O governo vai anunciar nova série de Certificados do Tesouro após o conselho de ministros de 3 de julho de 2026, e a subscrição deverá iniciar-se segunda-feira, dia 6 de julho. Esta informação é uma atualização ao exclusivo dado por uma notícia que o Jornal Online ECO deu nas primeiras horas do dia 2.
ADENDA 4/JUL/2026: Há novidades e informação mais recente no artigo => “OFICIAL: Conheça os Certificados do Tesouro «Série 5»“.
Certificados de aforro voltarão a ter alternativa complementar atraente?
Recorde-se que presentemente, além da série F dos Certificados de Aforro, os particulares podem adquirir diretamente dívida pública através da subscrição de Certificados do Tesouro Poupança Valor (CTPV) criados em setembro de 2021.
Este produto tem, contudo, perdido popularidade e está há largos meses a registar um saldo negativo, com os resgates a superarem largamente as novas subscrições. As taxas de juro e o desenho do produto simplesmente deixaram de ser apelativos face aos produtos de baixo risco com que competem.
Em particular, comparam muito mal com os próprios certificados de aforro (veja esta comparação que fizemos em 2021 e que hoje é bem mais desfavorável para os CTPV).
Na referida notícia do ECO, são revelados alguns detalhes do novo produto.
- Desde logo o facto de, face aos CTPV aumentar o período de investimento até à maturidade, passando de 7 para 10 anos.
- Por outro lado, não se conhecendo ainda qual será a curva de rendimento, é avançado que estes novos Certificados do Tesouro terão uma estrutura de taxas de juro crescente não existindo uma componente variável associada ao desempenho do PIB como existe nos CTPV.
- A subscrição mínima será de €1.000 e este será o valor mínimo que terá de ser mantido em conta caso se pretendam realizar resgates parciais. Note-se que, tal como nos CTPV, os valores subscritos não podem ser mobilizados/resgatados durante os primeiros 12 meses.
- Ao contrário do que sucede com os certificados de aforro e à semelhança do que sucede com os atuais CTPV o pagamento dos juros é anual, não existindo capitalização de juros.
ADENDA:
- Ao longo do dia 2 de julho forma sendo divulgados mais detalhes pela imprensa, fornecidos pelo governo que deverão assumir-se como definitivos após o conselho de ministros, que se realizará dia 3 de julho.
- Um dos detalhes é que a taxa de juro desta série que estará em subscrição a partir de dia 6 de julho de 2026, começará nos 2,35% no primeiro ano e irá subindo até um máximo de 3,35% no 10º e último ano destes Certificados do Tesouro. A taxa de juro anual bruta média para quem mantenha estes títulos até à maturidade será de 2,71%, sendo que não há capitalização de juros; os juros caem na conta à ordem associada à subscrição todos os anos.
- Recorde-se que em julho os novos certificados de aforro serão remunerados a 2,356% de TANB. Esta taxa é, contudo, volátil, mudando todos os trimestres. Estará ainda limitada a um máximo de 2,5%, dependendo da evolução do valor da Euribor a 3 meses.
- Outro detalhe é que o máximo de subscrição será de €1.000.000.
- A subscrição poderá fazer-se nos mesmo locais que os atuais certificados (de aforro e do tesouro): plataforma AforroNet, balcões dos CTT, os Espaços Cidadão e o Banco BiG.
Os novos certificados do tesouro serão competitivos?
Os CTPV estão incluídos no nosso comparativo com mais 296 depósitos a prazo e como se constata, apresentam taxas muito pouco competitivas, neste momento.
Naturalmente, se o objetivo passar por conseguir captar uma maior fatia da poupança nacional para ajudar a financiar o Estado, a estrutura de taxas de juro terá de ser mais generosa que a atual. Pelo que escrevemos em cima, na adenda, os certificados do tesouro que se avizinham serão claramente mais competitivos do que os atuais e superarão grande parte da oferta de depósitos a prazo, em termos de rendimento.
Logo que haja detalhes oficiais, daremos deles nota no Economia e Finanças.