Indicador de clima do INE piora ligeiramente

O indicador de clima económico diminuiu de forma ténue em Novembro. Esta ligeira diminuição reflectiu sobretudo a evolução negativa das opiniões na Construção e Obras Públicas.
O indicador de confiança dos Consumidores manteve o movimento descendente, registando o valor mais baixo desde Fevereiro de 2006.

Versão completa aqui; dados estatísticos aqui.

Cahora Bassa, o início de uma nova era

A questão da transferência de propriedade da Barragem de Cahora Bassa para o Estado Moçambicano foi um dos primeiros temas abordados no Economia & Finanças, nomeadamente em “Cahora Bassa nas Contas Nacionais” (27 OUT 2006) tendo depois tido sequência em “Cahora Bassa revisitada” (14 MAI2007).

Hoje volto ao tema por saber que será efectuado o pagamento dos 700 milhões de dólares relativo à transferência de 85% do capital social da empresa do Estado Português para o Moçambicano.

No Diário Económico citam-se duas perspectivas, por um lado Mira Amaral que afirma que Portugal sai de cabeça erguida e que “(…) se Moçambique estiver de acordo, Portugal pode ter um papel na manutenção e administração da central. Os 15% que Portugal mantém são instrumento estratégico para aprofundar ligações, não é uma participação financeira, mas estratégica.”

Por outro lado temos os sempre anónimos analistas que aventam com o epíteto de “falta de visão” do governo português precisamente por não garantir uma parceira de dimensão estratégica.

Quem conhece minimamente todo o processo julgo que teria já dada há muito tempo como perdida qualquer hipótese de encerramento em moldes comerciais para este caso. É bem verdade que tudo poderia ter sido muito melhor mas é também verdade que depois da nossa equipa estar a perder 5 a zero, um empate sabe sempre a vitória.

Que Mira Amaral tenha razão e que o Estado Moçambicano esteja satisfeito, sinal de que haverá futuro na relação, caso Portugal esteja para aí virado.

Entretanto, entre o momento do acordo e o de efectivação de pagamento, a barragem embarateceu (e de que maneira!) fruto da negociação se ter fixado não em euros mas em dólares. Um belo rebuçado final para o novo dono. E aqui sim, talvez um sinal de falta de visão por parte do lado português. Enfim, que venha o futuro e que se reduza a dívida pública com a verba arrecadada.

Brisa/Abertis em espera, PTM/Sonae.com a renascer

23 November, 2007 por Rui Cerdeira Branco · 1 comentário
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Questões pendentes da espanhola Abertis em Itália parecem apontar para um stop na acção eventual de tentativa de take over da Brisa. Enquanto a Abertis não sabe o destino da sua tentativa de crescimento via compras em Itália reforçou posição em Portugal na Brisa preparando um plano B? Assim parece, a avaliar pelas notícias do dia. Podemos estar então perante um stop and go.

Entretanto o “inevitável” romance entre PTM e Sonae.com tem mais um episódio com indicações nos media de que o namoro está a seguir o seu caminho. Como consequência as acções da Sonae.com (que segundo alguns research estão em saldo há meses) espevitam.

Enquanto a coisa não se formaliza, de quando em vez lá temos um destes fugachos com pretexto na PTM. Intermitências à parte, a fusão tem uma apreciação quase unânime: faz sentido. Resta então saber quando e que tipo de união teremos. Casamento com dote? União de facto? Viverão juntas felizes para sempre? E, claro, saber se aparece um pretendente de gesto mais fino e atraente.

Qual é o melhor Research a avaliar e a prever a evolução das acções?

23 November, 2007 por Rui Cerdeira Branco · 1 comentário
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Longe de estudarem um fenómeno obediente a uma ciência exacta e longe de estarem imunes a críticas de favorecimento dos negócios do banco (quando se tratam de unidades de análise dos próprios bancos) os research departments têm projecção mediática e são seguidos por vários tipos de investidores nos vários tipos de relatórios que produzem.

Hoje, o Jornal de Negócios releva uma notícia onde se apresenta um estudo de acuidade dos research da península ibérica. A notícia on-line é escassa mas ainda assim chama a atenção para que também nesta área há gotso e lebres. Um ranking de qualidade para estas unidades de análise que complemente a apreciação do próprio investidor é fundamental. Eis o lead da notícia em questão:

” A Espírito Santo Research (ESR) e o Banco Português de Investimento (BPI) foram os melhores bancos da Península Ibérica nas recomendações às empresas. A AQ Research, uma firma de análise da acuidade dos estudos de “research”, analisou para o mercado ibérico os analistas com as recomendações mais certeiras e com as previsões de resultados mais correctas. (…)”

A hostilidade está formalizada: Brisa rompe acordo com a Abertis

22 November, 2007 por Rui Cerdeira Branco · 1 comentário
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A notícia saiu já depois do fecho do mercado (a Brisa hoje valorizou 4,66%): “Brisa responde ao aumento de posição da Abertis com final de parceria estratégica“.

