Confiança deteriora-se em Janeiro
Arquivado em: Economia Nacional, Números Estatística
O INE informa:
“(…) O indicador de clima económico agravou-se nos dois últimos meses, registando o valor mais baixo desde Março. O indicador de confiança dos Consumidores intensificou o movimento descendente observado desde Novembro e 2006, atingindo o mínimo desde Setembro de 2005.
No Comércio, o indicador de confiança deteriorou-se em Janeiro, contrariando o movimento ascendente iniciado em Setembro. Este andamento foi determinado pelo agravamento observado no Comércio por Grosso, uma vez que no Comércio a Retalho este indicador tem vindo a recuperar continuamente desde Agosto.
Nos Serviços, o indicador de confiança voltou a agravar-se, o que se deveu à deterioração das opiniões sobre a actividade da empresa e das perspectivas de procura.
Na Indústria Transformadora, o indicador de confiança recuperou ligeiramente em Janeiro, sobretudo em resultado do forte contributo positivo das opiniões sobre a evolução dos stocks de produtos acabados, registando-se um intenso agravamento nas opiniões sobre a procura global. A diminuição dos stocks terá estado associada à forte redução do saldo das opiniões sobre a produção actual (igualmente observada pela redução da taxa de utilização da capacidade produtiva), pelo que poderá resultar mais de uma queda da actividade produtiva do que de uma melhor capacidade de escoamento dos produtos acabados.
Na Construção e Obras Públicas, o indicador de confiança recuperou, voltando a aproximar-se o máximo dos cinco anos anteriores atingido em Outubro, em consequência do desagravamento observado nas perspectivas de emprego. (…)”
Relatório detalhado no local do costume.
Já ouviu falar em estagflação?
Arquivado em: Dinheiros, Economia Internacio., Economia Nacional, Empresas, Instituições Financ., Política Económica, Política Fiscal
É uma mistura de estagnação económica com preços altos/inflação. A economia abranda ou encolhe mesmo mas os preços teimam em acelerar devido por exemplo à escassez localizada de um produto essencial que tem implicações na generalidade dos bens de consumo como seja o petróleo. A subida do petróleo é especulativa? Os produtos agrícolas sobem por causa dos aproveitamentos energéticos de alguns deles – para produzir biodiesel, entre outros? Será importante discutir porque sobrem os preços mas permanece o fantasma da estagflação.
E porque é que a a estagflação é má? Com a economia em pré-recessão ou abrandamento haverá mais pessoas com mais dificuldades financeiras, mais desemprego por exemplo, se a isto somarmos a delapidação continuada do rendimento promovida pela subida generalizada de preços, o poder de compra entra em quebra acelerada e até se encontrar um novo equilíbrio, num ponto onde a queda do consumo possa eventualmente interromper a subida dos preços, os reguladores económicos têm pouco a fazer. Ou pelo menos têm menos garantias de que o que venham a fazer possa ter o efeito desejado na economia.
De que estou a falar? Imaginem que a economia está abrandar mas os preços estão a acelerar – é este o cenário actual. O que deve fazer o Banco Central Europeu? Baixa os juros para estimular a economia correndo o risco de estar a estimular a inflação que já vai galopando? Menos juros, mais facilidade de crédito, mais consumo, mais pressão sobre os preços. Ou em alternativa resiste a baixar os juros, ou decide mesmo aumentá-los para conter a inflação através da moderação do consumo que juros altos costumam acarretar, mas correndo o risco de dar o empurrão que faltava para a economia (a produção) entrar em colapso?
O cenário não é fácil de gerir para quem pensa que pode e deve tentar fazer alguma coisa. Ao ponto de a própria lógica de causa-efeito deixarem de ser directas. Neste cenário não há garantias de que uma descida da taxa de juro de referência do Banco central se reflicta na taxa de juro praticada pelos bancos quando compram e vendem em dinheiro entre si. É que devido à bagunça financeira provocada pelo crédito barato os bancos ainda não sabem se os seus pares a quem podem até emprestar dinheiro terão capacidade de cumprir com o contrato de crédito que estará em cima da mesa. Recorde-se que as garantias que os próprios banco têm para os empréstimos que concederam estão a perder valor – veja-se o mercado imobiliário, particularmente nos Estados Unidos, mas também em Espanha.
