.000 empresas em Portugal, o INE confirma que gerir bem é fundamental para o sucesso das empresas. Na expressão mais neutra do INE a ilação associa as práticas de gestão e desempenho económico. Esta é a principal conclusão do Inquérito às Práticas de Gestão, um novo inquérito que o INE procurará repetir a cada três anos e que recolhe informação sobre três grandes vetores, junto da administração de topo das principais empresas constituídas sobre a forma de sociedades:

A – Caracterização da empresa;

B – Práticas de gestão da empresa e

C – Informação sobre o membro da gestão de topo responsável pela informação.

Esta primeira versão do inquérito teve trabalho de campo nos meses de junho a agosto de 2017 e pediu aos inquiridos um esforço de recuperarem a história da empresa em 2016 quanto às perguntas efetuadas no inquérito.

A análise do INE oferece ventilação por Idade da empresa, Pertença a um grupo económico, Dimensão da empresa e Atividade económica.

 

Práticas de gestão e desempenho económico

 

Com base numa média simples (gscore) de cerca de 20 das mais de 50 variáveis inquiridas, o INE  – seguindo metodologia desenvolvida pelo Bureau of Census dos EUA – construiu um índice que classifica cada empresa de acordo com as práticas de gestão mais e menos estruturada. As empresas são depois ordenados pelo seu respetivo valor de índice e esta informação é incluída num modelo econométrico (regressão linear) “em que a variável dependente considerada foi o (logaritmo natural do) Valor Acrescentado Bruto por trabalhador de cada empresa, tomado como indicador de desempenho económico, e entre os regressores foi incluído o gscore”. É por esta via que a relação entre as práticas de gestão e o desempenho económico é testado e foi com base nos resultados que o INE fez a afirmação que intitula o seu destaque ao país sobre este inquérito “Práticas de gestão contam significativamente para o desempenho económico das empresas”.

Sendo a principal conclusão previsível não deixa de ser relevante vê-la suportada empiricamente e, acima de tudo, vê-la assumir sentidos diferentes quando a análise é mais refinada pelas variáveis que caracterizam as empresas e a atividade económica em que se inserem.

Práticas de gestão e desempenho económico;
Fonte do gráfico: INE

Eis algumas das conclusões chave e dados concretos a que o INE chegou tendo por base a análise feita

  • 85,1% das sociedades tinham mais de 5 anos de idade em 2016;
  • Em 2016 as decisões de gestão foram tomadas, na sua maioria, na própria empresa (por oposição ao grupo económico em que muitas se inserem);
  • Em 2016 mais de 50% do total de sociedades eram detidas pelos fundadores ou seus familiares;
  • A maioria dos gestores de topo (61%) detinha grau de licenciatura (82,9% nas grandes empresas e 43,7% nas micro empresas);
  • Cerca de 70% dos gestores de topo das sociedades exercia essa função em regime de exclusividade (mas essa percentagem era de 60,6% nas micro empresas);
  • Um gestor de topo caracterizava-se por tomar decisões e assumir as responsabilidades e, em geral, as decisões de gestão eram tomadas de forma participativa;
  • Em 4,0% do total das sociedades não existiram objetivos;
  • Para mais de 62% das sociedades o calendário dos objetivos estabelecidos para o principal bem e/ou serviço produzido
    resultou de uma combinação de curto e longo prazo;
  • Cerca de 61% das sociedades avaliaram os objetivos estabelecidos para 2016 como moderadamente ambiciosos;
  • Cerca de 15% das sociedades referiram não ter monitorizado nenhum indicador chave de desempenho em 2016;
  • A avaliação mensal dos indicadores chave de desempenho foi a mais escolhida pelas sociedades, tendo
    sido mais evidente entre as pessoas ao serviço com funções de gestão de topo;
  • Cerca de 12% das sociedades apostou em programas de formação dos novos colaboradores em 2016, sendo que nas micro empresas predominou o desenrascanço ou, na expressão mais formal usada pelo INE, no “Incentivo à autonomia dos trabalhadores”;
  • Cerca de 45% das sociedades atribuíram prémios de desempenho em 2016 sendo a sua prevalência maior nas empresas mais antigas e integradas em grupos económicos;
  • Em cerca de 56% das sociedades, as pessoas ao serviço sem funções de gestão foram promovidas.

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