Boletim Estatístico do Banco de Portugal, Indicadores Sociais de 2005 e aprovação da OPA à PT
O último dia útil antes do fim-de-semana prolongado para as festas natalícias esteve repleto de prendinhas na área da informação de Economia e Finanças.
- No Banco de Portugal traça-se o cenário estatístico do momento, com particular destaque para a informação oriunda directamente do Banco (eis a ligação para o boletim).
- No INE divulgam-se os Indicadores Sociais de 2005 onde se sublinham as previsões demográficas de longo prazo (uma das raras áreas onde o INE efectua previsões) – relatório completo dos Indicadores Sociais disponível aqui.
- Por fim, a Autoridade da Concorrência passa a batata quente para os accionistas da PT e da Sonae, autorizando a realização da OPA (o Jornal de Negócios acompanhou durante o dia, com detalhe, as novidades do processo).
Boas Festas e para quem é de Natais, Feliz Natal!
Eis a última actualização da situação económica em Portugal
Arquivado em: Comércio Internacio., Economia Nacional, Números Estatística
" (…) Internamente o indicador de clima económico melhorou, mantendo o movimento de recuperação dos últimos meses.
O indicador de actividade económica, com informação disponível até Outubro, melhorou também, embora sem se afastar do patamar em que se tem situado nos últimos meses.
Em termos sectoriais, a evolução na indústria foi mais favorável do que nos serviços, cuja actividade registou um abrandamento. Na construção verificou-se uma interrupção do anterior movimento desfavorável. O indicador do consumo privado desacelerou em Outubro em resultado do abrandamento verificado no consumo corrente, tendo o consumo duradouro estabilizado. O indicador de investimento recuperou em Outubro devido ao comportamento das componentes de material de transporte e de máquinas e equipamentos.
Os dados do comércio internacional, com informação preliminar até Outubro, revelaram uma desaceleração do valor das importações e uma aceleração das exportações, após os abrandamentos verificados em Setembro em ambos os fluxos. De referir que entre Julho e Setembro o diferencial entre o crescimento das exportações e o da procura externa foi positivo, situação que não se verificava desde Dezembro de 2003.
No mercado de trabalho, os dados disponíveis não são inteiramente conclusivos. Assim, em Outubro, a informação proveniente dos Indicadores de Curto Prazo apontava para uma estabilização do emprego, enquanto a informação dos Centros de Emprego apresentou uma aceleração dos pedidos de emprego por parte de desempregados e das ofertas de emprego ao longo do mês, mais forte no primeiro caso. Por outro lado, as perspectivas de emprego por parte dos empresários agravaram-se, enquanto as expectativas dos consumidores sobre a evolução do desemprego estabilizaram.
A inflação foi de 2,4% em Novembro, menos 0,3 pontos percentuais) do que no mês anterior. O indicador de inflação subjacente situou-se em 1,9%, tal como no mês anterior."
Sublinhados meus. Mais detalhes nesta ligação para o relatório completo da Síntese Económica de Conjuntura do INE (exige registo – gratuito).
Portugal e Espanha em Números
Arquivado em: Economia Internacio., Números Estatística
O INE Portugal e o seu congénere Espanhol divulgaram hoje a publicação “A Península Ibérica em Números“. São cerca de 40 páginas com a síntese dos principais indicadores estatísticos para ambos os países. A consulta pode fazer-se gratuitamente aqui. Boas leituras.
Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social (FEFSS)
Você sabia que o FEFSS ganhou este ano o prémio de melhor fundo de pensões português atribuido pela revista britânica Investments & Pensions? Eu fiquei a saber.
Esta revista acompanha o sector dos fundos de pensões em vários países e para 2006 elegeu este fundo público como a referência nacional. No mínimo, um dado interessante a favor da opção pública na eterna discussão sobre a supremacia da gestão privada face à gestão pública. Digamos que tal supremacia prática está longe de decorrer automaticamente da simples aplicação da teoria económica mais liberal. Isto num país, recorde-se, onde várias instituições bancárias que gerem fundos de pensões de clientes, tentaram despachar para o Estado os direitos e deveres de gestão dos avultados fundos de pensões dos seus funcionários. Curiosidades a ter em conta, pois este assunto vai acompanhar-nos por muitos anos.