Talvez no final o que nos sobre (particularmente aos Economistas) seja precisamente perceber porque é que os preços sobem e a economia abranda para tentar antecipar com melhor segurança as consequências mais ou menos modestas da política monetária e mesmo orçamental que se esteja a perspectivar. Ou isso ou relatar daqui uns meses com a maior exactidão possível o que se passou em termos económicos. O mais competente economista do mundo tende a ser o economista historiador. Digo eu, que sou quase um leigo.
Abono de família poderá subir 20% para famílias monoparentais
O abono de família poderá subir 20% para algumas (?) famílias monoparentais e será criada a figura do subsídio social de maternidade que visará garantir um apoio de 325€ durante quatro meses (após o parto). Esta última medida destina-se a mães que não tenham carreira contributiva e façam prova de não ter rendimentos.
Tudo é ainda muito difuso pois as medidas acabaram de ser anunciadas pelo Primeiro-ministro no Parlamento juntamente com outras que envolvem o complemento solidário para idosos que será aumentado para um mínimo de 400€.
Nos próximos dias tentaremos perceber exactamente o que é que está em causa.
Holmes Place: o cliente tem sempre razão?
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Vale a pena espreitar o relato/saga do Rogério sobre a sua relação com o Holmes Place Cascais que deixou aqui em comentário ao artigo “Ginásios não descem mensalidades com queda do IVA“.
Sugestão: Pedir dinheiro emprestado à família
Arquivado em: Consumo e Produtos, Dinheiros, Social Lending, Sociedade
Por estes dias é comum encontrar entre a imprensa Norte-Americana referências a fontes alternativas de financiamento. Alternativas aos Bancos que, ou deixaram de emprestar dinheiro a algumas pessoas, ou aumentaram os seus prémios de risco subindo as taxas de juro reais sobre os novos créditos. À escala, e atendendo à subida recente e aparentemente para ficar, dos spreads bancários em Portugal, julgo que é um assunto que nos poderá interessar.
Já aqui referi no passado o Zopa, um sítio que promove uma solução de Social Lending, permitindo os empréstimos directos entre aforradores e investidores (ver aqui e aqui) permitindo-lhes acertar as respectivas condições contratuais. Tanto quanto sei o cenário não mudou por cá: este tipo de iniciativas não existe em Portugal.
Mas é sempre possível pedir dinheiro emprestado à família ou aos amigos mesmo não havendo intermediário pelo meio, afinal, o intermediário é útil quando não há uma relação de confiança prévia entre os intervenientes. Lendo “The benefits of borrowing from relatives or friends” hoje publicado no MarketWatch percebe-se desde logo que lá (nos EUA) como cá, há um custo emocional, ou diria social, associado a esta solução: pedir dinheiro emprestado à família pode ser visto como um sinal de insucesso, de claudicação na afirmação pessoal. Mas também lá, como cá, isso não passa de um disparate do qual beneficiam directamente terceiros (os Bancos), em prejuízo de todos: de quem precisa e de quem tem para emprestar.
No artigo já referido apresentam-se argumentos chave na defesa desta forma de financiamento com os quais concordo. Vejamos os principais:
Risco reduzido: se o seu filho, amigo ou outro familiar em quem confia não lhe paga o que deve quem irá pagar? Antes de emprestar tem uma vantagem enorme sobre qualquer instituição financeira: conhece exactamente (ou quase) o risco que corre pois tem anos e anos de história comum com a pessoa que lhe pede o dinheiro sabendo até onde pode ir e que risco está a correr. E, para dormir mais descansado (perante um divórcio inesperado, por exemplo) não é crime nenhum assinar-se um contrato simples onde se atesta a dívida.
Do lado de quem pede: poderá conseguir ajustar mais facilmente o peso do encargo ao fluxo dos seus rendimentos. O seu familiar terá à partida mais disponibilidade para receber pagamentos irregulares ou concentrados em certas alturas do ano ou do seu ciclo de vida/profissional. Mais facilmente compreenderá e o ajudará perante uma situação de desemprego do que um banco, por exemplo.
