Boletim Estatístico do Banco de Portugal, Indicadores Sociais de 2005 e aprovação da OPA à PT

22 December, 2006 por Rui Cerdeira Branco · Deixe um comentário
Arquivado em: Empresas, Números Estatística 

O último dia útil antes do fim-de-semana prolongado para as festas natalícias esteve repleto de prendinhas na área da informação de Economia e Finanças.

  • No Banco de Portugal traça-se o cenário estatístico do momento, com particular destaque para a informação oriunda directamente do Banco (eis a ligação para o boletim).
  • Por fim, a Autoridade da Concorrência passa a batata quente para os accionistas da PT e da Sonae, autorizando a realização da OPA (o Jornal de Negócios acompanhou durante o dia, com detalhe, as novidades do processo).

Boas Festas e para quem é de Natais, Feliz Natal!

Eis a última actualização da situação económica em Portugal

" (…) Internamente o indicador de clima económico melhorou, mantendo o movimento de recuperação dos últimos meses.

O indicador de actividade económica, com informação disponível até Outubro, melhorou também, embora sem se afastar do patamar em que se tem situado nos últimos meses.

Em termos sectoriais, a evolução na indústria foi mais favorável do que nos serviços, cuja actividade registou um abrandamento. Na construção verificou-se uma interrupção do anterior movimento desfavorável. O indicador do consumo privado desacelerou em Outubro em resultado do abrandamento verificado no consumo corrente, tendo o consumo duradouro estabilizado. O indicador de investimento recuperou em Outubro devido ao comportamento das componentes de material de transporte e de máquinas e equipamentos.

Os dados do comércio internacional, com informação preliminar até Outubro, revelaram uma desaceleração do valor das importações e uma aceleração das exportações, após os abrandamentos verificados em Setembro em ambos os fluxos. De referir que entre Julho e Setembro o diferencial entre o crescimento das exportações e o da procura externa foi positivo, situação que não se verificava desde Dezembro de 2003.

No mercado de trabalho, os dados disponíveis não são inteiramente conclusivos. Assim, em Outubro, a informação proveniente dos Indicadores de Curto Prazo apontava para uma estabilização do emprego, enquanto a informação dos Centros de Emprego apresentou uma aceleração dos pedidos de emprego por parte de desempregados e das ofertas de emprego ao longo do mês, mais forte no primeiro caso. Por outro lado, as perspectivas de emprego por parte dos empresários agravaram-se, enquanto as expectativas dos consumidores sobre a evolução do desemprego estabilizaram.

A inflação foi de 2,4% em Novembro, menos 0,3 pontos percentuais) do que no mês anterior. O indicador de inflação subjacente situou-se em 1,9%, tal como no mês anterior."

Sublinhados meus. Mais detalhes nesta ligação para o relatório completo da Síntese Económica de Conjuntura do INE (exige registo – gratuito).

Portugal e Espanha em Números

O INE Portugal e o seu congénere Espanhol divulgaram hoje a publicação “A Península Ibérica em Números“. São cerca de 40 páginas com a síntese dos principais indicadores estatísticos para ambos os países. A consulta pode fazer-se gratuitamente aqui. Boas leituras.

Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social (FEFSS)

19 December, 2006 por Rui Cerdeira Branco · 2 comentários
Arquivado em: Dinheiros, Instituições Financ. 

Você sabia que o FEFSS ganhou este ano o prémio de melhor fundo de pensões português atribuido pela revista britânica Investments & Pensions? Eu fiquei a saber.

Esta revista acompanha o sector dos fundos de pensões em vários países e para 2006 elegeu este fundo público como a referência nacional. No mínimo, um dado interessante a favor da opção pública na eterna discussão sobre a supremacia da gestão privada face à gestão pública. Digamos que tal supremacia prática está longe de decorrer automaticamente da simples aplicação da teoria económica mais liberal. Isto num país, recorde-se, onde várias instituições bancárias que gerem fundos de pensões de clientes, tentaram despachar para o Estado os direitos e deveres de gestão dos avultados fundos de pensões dos seus funcionários. Curiosidades a ter em conta, pois este assunto vai acompanhar-nos por muitos anos.

