Certificados de Aforro em vias de extinção
A acreditar nesta peça do Diário Económico “Certificados de aforro perdem 74 investidores por dia” estamos a assistir inexoravelmente ao desaparecimento dos Certificados de Aforro.
Comprar dívida pública com um mínimo de interesse parece ser coisa vedada aos particulares, só com intermediários pelo meio, como muito bem lembrava ontem João Duque, no mesmo jornal, a propósito da impossibilidade de particulares comprarem directamente Obrigações do Tesouro ao Estado.
Caritas in veritate
A ler, “Economia Solidária” do vizinho João Rodrigues.
“A última Encíclica Papal – Caridade na Verdade – merece ser lida e discutida. Quem escreve isto é um não crente que reconhece a influência da Igreja Católica e acha que a sua doutrina social continua a oferecer recursos para pensar criticamente a economia e as transformações necessárias para a tornar mais solidária.
(…) Mesmo que estes conceitos possam e devam ser debatidos, parece-me relevante a recusa de qualquer separação artificial entre economia e moralidade, a partir do reconhecimento de que as decisões económicas nunca são neutras.
Destaco ainda a defesa da coexistência de uma pluralidade de “formas institucionais de empresa” – das empresas privadas e públicas às experiências associativas – prosseguindo vários objectivos e favorecendo uma “hibridização dos comportamentos de empresa”. Isto não está longe de algumas preocupações da economia solidária, um frutífero ponto de encontro de muitos socialistas e católicos. Trata-se no fundo de não desistir de buscar os arranjos que nos permitam “ir mais além da lógica da troca de equivalentes e do lucro como fim em si mesmo”. É uma pista promissora para quem deseja retirar todas as consequências do fracasso da construção neoliberal de uma economia divorciada do bem comum.”
Coeficientes de desvalorização monetária aplicáveis durante o ano 2009
Com mais de dois meses de atraso face ao ano passado, foram ontem conhecidos os coeficientes de desvalorização monetária a aplicar durante 2009. Podem ser consultados no Diário da República através da Portaria n.º 772/2009 (clicar aqui para aceder).
“O artigo 44.º do Código do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Colectivas (CIRC) aprovado pelo Decreto -Lei n.º 442 -B/88, de 30 de Novembro, e o artigo 50.º do Código do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares (CIRS), aprovado pelo Decreto -Lei n.º 442 -A/88, de 30 de Novembro, prevêem a actualização anual dos coeficientes de desvalorização da moeda para efeitos de correcção monetária dos valores de aquisição de determinados bens e direitos. (…)”
Transferir o PPR é a partir de hoje mais barato
Entrou hoje em vigor o decreto-eli que referimos aqui em Março, “O que vai mudar nos PPR? Comissões de transferência com máximo de 0,5%“, e que permite efectuar transferência de PPR entre instituições financieras diferentes com custos significativamente mais baixos do que até aqui. Vale a pena espreitar o mercado e ver para níveis de risco similares as ofertas disponíveis. Até há pouco tempo era possível encontrar diferenças abissais. Se o número de transferências aumentar com esta nova legislação, talvez vejamos finalmente algumas mudanças neste mercado, particularmente ao nível das comissões cobradas, mas estarão os clientes com PPR na disposição de se darem à maçada de zelar melhor pelo seu o próprio dinheiro?
A resposta parece óbvia mas tenho sérias dúvidas que a prática seja condizente. Bons negócios!
Carros eléctricos: subsídio de 5000 euros para todos ou só para os primeiros 5 mil?
ACTUALIZAÇÃO: O Governo aprovou um decreto lei sobre este tema em 3 de Dezembro de 2009. Detalhes aqui: “Subsídio do Estado à aquisição de carro eléctrico fixado nos 5 mil euros“.
Passando pela imprensa descobrimos que o Estado vai financiar junto do consumidor final a aquisição do novo carro electrico da Nissan. Se lermos o Jornal de Negócios o subsídio é de 5000 euros para carros eléctricos, acumulável com a bonificação para o abate de veículos em fim de vida.
Contudo, se lermos o Público descobrimos que este subsídio se destina apenas aos primeiros 5 mil veículos vendidos. Uma LIGEIRA diferença. Como precaução e até que se esclareça quem tem razão destaco o parágrafo do Público:
“Os primeiros cinco mil carros eléctricos a serem adquiridos por particulares entre 2010 e 2012 beneficiarão de um incentivo à aquisição de cinco mil euros cada. O prémio sobe para 6500 euros no caso de a aquisição ser feita com abate de veículo velho, segundo anunciou hoje o primeiro-ministro, José Sócrates. (…) Para as empresas, o incentivo à aquisição destes veículos para as respectivas frotas far-se-á em sede de IRC, com uma redução em 50 por cento de IRC relativo ao montante do veículo, para o mesmo período entre 2010-2012. (…)”
in Público.
A poupança e o dia depois da crise
“(…) Para quem tenha o seu emprego ameaçado ou já perdido, os equilíbrios que a economia portuguesa precisa de recuperar a médio e longo prazo terão muito pouco significado. Mas as projecções que traçam um futuro próximo cheio de dificuldades, também revelam que o comportamento das famílias perante a crise pode ser a base de partida para um “modelo” de crescimento diferente daquele que condenou o país a uma década de taxas de crescimento frustrantes e de afastamento do rendimento médio dos parceiros europeus.