Os Fóruns estão de volta

22 November, 2007 por Rui Cerdeira Branco · 1 comentário
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Depois de uma paragem forçada patrocinada pelo amigo do alheio, os Fóruns estão de regresso numa versão renovada e melhorada. Os utilizadores já registados voltam a ter acesso à plataforma e novas inscrições estão já disponíveis.

Se detectarem algum problema reportem-no, por favor, por esta via: contacto.

Até breve.

O Petróleo está finalmente mais caro em 2007 que em 2006

22 November, 2007 por Rui Cerdeira Branco · 2 comentários
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Quem sobe mais o petróleo ou o euro? perguntava eu aqui há dias. O Diário Económico actualizou hoje as contas que haviamos apresentado em meados de Setembro no artigo “Preços do petróleo, um problema de contas”. Na altura era evidente que o preço medio do petróleo no mercado fornecedor da economia portuguesa estava ainda abaico do preço médio registado ao longo de 2006. Na prática o custo dessa matéria-prima estava significativamente abaixo do apurado em 2006, hoje, próximo do final de Novembro e com um subida do preço do petróleo medido em dólres a um ritmo superior à da subida da taxa de câmbio euro/dolar já não será assim. Segundo o Diário Económico:

“(…) O barril de Brent, negociado em dólares, estava ontem 8,5% mais caro do que a média de 2006; em euros valia mais 0,2%, quando até aqui esteve a cair. A cotação média diária do barril em 2007 (70,7 dólares) também já ultrapassa a prevista pelo Governo no Orçamento do Estado, de 69,5 dólares.

Daqui em diante, dizem os especialistas, a situação tenderá a agravar-se, ou seja, empresas e consumidores vão sentir cada vez mais o impacto negativo da subida do petróleo e do euro. “Não vai parar de subir. Continuo muito preocupado pois nada mudou nos fundamentais: a oferta de petróleo não tem capacidade para crescer mais e a procura continua em alta com o forte crescimento das economias emergentes”, lembra José Caleia Rodrigues, economista especializado no sector da energia. Esta tese é defendida por outros observadores, como Agostinho Pereira de Miranda, advogado e  consultor nesta mesma área, e Nuno Ribeiro da Silva, professor de Economia da Energia do ISEG. (…)”

Não querendo desfazer das contas do DE, havendo um pouquinho de disponibilidade refarei as contas em breve.

A Abertis abocanha a Brisa em três tempos? (act. III)

22 November, 2007 por Rui Cerdeira Branco · 1 comentário
Arquivado em: Empresas, Mercados 

E se aquela subida do valor das acções da Brisa ocorrido na semana passada (que levaram a empresa a cotar acima dos valores imediatamente anteriores ao início da crise do sub-prime) se explicasse por uma compra maciça de títulos pela Abertis naquilo que poderá ser o início de uma tomada hostil?

É essa a hipótese ventilada pelo Semanário Sol. Aguardam-se detalhes para as próximas horas. Sim, a Abertis é a Brisa espanhola, à escala, naturalmente.

Actualização: segundo o Diário Económico a Abertis contralará já 18% do capital da Brisa.

“(…) A notícia do reforço da Abertis “apanhou de surpresa” a administração da Brisa, segundo apurou o Diário Económico, mas a hipótese de uma OPA hostil não é, para já, considerável, apesar do crescente interesse da Abertis na Brisa e de esta ter um ‘free float’ de 39%.
A concessionária portuguesa parece estar protegida, já que o núcleo duro atinge uma posição de 45%: Aos 30% de capital da José de Mello juntam-se os 10% da Babcock&Brown e os 5% da Cinveste, aliados da Brisa.
No mercado comentava-se ontem a hipótese de João Rendeiro poder vender a sua partipação à Abertis, uma operação que teria como ‘adviser’ o BPI.
Esta operação de reforço da Abertis seria vista como mais uma investida do La Caixa às empresas portuguesas. O banco espanhol tem uma participação de 25% no BPI, detém 17,06% da Abertis e há vários meses que se especula sobre um reforço no BCP. (…)”

Actualização II: a Agência Financeira cita a Thomson que recolocou a Brisa na lista fusões e aquisições e adianta ainda que

“(…) Fontes do mercado referem que a Abertis vinha já reforçando a sua posição na Brisa depois da aquisição dos 10%, pelo que, a confirmar-se mais este reforço de 5% por parte do grupo espanhol, que é um dos gigantes de concessões rodoviárias, o mesmo deve deter por esta altura perto de 20% do capital da empresa portuguesa.