Certificados de aforro com procura acrescida

19 December, 2006 por Rui Cerdeira Branco · 1 comentário
Arquivado em: Dinheiros, Política Económica 

Procura informação sobre as alterações aos certificados de aforro anunciadas em 24 de Janeiro de 2008? Então terá interesse em ler: “Os certificados de aforro acabaram (morreram por falta de interesse)

Continuando a acompanhar o que se vai passando com os certificados de aforro, na senda do que temos vindo a fazer aqui, hoje, através deste artigo do Diário de Notícias, “Governo aumenta emissão de certificados de aforro“, ficamos a saber que a procura por este produto de poupança, que é também uma forma de o Estado financiar a dívida pública, está em crescendo. Com a subida das taxas de juro, poupar sem risco começa a ter algum interesse. E a poupança no global como estará a evoluir? Nos últimos anos a taxa de poupança nacional não tem parado de diminuir. Será que algo vai mudar com a inversão da tendência de evolução dos juros?

Já saiu o Boletim Informativo com a Síntese da Execução Orçamental

A fechar a semana, bem no final do dia de trabalho, a Direcção Geral do Orçamento apresenta as penultimas contas relativas à execução orçamental entre Janeiro e Novembro de 2006.

A primeira leitura aponta para um excelente ano em termos de receita com particular destaque para os impostos directos (IRS e particularmente o IRC com um acréscimo de 18,2% até ao momento…) e ainda para o Imposto de Selo (com um crescimento homólogo de 11,9%) no campo dos Impostos Indirectos.

Do lado da despesa a história final ainda não é (tão) segura (Novembro foi mais um mês de aceleração do ritmo de crescimento). Os principais factores de contenção da despesa referem-se à forte quebra das despesas de capital (cerca de -10% em termos homólogos) e, nas despesas correntes, destacam-se as que se referem a despesas com pessoal devido ao congelamento de carreiras e à redução de pessoal docente a contrato. A título simbólico a síntese sublinha que se encotra já apurado na execução o efeito da redução da transferência para a região autonoma da Madeira relativo ao 4º trimestre aprovado pelo Ministro das Finanças.

Daqui a um mês teremos os resultados finais da prova orçamental do corrente ano.

P.S.: Só mais uma “curiosidade” a arrecadação de receitas com Multas do Código da Estrado aumentou até Novembro quase 20% face ao ano anterior (54,9 milhões de euros) ficando ainda assim, muito aquém dos mais de 40% de aumento das “Taxas Diversas” que já somam mais 119 milhões de euros. O que serão estas “Taxas Diversas” pergunto eu? Alguém tem ideia? Esta contabilidade pública não é fácil de digerir…

As revisões lá fora, a economia alemã e os juros

juros

“O IFO, um dos mais respeitados institutos de conjuntura económica, reviu hoje em forte alta a sua previsão de crescimento para o PIB da Alemanha, prevendo agora que a maior economia europeia cresça este ano 2,5%, mais sete décimas do que a anterior previsão. (…)”

In Jornal de Negócios.

Por cá é muito, mas mesmo muito pouco frequente fazerem-se ajustamentos de estimativa para o PIB anula desta magnitude, mais pelo pouco dinamismo económico do que pela superioridade metodológico, contudo, não deixa de ser relevante sublinhar que há jornalistas (por exemplo Bruno Proença neste Editorial do Diário Económico) que parecem crer que uma revisão de uma estimativa é uma prova inequívoca da (má) qualidade das estatísticas. O que diria (dirá) esse jornalista da notícia de hoje sobre a economia Alemã? As razões metodológicas que justificam a revisão não se poderão aplicar em Portugal e em qualquer outro país do mundo? Como é óbvio mais uma vez a crítica superficial vitimando a prata da casa está a dar. Também não é com estes contributos que batalhamos pela melhoria da sistema estatístico nacional e para qualidade da informação económica.
Quanto ao que mais interessa é bom que se confirmem estas excelentes perspectivas para a economia alemão. Menos bom é este outro efeito colateral:

«O Banco Central Europeu (BCE) voltou hoje a dar indicações de que é muito provável que as taxas de juro na Zona Euro voltem a subir ao longo do próximo ano, ao sinalizar que, mesmo após o último aumento para 3,5% decidido na semana passada, a “política monetária continua a ser acomodatícia, mantendo-se o nível baixo das taxas de juro directoras” (…)».

in Jornal de Negócios.

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Breve manual de Inferência Estatística

12 December, 2006 por Rui Cerdeira Branco · 3 comentários
Arquivado em: Números Estatística, Opinião 

Um dos maiores obstáculos à correcta valorização da informação estatística (quer quanto à percepção das suas potencialidades, mas também quanto às suas insuperáveis limitações), advém da impreparação dos intermediários informativos para digerirem de forma adequada os dados que recebem do produtor de estatísticas que interpelam a cada momento.

