Volume de negócios da indústria com crescimento histórico – março 2017

A indústria vinha sendo um dos setores mais “pastelões” em termos de alinhamento com o ciclo económica de crescimento que se vem registando na atividade económica, mas com o conhecimento dos dados finais de alguns indicadores relevantes relativos ao primeiro trimestre de 2017 a situação está a alterar-se bastante. Segundo o Índice de Volume de Negócios, Emprego, Remunerações e Horas Trabalhadas na Indústria divulgado pelo INE, referente a março de 2017, temos o volume de negócios da Indústria com crescimento histórico, o mais elevado desde, pelo menos, 2011.

 

Volume de negócios da indústria com crescimento histórico

O INE divulga uma série estatística com o índice de volume de negócios na indústria desde janeiro de 2010, com a atual metodologia. Calculando as variações homólogas para os trimestres terminados em cada mês constatamos que o valor de 11,1% é o mais elevado de sempre, superando os melhores registos que temos e que tinham ocorrido entre 2010 e 2011. A variação específica do mês de março foi de 13,1%, a terceira mais elevada de sempre. Recorde-se que o recorde histórico pertence a janeiro de 2017 com um crescimento de 14,8%.

Volume de negócios da indústria com crescimento histórico
Volume de negócios da indústria com crescimento histórico Gráfico construído após tratamento de dados originais do INE

 

Volume de Negócios aumenta 16,5% para o mercado externo

Desagregando o volume de negócios por mercado interno e externo conclui-se que este aumentou 16,5% em termos homólogos no trimestre terminado em março (+20,3% considernado só março de 2016 e março de 2017) e aumentou 6,9% no mercado interno (7,6% considerando só a variação homóloga entre os meses de março).

 

Mau primeiro trimestre de 2016 e dias úteis não explicam tudo

O facto de o primeiro trimestre de 2016 ter sido particularmente deprimido em termos de volume de negócios está agora, em período de recuperação da atividade, a dar uma ajuda em termos de efeito de base, potenciando estes níveis de crescimento históricos. Por outro lado, o primeiro trimestre de 2017 beneficia de dois dias úteis a mais o que poderá explicar cerca de três pontos percentuais da variação homóloga. Ainda assim estaríamos perante um crescimento de pelo menos 8 pontos percentuais, uma taxa que se mantém num patamar historicamente elevado.

 

Análise setorial

O setor da metalurgia de base foi dos que mais cresceu (acima dos 30% só em março), tanto em vendas para o mercado interno como externo, indicando que há de facto um período de maior dinamismo na atividade da construção e edifícios e de equipamentos, quer no mercado interno, quer no externo.

Eis o top5 para variações homólogas mensais do volume de negócios referente a março de 2017:

Variação Março 2016 – março 2017
07-Extração e preparação de minérios de ferro345,4%
20-Fabricação de produtos químicos e de fibras sintéticas ou artificiais, exceto produtos farmacêuticos18,6%
23-Fabrico de outros produtos minerais não metálicos23,4%
24-Indústrias metalúrgicas de base33,1%
33-Reparação, manutenção e instalação de máquinas e equipamentos17,2%

Mas o crescimento do volume de negócios foi muito expressivo em vários setores.

Em termos de grandes agrupamentos industriais destacam-se os bens de consumo duradouros sendo que todos os agrupamentos cresceram acima dos dois dígitos em março de 2017 face a março de 2016.

 

No destaque do INE poderá analisar detalhadamente os dados mensais por setor de actividade da indústria e por mercado de destino das vendas.

 

Como fizemos as contas?

Todos os meses o INE divulga um dado mensal, o que fizemos foi calcular o índice dos últimos três meses conhecidos. Em fevereiro calculámos a média de dezembro a fevereiro, em março, calculámos a média de janeiro a março e assim sucessivamente até termos para cada mês o índice médio do trimestre terminado nesse mesmo mês. Depois calculámos a variação entre o valor obtido e o equivalente do mesmo período no ano anterior – a chamada variação homóloga.

Com isto evitámos algumas flutuações esporádicas e exacerbadas que possam existir nos dados do INE e resolvemos o risco de haver sazonalidade. De facto, quando comparamos os mesmos períodos de anos consecutivos temos a expectativa de que, se, por exemplo, a atividade cair no verão, ao compararmos os dados do verão deste ano com o do verão do ano anterior a variação capta efetivamente se a atividade económica aumentou ou diminuiu sem estar contaminada por uma eventual queda natural no verão que afetará igualmente ambos os anos.

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