Todos ganham: em regra, quem pede emprestado pode pagar menos que ao banco e ainda assim estar a oferecer uma remuneração acima daquela que quem aforrou alguma vez conseguiriam numa aplicação de baixo risco (como os depósitos a prazo).
Os custos de contratualização diminuem drasticamente: custo de dossier, comissão de apoio jurídico, custos com hipotecas, imposto sobre o valor emprestado, anualidades de cartões de crédito, comissões por-que-sim, tudo isto faz parte de outro cenário que não o de um empréstimo directo entre conhecidos com confiança mútua. E no caso de empréstimos entre pais e filhos as próprias obrigações fiscais são mínimas. Mesmo havendo um contrato onde se atesta a dívida, os custos serão infinitamente inferiores aos cobrados por uma instituição financeira.
Em suma, há prós e contras, mas ultrapassando o estigma social e havendo familiares com capacidade para emprestarem (o que infelizmente não está ao alcance de muitas famílias), é caso para pensar duas vezes antes de ir ao banco.
Tabela de Correspondência e conversão CAE Rev. 2.1 em CAE Rev 3.
Entrou recentemente em vigor uma nova classificação de actividades económicas, designada de CAE Rev. 3 que vem substituir a CAE Rev. 2.1. Como habitualmente esta revisão implica actualizar aplicações e classificações diversas ao nível de muitas empresas, documentos de trabalho e bases de dados. O INE está a disponibilizar alguns meios que permitem efectuar a correspondência. Se procura este tipo de informação recomendamos que passe por aqui e escolha a correspondência entre a CAE Rev 3 e a CAE Rev 2.1 ou, em alternativa, a correspondência CAE Rev 2.1 para CAE Rev. 3 e/ou contacte directamente o INE para os contactos aí indicados. Se está interessado numa tabela de correspondência em CSV pode levar daqui.
Contas poupança habitação: Governo vai impedir penalizações abusivas por parte dos Bancos
Arquivado em: Dinheiros, Economia Nacional, Instituições Financ., Política Fiscal, Regulação Económica
Na sequência do que já aqui havia sido relatado por alguns leitores que tentaram resgatar valores das suas contas poupança habitação depositados antes de 1 de Janeiro de 2004 e que deixaram de estar sujeitos a limitações de movimentação por conta dos benefícios fiscais que haviam conferido no passado (leia-se a esse propósito “Por onde o Millenium BCP pode começar a melhorar a imagem” e “Tem dinheiro encalhado na conta poupança habitação?”) e na sequência da denúncia que o Diário de Notícias hoje fez quanto à “falha” legal que está a permitir precisamente a retenção em favor do banco, de boa parte dos juros que o dinheiro a resgatar haviam vencido (em muitos casos falamos de largas centenas de euros), o Governo, anuncia a Agência Financeira,
vai esclarecer os termos do levantamento das restrições, impedindo os bancos de penalizarem os seus clientes. Ou seja, não haverá penalização nos juros na poupança-habitação. Pelo menos a partir de agora, resta saber o que acontecerá aos clientes que já foram entretanto lesados pelas práticas promovidas por alguns bancos.
É triste que mais uma vez o bom senso não tenha imperado entre a banca (pelo menos entre parte dela) e que mais uma vez seja necessário vir o Estado resolver a exploração abusiva de uma technicality. Por mais que custe concluir, a relação entre o pequeno cliente e o seu banco é cada vez mais uma relação desigual, onde uma das partes (o Banco) prima inexoravelmente por sacar quem deveria procurar servir, armado de um conjunto de recursos e técnicas para os quais poucos clientes têm, isoladamente, defesa à altura.
Num mercado funcinal, isto constituiria uma oportunidade para um banco que quisesse crescer pela diferença. Neste caso concreto, houve de facto excepções, houve bancos que pagaram o que era justo sem quererem aproveitar-se de uma mera alteração das obrigações fiscais entre o Estados e os contribuintes, mas está ainda para nascer a instituição que prime de forma sistemática pela clareza, transparência e respeito permanente e cuidado pelo seu pequeno, médio (e quem sabe – eu não sei) grande cliente.