Contactada pela «Agência Financeira», fonte oficial da Abertis lembrou que «somos uma empresa cotada, qualquer operação dessas terá de ser comunicada antes à CNMV», regulador do mercado espanhol e recusou-se, por isso, a adiantar mais comentários.”

Actualização III: numa breve nota o Jornal de Negócios aponta para a posse de 15% do capital da Brisa por parte da Abertis

Acções da Martifer em mínimos

21 November, 2007 por Rui Cerdeira Branco · 2 comentários
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Permitam-me alguns considerandos de leigo em termos de mercado accionista.

Pouco depois da entrada em bolsa, a Martifer chegou a cotar a 12€ ainda que simbolicamente, pois o volume de acções a esse preço terá sido mínimo. Ainda assim foi frequente ver o título cujo preço de IPO se fixou em 8€ cotar-se acima dos 10€ e pontualmente acima mesmo dos 11€.

Hoje, depois de algumas sessões de queda e acompanhando o espírito geral da Euronext Lisboa (e arredores) a Martifer fechou a sessão a valer 8,30€ o que representa uma perda superior a 40% face ao máximo histórico.

Quem não vendou as acções que comprou no IPO está hoje a ver os seus ganhos quase anulados e quem o fez durante o período eufórico que se lhe seguiu estará a arder de forma particularmente dolorosa.

A sangria continuará? Antes de (não) responder é preciso notar que há muitas sessões que a Martifer vem registando volumes quase insignificantes de transações, estando muito pouca gente no mercado. Hoje foi um desses dias. Por outro lado, houve nas últimas semanas uma “chamada à realidade” com algumas avaliações da empresa a apontarem para valores abaixo dos 9€. E outros as insistirem que será uma galinha de ovos de ouro a médio prazo.

Estamos perante um título em estado latente, mas com potencial inusitado. Apesar das contradições que subsitem nas avaliações, a cotar a 8,3€, parece evidente que a insuflagem especulativa pós IPO terá já passado, contudo, havendo aparentemente tanta gente “sentada em cima” das suas acções da Martifer, oscilações significativas como as ocorridas ao longo do último mês (em que a martirfer chegou a cotar muito próximo dos 9€) tenderão a não ser estranhas. Resta saber como pingarão as notícias que interessam ao longo dos próximos meses e anos sobre os múltiplos negócios da Martifer.
Uma última nota para as aspirações de entrada da Marifer no PSI 20. Não será com um free-float com este tipo de rotação que a Martifer entrará no PSI 20, seguramente.

O PSI 20 fechou a perder 1,19%.

O terceiro trimestre trocado em miúdos

Depois do PIB do 3º trimestre e antes do detalhe que sairá daqui a umas semanas fiquemo-nos com algumas explicações adicionais:

“O enquadramento económico internacional no 3º trimestre de 2007 ficou assinalado por factos com implicações contraditórias para a economia portuguesa. Por um lado, assistiu-se à continuação da apreciação do euro e ao agravamento dos preços do petróleo e de outras matérias primas, por outro, verificou-se ainda assim uma aceleração do actividade económica na área do euro e no conjunto da União Europeia.
No plano interno, de acordo com a estimativa rápida do PIB, ter-se-á registado um ligeiro abrandamento entre o 2º e o 3º trimestre, passando de uma variação homóloga de 1,9% para 1,8%, reflectindo fundamentalmente o comportamento da procura externa. Os dados preliminares relativos ao 3º trimestre revelam uma redução de 4,0 pontos percentuais (p.p.) no crescimento homólogo das exportações em valor, face ao 2º trimestre; paralelamente, registou-se uma pequena aceleração das importações de 0,1 p.p. que, pela primeira vez desde o 3º trimestre de 2005, apresentaram um maior crescimento nominal do que as exportações (5,3% e 4,8%, respectivamente).

A procura interna, tal como no trimestre anterior, acelerou no 3º trimestre, sobretudo em resultado do crescimento do investimento. Esta evolução reflectiu, desenvolvimentos positivos em todas as suas componentes, com destaque para a componente de material de transporte. O consumo privado terá apresentado um menor dinamismo devido à desaceleração do consumo de bens duradouros.

No 3º trimestre, o emprego cresceu 0,2% em termos homólogos, após a diminuição observada no trimestre precedente. A taxa de desemprego situou-se em 7,9%, o mesmo valor do trimestre anterior e 0,5 p.p. mais elevada do que a de igual período de 2006. Em Outubro, a inflação acelerou, atingindo 2,6%, mais 0,5 p.p. do que no mês anterior. “

In “O crescimento económico no 3º trimestre foi marcado pela expansão do investimento e pelo abrandamento das exportações. – Outubro de 2007“.

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