Decrescei e unificai-vos: mais mortos que nados vivos

29 May, 2008 por RCB · 3 comentários
Arquivado em: Mercados, Números Estatística, Sociedade 

A miragem familiarO INE acabou de divulgar as estimativas demográficas da população com dados relativos ao último ano completo. Em 2007, os óbitos superaram os nascimentos (saldo natural negativo). Fica a singularidade de este fenómeno se repetir 90 anos depois, mas por razões bem diversas: antes um excesso de morte provocado pela gripe espanhola, hoje a influência do fílho único. Mais que um só quase em banda desenhada ou em bonecos.
O relatório e os dados de base estão no sítio do costume.

A conjuntura qualitativa dá sinais mistos

29 May, 2008 por RCB · Deixe um comentário
Arquivado em: Economia Nacional, Números Estatística 

Sinais mistos…

“O indicador de clima económico diminuiu ligeiramente em Maio, depois de ter registado uma ténue recuperação nos dois meses anteriores. No mês de referência, o comportamento observado nos sectores foi heterogéneo, registando-se uma deterioração nos indicadores de confiança da Indústria Transformadora e do Comércio e uma recuperação nos da Construção e Obras Públicas e dos Serviços.
Em Maio, o indicador de confiança dos Consumidores diminuiu relativamente ao mês anterior, reflectindo sobretudo expectativas mais pessimistas sobre a evolução económica do país e financeira das famílias.”

In INE.

Eis uma das maiores argoladas recentes do Eurostat relativas a Portugal (revisto)

28 May, 2008 por RCB · Deixe um comentário
Arquivado em: Números Estatística, Pobreza / Riqueza 

Recomendo a leitura da nota informativa que o INE acabou de divulgar: “Nota Informativa: Relatório da UE – Situação Social da União Europeia 2007“.

EurostatÉ claro que se esta informação tivesse tido a nível interno outro tipo de projecção mediática, no seu devido tempo, provavelmente os danos, também mediáticos, do sempre inevitável erro alheio associado a estes relatórios internacionais poderiam ter sido menores. Ou talvez não – a minha confiança na capacidade interpretativa e na memória da imprensa não é assim tão grande.

A este propósito recomendo a leitura da publicação: Indicadores Sociais – 2006, a mais recente disponibilizada pelo INE que não tendo precisamente o enfoque assente na medição da desigualdade da distribuição da riqueza/rendimento tem alguma informação sobre o tema onde se pode constar a discrepância quanto ao indicador S80/S20 face ao divulgado pelo Eurostat (consulte-se a página 103). Nesse relatório encontra-se informação extremamente útil para quem procura conhecer melhor a realidade social do país com informação mais recente (dados de 2006).

P.S: Já tínhamos dado conta desta informação na data da sua difusão em Janeiro de 2008. Os quadros estatísticos (Excel) da publicação são também divulgados gratuitamente aqui.

BCE afirma que poderá ter de aumentar as taxas de juro

Ontem foram notícia as declarações de um dos administradores do BCE onde afirmava que não estava colocada de lado a hipótese de o Banco proceder a uma revisão em alta das suas taxas de juro de referência. Hoje constato que a Euribor a um ano já ultrapassou os 5%, mais concretamente, 5,05%.

Parece-me que o mercado interbancário está a tratar deste assunto pelo BCE.

Majoração ao montante do abono de família para crianças e jovens, no âmbito das famílias monoparentais

28 May, 2008 por RCB · 32 comentários
Arquivado em: Dinheiros, Segurança Social, Sociedade 

Acabou de ser publicado em Diário da República o Decreto-Lei n.º 87/2008 que

“Altera o Decreto-Lei n.º 176/2003, de 2 de Agosto, introduzindo uma majoração ao montante do abono de família para crianças e jovens, no âmbito das famílias monoparentais”.

Podem consultá-lo aqui.

Depósitos a prazo: ponha o dinheiro a mexer e multiplique o rendimento

“The deposit business is largely built on the laziness of customers who keep their money in accounts no matter what the rate.”

in The Economist, “The battle for deposits – Your bank needs you“.

Traduzindo a frase livremente, o que ela indica é que o negócio em torno dos depósitos a prazo tem na preguiça ou imobilismo dos aforradores um dos seus pilares chave para assegurar a rentabilidade para o banco. Num cenário onde a recolha de fundos (depósitos a prazo) junto dos aforradores passou a ser encarada pelos bancos como um excelente caminho para financiar a sua actividade (compôr os rácios de solvabilidade, etc) estes desdobram-se em tácticas para captar novos fundos lidando também com aforradores que estão cada vez mais atentos à discriminação de taxas de juros que está a ser praticada. E você é dos que deixa o dinheirinho a preguiçar? Não fica incomodado que um novo cliente consiga em regra obter um juro muito melhor do que o que lhe é oferecido a si?
Se é fluente em inglês recomendo vivamente a leitura do artigo. Tentarei regressar ao assunto pegando por exemplo no caso da CGD: o cliente Caixa Azul.

O “automatismo” fiscal do IMI e as rasteiras da história


Pois é, o valor das habitações está em queda contrariando a história recente no país. História essa que foi usada como referência para desenhar o IMI (Imposto Municipal sobre Imóveis) estando agora a evidenciar-se que o caminho de valorização sucessiva implícita nos coeficientes e parâmetros algo abstractos (e raras vezes sujeitos a confirmação in loco) do dito cujo estão a descolar da realidade. O país empobrece, a recolha fiscal sobre a riqueza deveria acompanhar esse ciclo.