Além de saber interpretar os dados, outro dos obstáculos advém da ignorância quanto à forma como estes se apuram, algo que só pode ser ultrapassado se ambas as partes colaborarem devidamente: o produtor divulgando como faz e o jornalista/investigador revelando curiosidade em saber como é feito. Tudo coisas lógicas mas nem sempre visíveis como prática corrente. Costuma vingar algum isolamento, quem sabe se defensivo, por parte dos produtores (não primando pela transparência metodológica), um fenómeno que é acompanhado do lado dos jornalistas/investigadores por uma facilidade pouco razoável, porque geralmente mal fundamentada, na produção de juízos de valor sobre a informação disponível. E notem que não estou a falar de nenhum caso concreto, nem sequer de algo exclusivo da realidade portuguesa.

Admitamos que cada um de nós pode dar o seu contributo para reduzir a gravidade destes problemas. Por exemplo, para quem tenha alguma curiosidade em ter noções básicas de inferência estatística – algo fundamental para melhor entender muitas das estatísticas disponibilizadas por instituições como os INEs, os Bancos Centrais ou mesmo pelos analistas financeiros, enter muitos outros – e não queira ter grande gasto além de dedicar algum tempo à tarefa, recomendo a leitura das pouco mais de 40 páginas da breve Introdução à Inferência Estatística da autoria da Professora Maria Eugénia Graça Martins (Departamento de Estatística e Investigação Operacional da FCUL) editado on-line em Abril último e disponível no sempre pedagógico projecto ALEA.

É um pequeno contributo, mas quem sabe se não poderá evitar alguns disparates embaraçosos. Boas leituras!

Padrão evolutivo recente do Comércio Internacional mantém-se

A novidade estatística do dia sobre a economia portuguesa surgiu logo pela manhã com a divulgação dos dados do Comércio Internacional até Setembro

"De Janeiro a Setembro, as saídas e as entradas registaram um aumento de 11,8% e de 8,3% respectivamente. A variação do défice da balança comercial foi de 2,5%. No período em análise, a taxa de cobertura foi de 64,8%, correspondendo a uma melhoria de 2,0 p.p. face ao mesmo período do ano anterior. (…) "

e com os dados do Comércio Extra-comunitário até Outubro.

"As exportações e as importações registaram de Janeiro a Outubro de 2006, variações homólogas de 28,3% e de 12,8% respectivamente, determinando uma variação homóloga do défice da balança comercial de -3,6%. A categoria dos Combustíveis e Lubrificantes continua a registar um crescimento elevado em ambos os fluxos, sendo as taxas de variação homóloga de 78,2% para as exportações e de 23,3% para as importações. (…)"

Em suma, o padrão dos meses anteriores mantêm-se.

PIB terá de crescer 2,2% em termos homólogos e 1,1% em cadeia no 4º trimestre de 2006

7 December, 2006 por Rui Cerdeira Branco · 1 comentário
Arquivado em: Contas Nacionais, Economia Nacional 

A Lusa fez as contas (via Jornal de Negócios) que por aqui se confirmam com o acrecento da taxa de variação em cadeia.

Precisamos de um crescimento homólogo no 4º trimestre de 2,2% para garantir que se atinja a previsão de 1,4% prevista e hoje reafirmada pelo Ministro das Finanças para o ano completo de 2006.

Acontece que no 4º trimestre não haverá nenhum efeito de base. Por outras palavras, o 3º trimestre de 2005 com o qual se comparou o 3º deste ano (obtendo assim a taxa de variação homóloga), foi muito "fraco" devido à antecipação de compras provocada pelo aumento do IVA. Esta antecipação levou à concentração de consumo privado no 1º semestre de 2005 em prejuizo da evolução do PIB durante, particularmente, o 3º trimestre de 2005. Ou seja, em condições normais (que são as do corrente ano) só se a economia estivesse muito mal é que não teríamos uma crescimento homólogo significativo durante o 3º trimestre. De facto, as coisas não estão muito mal, mas também não estarão muito boas, pois a produção nacional no 3º trimestre foi inferior à registada entre Abril e Junho – a tal taxa de variação em cadeia ligeiramente negativa anunciada pelo INE.

O que esperar do 4º trimestre?

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