Novidades nas taxas de juro dos Certificados de Aforro

O experimentalismo num instrumento de captação de poupança de longo prazo continua, desta vez respondendo ao status quo que aqui apresentámos há dois dias em “Certificados de Aforro com taxa líquida abaixo da inflação esperada“, e que era claramente desfavorável e desmotivador para aplicar dinheiro neste produto. Hoje, o Governo recua face à alteração efectuada há cerca de 13 meses (ver “Os certificados de aforro acabaram (morreram por falta de interesse) – actualizado“) e volta a colocar os Certificados de Aforro no mercado das opções interessante. Eis as alterações conhecidas:

À cabeça as novas subscrições sobem 0,5 pontos percentuais. Ou seja, a taxa de juro aplicável continua a ser de

0,85*E3-0,25 mas agora adicionada de 0,5 ficando:

0,85*E3+0,25

em que E3 é a média dos valores da Euribor a três meses observados nos dez dias úteis anteriores, sendo o resultado arredondado à terceira casa decimal (Fonte: IGCP)

Por outro lado, o prémio de fidelidade ou de permanência é reforçado em 0,25 pontos percentuais do 2º ao 8º ano de antiguidade.

Os novos prémios brutos serão assim de (pontos percentuais):

0,50, no 2.º ano
0,75, no 3.º ano
1, do 4.º ao 7.º ano
1,25, no 8.º ano
1,5, no 9.º ano
2,5, no 10.º ano

Finalmente, o montante máximo de subscrição sobe de 100.000€ para 250.000€ (Fonte: Jornal de Negócios). Ou seja, tudo o que foi dito no ano passado, todo o processo de diabolização dos Certificados de Aforro enquanto aplicações para ricos foi enfiado na gaveta, ao ponto de agora mais do que se duplicar o limite máximo de subscrição para cada pessoa sob o bizarro pretexto de se estar a responder à subida do montante garantido pelo Fundo de Garantia de Depósitos que, como sabemos subiu de 25000€ para 100000€ há alguns meses.

As mudanças parecem ir no bom sentido e creio que defendem o melhor interesse do Estado, perdeu-se foi uma boa oportunidade para ficar quieto há cerca de um ano. Entre o que então se fez e o que agora de emendou tivemos duas alterações que por si só não abonam nada em favor de uma das características e vantagens históricas desta forma de captação de poupança e de financiamento da dívida pública que é, precisamente, a sua estabilidade contratual e, consequentemente, a sua simplicidade e maior apelo a todo o tipo de aforradores independentemente do respectivo grau de instrução. Será que daqui a 12 meses tudo mudará de novo? E será que voltaremos a ter efeitos retroactivos sobre o que foi contratualizado conforme sucedeu há um ano? Algum dia as taxas hoje prometidas para quem faça hoje o aforro e o mantenha durante 10 anos serão efectivamente pagas?

Esperemos que a volatilidade normativa volte a estabilizar, mas a dúvida é legítima. Nem sempre uma emenda consegue corrigir inteiramente um erro.

Estas alterações entram em vigor para subscrições iniciadas em 1 de Março de 2009 e serão aplicadas aos restantes certificados da série C no momento da actualização das respectivas taxas. A taxa de juro aplicável às subscrições feitas em Março será de 1,874%.

ADENDA: Como remedeio adicional o Governo veio anunciar que a remuneração dos Certificados da Série C “não poderá ser alterada num sentido desfavorável ao aforrador“. Muito bem, sucede que essa era já a expectativa dos investidores da série A e B, expectativa que veio a sair gorada. As condições da série A e B não sofrem alteração com esta mudança.

E o pior cartão de crédito do mercado é…

Não, não temos uma academia de especialista em cartões de crédito para atribuírem o “óscar” ao melhor e ao pior, mas temos olhos para perceber quando, em regra, vemos um negócio duvidoso para o cliente bancário. Não passa de uma opinião: cá vai

Hoje deparei com uma nova oferta do Santader-Totta que inunda boa parte dos Mupis (Mobiliário Urbano para Informação) da cidade de Lisboa e de tão chocante a política comercial implícita decidi-me à crítica. Falo do Cartão de Crédito 5%. O que li no painel publicitário e vi na net é todo um programa que merece reflexão.

Por um lado, cativa-se o cliente com a oferta de um desconto de 5%: devolve-se mensalmente 5% sobre o valor das compras via abatimento ao montante em dívida junto do cartão. Se não houver montante em dívida? Isso é uma impossibilidade, é que, por outro, só se atribui o desconto SE o cliente fraccionar o pagamento do crédito em 12 meses a uma módica taxa de juro ultrapassa os 23% ao ano- eis as letras pequeninas conforme se pode ler na net e no cartaz: TAEG 23,23%; Exemplo para uma utilização de crédito no valor de 2.500€, com prazo de reembolso de 12 meses e TAN de 19,8%.”