As queixas começam a surgir.

“(…) Os valores de 2003 do IMT foram definidos ‘no pressuposto da valorização progressiva das propriedades, mas desde há dois anos que os preços se têm vindo a depreciar’, sublinha António Frias Marques, da Associação Nacional de Proprietários. Nesse sentido, a associação defende ‘uma revisão que ajuste estes valores à realidade’. Tal como os do IMI, que têm ‘registado aumentos brutais’. (…)”

In Correio da Manhã.

Quando há menos um dia útil o PIB sobe ou desce?

22 May, 2008 por RCB · 3 comentários
Arquivado em: Contas Nacionais, Números Estatística 

A resposta mais sincera é “Depende”.
Se estivermos num país onde predominam actividades produtivas como a construção ou a produção industrial ou mesmo algum tipo de serviços, é natural que um dia de descanso a mais acabe por traduzir-se numa redução do Produto Interno Bruto face ao período com que este é comparado.

Se estivermos num país muito aberto ao exterior, onde o turísmo é uma actividade muito relevante para a economia, poderá suceder o oposto.
BCE -Frankfurt O ano passado um colega Austríaco, num grupo de trabalho patrocinado pelo Eurostat e pelo BCE em que participei (lembram-se da fotografia que aqui deixei?) sublinhava precisamente o efeito “escapadinhas”: sempre que havia uma conjugação favorável de fins-de-semana prolongados no país ou mesmo apenas em alguns dos países vizinhos, num mesmo trimestre, era garantido que se identificaria um efeito positivo muito significativo sobre o PIB patrocinado pelo turismo e pelo incremento do consumo privado.

Com o comércio externo o efeito também dependerá da realidade específica do país. Num contexto de défice comercial em que as exportações estão a desacelerar e as importações a acelerar, menos um dia de actividade também pode acabar por ser menos penalizador para a evolução do PIB no período.
É por isso que, apesar do INE ainda não estimar de facto os efeitos de calendário sobre as séries que divulga (procede apenas à correcção de sazonalidade), se recomenda alguma cautela quando estamos tentados a ver o “nosso lado da questão” deitando fora, de caminho, o menino com a água do banho.

É também por isso que é fundamental que o INE não alinhe por nenhum lado e que seja cada vez mais um centro de competência. E que tal reforçarmos as garantias para que isso continue a acontecer?

Em resposta ao João Pinto e Castro, ao João Caetano e à Câmara Corporativa.

Investimento e Exportações provocam desaceleração do PIB

Na Síntese Económica de Conjuntura (publicação mensal) o INE antecipa hoje algum do detalhe que esteve por trás da estimativa rápida para o PIB no 1º trimestre. Os “culpados” terão sido mais o investimento e as exportações do que o consumo privado e, claro, o Tiui, esse heroi improvável que nestas contas se chama “efeitos de calendário”. Espreitemos um excerto da publicação do INE:

(…) No plano interno, a estimativa rápida para o PIB aponta para um crescimento homólogo de 0,9% no 1º trimestre, menos 0,9 p.p. do que no trimestre anterior. Este abrandamento estará relacionado com o menor dinamismo da procura interna, particularmente do investimento, e reflectirá também efeitos de calendário significativos (mais 3 dias úteis no 4º trimestre de 2007 e menos um dia útil no 1º trimestre de 2008, face aos trimestres homólogos). O crescimento do consumo privado terá estabilizado no 1º trimestre, em resultado da aceleração do consumo corrente e do abrandamento do duradouro. O indicador de investimento sugere um forte abrandamento, que terá resultado sobretudo da componente de construção. Relativamente ao comércio internacional, registou-se, em termos nominais, um abrandamento de ambos os fluxos, mais intenso no caso das exportações (de 0,8 p.p. para 11,2% nas importações e de 1,2 p.p. para 4,6% nas exportações). Dada a forte aceleração dos preços do petróleo, o abrandamento das importações em volume terá sido mais expressivo do que o registado em termos nominais. Os indicadores do lado da oferta, como os índices de volume de negócios e de produção, apresentaram variações homólogas mais baixas no 1º trimestre de 2008 face ao 4º trimestre de 2007. Este andamento justifica-se principalmente pelas fortes diminuições ocorridas nas variações homólogas em Março, o que estará associado em parte a efeitos de calendário (mais um dia útil em Fevereiro e menos 2 dias em Março comparativamente aos meses homólogos de 2007). Refira-se a excepção do volume de negócios do comércio a retalho, cuja aceleração se deverá em parte ao facto de, em 2008, a Páscoa ter ocorrido em Março (em Abril em 2007). (…)”

Faltam nove dias para terminar prazo de entrega do IRS – 2ª fase

16 May, 2008 por RCB · 4 comentários
Arquivado em: Dinheiros, Política Económica, Política Fiscal 

IRS 2007/2008A informação já consta nos arquivos aqui no Economia & Finanças mas como as perguntas se sucedem volta por instantes à primeira linha: o prazo de entrega da 2ª fase do IRS relativo a rendimentos de 2007 termina Domingo dia 25 de Maio. Depois dessa data poderá continuar a entregar o IRS, recebendo como “bónus” o direito e dever de pagar uma multa.
A quem procura um simulador para apurar o reembolso ou o valor a pagar, recomendo vivamente a utilização do que está embutido na aplicação de entrega do IRS das próprias finanças.
Não se espera que os eventuais reembolsos se iniciem antes de finais de Junho.

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