O endividamento acumulado pela economia portuguesa representa já um valor mais elevado do que o do rendimento gerado anualmente. Em parte, trata-se da consequência inevitável do recurso ao crédito para satisfazer a necessidade básica de habitação, mas também para realizar sonhos de consumo dirigidos a bens e serviços importados. Uma forte queda nas importações, tal como está prevista, reflecte um abrandamento no ritmo de contracção de nova dívida, muitas vezes contratada junto de entidades externas. A “desalavancagem” da economia nacional está em curso e recomenda-se.
Poupar mais e recorrer menos a empréstimos pode quebrar as ilusões de melhoria do padrão de vida. Mas tem a vantagem de recuperar realismo nas expectativas. “
Editorial de João Candido Silva, hoje no Jornal de Negócios.
Diferenças entre a Gripe A e a Gripe Sazonal
Talvez a seguinte imagem ajude a identificar diferenças.

Nº Saúde 24: 808 24 24 24
Entretanto, para quem gosta de acompanhar especialistas na matéria, fica a sugestão do blogue de João Vasconcelos da Costa (http://jvcosta.planetaclix.pt/gripe.html) , um virologista.
O Nuno Teles está a oferecer uma análise interessante no Ladrões de Bicicleta, em “A Economia Política da Gripe- I “. Simpatizo com as suas preocupações, na Saúde sou claramente muito pouco pró-mercado – há demasiado espaço para falhas nos pressupostos de bom funcionamento do próprio mercado para que o Estado possa admitir business as usual.
As melhores taxas dos depósitos a prazo: a oferta do Big Online
Nem só o spread do crédito à habitação tem subido nos últimos tempos, alguns bancos inverteram recentemente a tendência de descida na remuneração dos depósitos a prazo voltando a pagar prémios em cima das taxas de referência utilizadas. Um dos casos é o Banco BIG que durante algum tempo teve das taxas de juro mais baixas de mercado online e que desde há algumas semanas retomou a prática de acrescentar à Euribor um spread a favor do cliente. Num depósito a seis meses, de pelo menos 500 € os 50 pontos base (TAE de 1,74% para depósitos constituidos a 15 de Julho).
Adicionalmente, introduziu segmentação de depósitos atendendo à dimensão do mesmo, ou melhor, reduziu o limite a partir do qual remunera com prémio adicional o depósito. De um milhão de euros há largos meses passou agora para 20 mil euros. A título de exemplo, um depósito a seis meses igual ou superior a 20 mil € paga uma TAE de 2,21% e um depósito de 60 mil € para o mesmo prazo paga de TAE 2,31%.
Um dos factores de simpatia que valorizo neste banco são as condições de desmobilização dos depósitos : “total com perda de 50% dos juros relativamente ao montante desmobilizado” e a ausência de custos de manutenção da conta.
A propósito, não faria sentido, tal como nos créditos à habitação que passaram esta semana a ter uma Taxa Efectiva Revista, aplicarmos o mesmo critério aos depósitos a prazo? É que os custos associados a ter conta num banco são extremamente diversos e podem, como é óbvio, permitir ilusões remuneratórias com grande facilidade.
Encontra-se em actualização a lista de ligações para as páginas dos bancos a actuar em Portugal relativas a taxas de juro de depósitos a prazo.
Plano Oficial de Contabilidade substituido por Sistema de Normalização Contabilística (SNC)
Após um longo parto eis que o Sistema de Normalização Contabilística (SNC) foi finalmente publicado em Diário da República (Decreto-Lei n.º 158/2009. D.R. n.º 133, Série I de 2009-07-13
Do preâmbulo:
“(…) Conceptualmente, o SNC caracteriza -se pelas linhas mestras essenciais adiante explicitadas.
Trata -se de um corpo de normas coerente com as normas internacionais de contabilidade em vigor na UE e, por outro lado, com as actuais versões das quarta e sétima directivas comunitárias sobre contas, respectivamente, de entidades individuais e grupos de sociedades. Leia Mais
Inflação (média anual) cai abaixo de 1%
A variação média anual dos preço em Portugal medida pelo Índice de Preços no Consumidor, hoje divulgado pelo INE com dados de Junho, fixou-se nos 0,9%. Recorda-se que é este o referêncial muitas vezes utilizado para definir os aumentos salariais. Os aumentos para 2009, nomeadamente na função pública, foram de 2,9% o que indicia que estaremos muito provavelmente na presença de um forte aumento real do rendimento destes assalariados ao longo do ano de 2009.
Em termos homólogos, a variação registada em Junho foi negativa na ordem dos 1,6% tendo a redução dos preços com transportes e produtos alimentares e bebidas dado os maiores contributos para a queda deste indicador.
O INE divulgará a próxima actualização mensal a este indicador a 12 de Agosto. Como curiosidade, sublinhe-se que em 2008 ocorreu uma revisão em baixa da taxa normal de IVA no mês de Julho, pelo que, por esse efeito, teremos um contributo de base no sentido de atenuar a queda de preços ao longo do 2º semestre.