Finalmente, e esta é a cereja que me levou a escrever o texto que lêem: penaliza-se com uma comissão 3% sobre o montante em dívida qualquer tentativa de amortização antecipada da dívida que seja superior a 50% do montante em dívida, concretamente: “O pagamento mensal superior a 50% do saldo em dívida está sujeito a uma comissão de 3% sobre o valor amortizado antecipadamente.”

Leia Mais

Biocombustíveis: alteração legislativa

Acabou de ser divulgado o novo enquadramento para a incorporação de biocombustíveis:

“O presente decreto-lei estabelece mecanismos de promoção de biocombustíveis nos transportes rodoviários definindo e regulando quotas mínimas de incorporação obrigatória de biocombustíveis em gasóleo, bem como os procedimentos aplicáveis à sua monitorização e controlo.”

Trata-se do Decreto-Lei 49/2009 disponível aqui.

IRS: Número de Contribuinte da AMI, Liga Portuguesa Contra o Cancro, Banco Alimentar contra Fome, entre outros

Via “Melhor é Possível” – o Blogue do MEP, eis os números de contribuinte da algumas IPSS a quem poderá doar 0,5% do seu IRS e ainda uma proposta de alteração fiscal.

“(…) Neste momento em que as famílias portuguesas iniciam o preenchimento dos impressos do IRS referentes ao ano de 2008, deixo aqui algumas instituições que podem ser apoiadas com uma parte do IRS de cada um.
Este contributo não depende de mais um esforço de cada contribuinte mas sim do Estado em transferir uma percentagem do que recebe do IRS para as diferentes instituições.
As instituições que recebem são as que cada contribuinte identifica. Nas declarações em que não seja referida nenhuma instituição esse valor fica disponível para o estado o utilizar onde bem entender.
Actualmente o valor do contributo definido pelo governo é de 0,5% do IRS de cada contribuinte, valor que
o MEP propõe que passe para 1% para que esta seja uma forma concreta da sociedade apoiar o bom trabalho realizado pelas diferentes instituições.
Para contribuir só precisa de preencher no Anexo H, quadro 9, campo 901 (Instituições Particulares de Solidariedade Social ou Pessoas Colectivas de Utilidade Pública) com o Nº de contribuinte correspondente.
Liga Portuguesa Contra o Cancro – NIF = 500 967 768
AMI – NIF = 502 744 910
Banco Alimentar contra a Fome – NIF = 504 335 642
Microcrédito (ANDC) – NIF = 504 496 140 (…)”

Algumas das instituições que cada um pode escolher para receber o seu apoio:

Certificados de Aforro com taxa líquida abaixo da inflação esperada

ADENDA: As condições dos Certificados de Aforro mudaram a 1 de Março de 2009, leia aqui o que mudou: “Novidades nas taxas de juro dos Certificados de Aforro

Já há largos meses que não refiro por aqui os certificados de aforro (provavelmente desde que os passei a achar amáveis mas sem interesse nenhum).

Em Março, assinalo contudo o marco “histórico” de passarem a remunerar abaixo da taxa de inflação esperada para 2009. Com uma taxa de juro líquida para o trimestre começado em Março de 1,099%, só num cenário de fortíssima contração de preços (que não é impossível), aforrar em certificados garantirá conseguir comprar no final do ano o mesmo que se conseguia comprar quando se lá colocou o dinheiro.

Um depósito a prazo no Banco Popular, no Banif e na generalidade dos bancos a actuar em Portugal será sempre mais interessante do que ajudar a sustentar directamente a dívida pública. Continuo sem perceber a racionalidade do tratamento que o actual governo votou a este instrumento. Um instrumento de captação de poupança para o Estado que este Governo chegou a apelidar de ser para ricos. Não consigo acreditar que seja inviável desenhar certificados de aforro altamente concorrenciais no mercado sem que com isso o Estado esteja a subsidiar os micro aforradores- uma das justificações para a mudança que ocorreu nos certificados há alguns meses. Entre o que havia antes e o que temos hoje é uma enorme diferença, pelo meio muito se poderia fazer certamente.

Entretanto, as instituições financeiras agradecem e o contribuinte lá pagará a devida factura em devido tempo.

