Decrescei e unificai-vos: mais mortos que nados vivos
O INE acabou de divulgar as estimativas demográficas da população com dados relativos ao último ano completo. Em 2007, os óbitos superaram os nascimentos (saldo natural negativo). Fica a singularidade de este fenómeno se repetir 90 anos depois, mas por razões bem diversas: antes um excesso de morte provocado pela gripe espanhola, hoje a influência do fílho único. Mais que um só quase em banda desenhada ou em bonecos.
O relatório e os dados de base estão no sítio do costume.
A conjuntura qualitativa dá sinais mistos
Sinais mistos…
“O indicador de clima económico diminuiu ligeiramente em Maio, depois de ter registado uma ténue recuperação nos dois meses anteriores. No mês de referência, o comportamento observado nos sectores foi heterogéneo, registando-se uma deterioração nos indicadores de confiança da Indústria Transformadora e do Comércio e uma recuperação nos da Construção e Obras Públicas e dos Serviços.
Em Maio, o indicador de confiança dos Consumidores diminuiu relativamente ao mês anterior, reflectindo sobretudo expectativas mais pessimistas sobre a evolução económica do país e financeira das famílias.”
In INE.
Eis uma das maiores argoladas recentes do Eurostat relativas a Portugal (revisto)
Recomendo a leitura da nota informativa que o INE acabou de divulgar: “Nota Informativa: Relatório da UE – Situação Social da União Europeia 2007“.
É claro que se esta informação tivesse tido a nível interno outro tipo de projecção mediática, no seu devido tempo, provavelmente os danos, também mediáticos, do sempre inevitável erro alheio associado a estes relatórios internacionais poderiam ter sido menores. Ou talvez não – a minha confiança na capacidade interpretativa e na memória da imprensa não é assim tão grande.
A este propósito recomendo a leitura da publicação: Indicadores Sociais – 2006, a mais recente disponibilizada pelo INE que não tendo precisamente o enfoque assente na medição da desigualdade da distribuição da riqueza/rendimento tem alguma informação sobre o tema onde se pode constar a discrepância quanto ao indicador S80/S20 face ao divulgado pelo Eurostat (consulte-se a página 103). Nesse relatório encontra-se informação extremamente útil para quem procura conhecer melhor a realidade social do país com informação mais recente (dados de 2006).
P.S: Já tínhamos dado conta desta informação na data da sua difusão em Janeiro de 2008. Os quadros estatísticos (Excel) da publicação são também divulgados gratuitamente aqui.
BCE afirma que poderá ter de aumentar as taxas de juro
Arquivado em: Dinheiros, Instituições Financ., Regulação Económica
Ontem foram notícia as declarações de um dos administradores do BCE onde afirmava que não estava colocada de lado a hipótese de o Banco proceder a uma revisão em alta das suas taxas de juro de referência. Hoje constato que a Euribor a um ano já ultrapassou os 5%, mais concretamente, 5,05%.
Parece-me que o mercado interbancário está a tratar deste assunto pelo BCE.
Majoração ao montante do abono de família para crianças e jovens, no âmbito das famílias monoparentais
Acabou de ser publicado em Diário da República o Decreto-Lei n.º 87/2008 que
“Altera o Decreto-Lei n.º 176/2003, de 2 de Agosto, introduzindo uma majoração ao montante do abono de família para crianças e jovens, no âmbito das famílias monoparentais”.
Podem consultá-lo aqui.
Depósitos a prazo: ponha o dinheiro a mexer e multiplique o rendimento
Arquivado em: Dinheiros, Instituições Financ., Política Económica, Política Fiscal
“The deposit business is largely built on the laziness of customers who keep their money in accounts no matter what the rate.”
in The Economist, “The battle for deposits – Your bank needs you“.
Traduzindo a frase livremente, o que ela indica é que o negócio em torno dos depósitos a prazo tem na preguiça ou imobilismo dos aforradores um dos seus pilares chave para assegurar a rentabilidade para o banco. Num cenário onde a recolha de fundos (depósitos a prazo) junto dos aforradores passou a ser encarada pelos bancos como um excelente caminho para financiar a sua actividade (compôr os rácios de solvabilidade, etc) estes desdobram-se em tácticas para captar novos fundos lidando também com aforradores que estão cada vez mais atentos à discriminação de taxas de juros que está a ser praticada. E você é dos que deixa o dinheirinho a preguiçar? Não fica incomodado que um novo cliente consiga em regra obter um juro muito melhor do que o que lhe é oferecido a si?
Se é fluente em inglês recomendo vivamente a leitura do artigo. Tentarei regressar ao assunto pegando por exemplo no caso da CGD: o cliente Caixa Azul.
O “automatismo” fiscal do IMI e as rasteiras da história
Arquivado em: Consumo e Produtos, Dinheiros, Legislação, Política Fiscal

Pois é, o valor das habitações está em queda contrariando a história recente no país. História essa que foi usada como referência para desenhar o IMI (Imposto Municipal sobre Imóveis) estando agora a evidenciar-se que o caminho de valorização sucessiva implícita nos coeficientes e parâmetros algo abstractos (e raras vezes sujeitos a confirmação in loco) do dito cujo estão a descolar da realidade. O país empobrece, a recolha fiscal sobre a riqueza deveria acompanhar esse ciclo.
As queixas começam a surgir.
“(…) Os valores de 2003 do IMT foram definidos ‘no pressuposto da valorização progressiva das propriedades, mas desde há dois anos que os preços se têm vindo a depreciar’, sublinha António Frias Marques, da Associação Nacional de Proprietários. Nesse sentido, a associação defende ‘uma revisão que ajuste estes valores à realidade’. Tal como os do IMI, que têm ‘registado aumentos brutais’. (…)”
In Correio da Manhã.