Zon, Clix, MEO: menos 20% na factura; de novo em busca do melhor negócio

23/02/2009 por RCB · 5 comentários
Arquivado em: Consumo e Produtos, Dinheiros, Mercados, Sociedade 

Em dois dias reduzi a factura em cerca 20% (aproximadamente 15€). Faz agora cerca de um ano que renegociei os meus contractos com os operadores de telecomunicações com que lidava, a Clix e a Zon. Do processo, se bem se lembram, resultaram poupanças nada negligenciáveis, eis os artigos de então:

Em 12 meses o mercado mudou substancialmente e eu, como muitos outro portugueses – “Internet móvel cresce 73% num ano” – juntei a banda larga móvel aos serviços contratados. Entretanto, apareceu um “novo” actor: a PT lançou o MEO com uma oferta fortemente concorrencial.

Espreitei as alternativas disponíveis na minha área de residência e negociei de novo com cada operador, desta feita disponível para concentrar os serviços apenas num deles caso fosse mais vantajoso. A promoção que me haviam conferido na Zon terminára e após contacto telefónico ouvi do outro lado alguma rudeza e a recusa em manter o preçário “promocional” ainda que este seja hoje compatível com o vigente e ainda que a reposição do meu tarifário anterior (o de há 12 meses) me colocasse a pagar um valor que não é exigido a nenhum cliente nos dias de hoje. Juntei a isto o facto de que a Zon (ainda) não oferecer banda larga móvel e conferi a restante oferta, com predilecção para o Clix dada a relação comercial já existente. Para meu espanto é difícil comprar um serviço integrado na Clix uma vez que cada produto (TV e Internet) têm “canais” de venda separados. Foi assim necessário falar com mais que um comercial até que na área de facturação lá consegui finalmente negociar o pacote completo, apreentando para confronto a melhor oferta conhecida da Zon e do MEO. Na realidade a oferta da Clix só se tornou interessante quando ameacei sair do serviço pois, de facto, o serviço na Zon e da MEO ficaria mais barato. Ofereceram-me um desconto de 10% na factura total durante 12 meses, o tempo de fidelização. Fiquei satisfeito e liguei de imediato para a Zon para concelar o contrato.

Tal como no ano passado e tal como me acontecera já na Clix, a ameaça de concelamento levou-me a um outro departamento de atendimento ao cliente que também de imediato se pôs do meu lado a falar dos malvados da mesma Zon que no dia anterior me tinham mandado “bugiar”. Em dois minutos igualaram a oferta da Clix, ou quase. O facto de ainda não terem internet móvel e de esta vir a assentar na plataforma tecnológica da Vodafone, que tem uma qualidade inferior nas zonas do interior do país que mais me interessam, levaram-me a reforçar a ligação com a Clix. E assim encurtei muito substancialmente (mais de 20%) a factura global de serviços de comunicações.

Se não houver sobressaltos com o serviço, terei feito um excelente negócio descendo a factura, melhorando o pacote de internet (24MB) e de telefone (chamadas ilimitadas na rede fixa) e degradando ligeiramente a oferta de Televisão (um ou dois canais que seguia esporadicamente não estão na Clix SmartTV).

Fica a dica a quem possa interessar. Neste momento, parece-me claramente vantajoso ter apenas um prestador de serviços de telecomunicações. E parece-me de todo recomendável, daqui a 12 meses voltar a olhar para o mercado e procurar a melhor relação de qualidade/preço. Ser fiel a uma operador, se as técnicas comerciais existentes se mantiverem, é a pior opção para o consumidor final.

Economia informal: como enquadrar sem desvirtuar?

” (…) Acresce que hoje a economia informal não diz respeito só aos muito pobres e às actividades consideradas menos nobres. O novo panorama tecnológico tem conduzido à criação de inúmeras micro-empresas-informais e imensas operações marginais, em muitos casos operando no universo virtual da Internet e escapando a qualquer lógica convencional. A quantidade impressionante de comércios e serviços prestados na net vai gerando uma verdadeira economia paralela, também no sentido do “em paralelo”, a qual não se coaduna com a restritiva organização económica das sociedades e os velhos modelos do formalismo empresarial.

Neste sentido é preciso começar a encarar a chamada economia informal com um olhar menos “criminalista” e perceber que estamos a assistir a mudanças significativas também nos modelos económicos e na forma como as vidas se organizam para garantir subsistência, prazer no trabalho e maior bem-estar. Até porque, formal ou informal, o que importa numa economia dinâmica é que o dinheiro circule.”

De Leonel Moura, no Jornal de Negócios.

Sem hipocrisias e falsos moralismos, já era tempo de se reabrir a discussão em torno da fiscalidade/criminalização nestas matérias. Uma última nota: bem haja ao “anacronismo” da couve e do chouriço. Aí acho que Leonel Moura persiste em estar arreigado a velhos preconceitos anti-ruralistas. Saber amanhar a terra é integralmente compatível com a evolução civilizacional e não deve envergonhar nenhum urbano. É um dos meus objectivos de vida, muito à frente de saber plantar e cuidar de flores de jarra.

Página seguinte »