Certificados de aforro com procura acrescida
Procura informação sobre as alterações aos certificados de aforro anunciadas em 24 de Janeiro de 2008? Então terá interesse em ler: “Os certificados de aforro acabaram (morreram por falta de interesse)“
Continuando a acompanhar o que se vai passando com os certificados de aforro, na senda do que temos vindo a fazer aqui, hoje, através deste artigo do Diário de Notícias, “Governo aumenta emissão de certificados de aforro“, ficamos a saber que a procura por este produto de poupança, que é também uma forma de o Estado financiar a dívida pública, está em crescendo. Com a subida das taxas de juro, poupar sem risco começa a ter algum interesse. E a poupança no global como estará a evoluir? Nos últimos anos a taxa de poupança nacional não tem parado de diminuir. Será que algo vai mudar com a inversão da tendência de evolução dos juros?
Já saiu o Boletim Informativo com a Síntese da Execução Orçamental
Arquivado em: Economia Nacional, Política Económica, Política Fiscal
A fechar a semana, bem no final do dia de trabalho, a Direcção Geral do Orçamento apresenta as penultimas contas relativas à execução orçamental entre Janeiro e Novembro de 2006.
A primeira leitura aponta para um excelente ano em termos de receita com particular destaque para os impostos directos (IRS e particularmente o IRC com um acréscimo de 18,2% até ao momento…) e ainda para o Imposto de Selo (com um crescimento homólogo de 11,9%) no campo dos Impostos Indirectos.
Do lado da despesa a história final ainda não é (tão) segura (Novembro foi mais um mês de aceleração do ritmo de crescimento). Os principais factores de contenção da despesa referem-se à forte quebra das despesas de capital (cerca de -10% em termos homólogos) e, nas despesas correntes, destacam-se as que se referem a despesas com pessoal devido ao congelamento de carreiras e à redução de pessoal docente a contrato. A título simbólico a síntese sublinha que se encotra já apurado na execução o efeito da redução da transferência para a região autonoma da Madeira relativo ao 4º trimestre aprovado pelo Ministro das Finanças.
Daqui a um mês teremos os resultados finais da prova orçamental do corrente ano.
P.S.: Só mais uma “curiosidade” a arrecadação de receitas com Multas do Código da Estrado aumentou até Novembro quase 20% face ao ano anterior (54,9 milhões de euros) ficando ainda assim, muito aquém dos mais de 40% de aumento das “Taxas Diversas” que já somam mais 119 milhões de euros. O que serão estas “Taxas Diversas” pergunto eu? Alguém tem ideia? Esta contabilidade pública não é fácil de digerir…
As revisões lá fora, a economia alemã e os juros
Arquivado em: Contas Nacionais, Media, Números Estatística

“O IFO, um dos mais respeitados institutos de conjuntura económica, reviu hoje em forte alta a sua previsão de crescimento para o PIB da Alemanha, prevendo agora que a maior economia europeia cresça este ano 2,5%, mais sete décimas do que a anterior previsão. (…)”
Por cá é muito, mas mesmo muito pouco frequente fazerem-se ajustamentos de estimativa para o PIB anula desta magnitude, mais pelo pouco dinamismo económico do que pela superioridade metodológico, contudo, não deixa de ser relevante sublinhar que há jornalistas (por exemplo Bruno Proença neste Editorial do Diário Económico) que parecem crer que uma revisão de uma estimativa é uma prova inequívoca da (má) qualidade das estatísticas. O que diria (dirá) esse jornalista da notícia de hoje sobre a economia Alemã? As razões metodológicas que justificam a revisão não se poderão aplicar em Portugal e em qualquer outro país do mundo? Como é óbvio mais uma vez a crítica superficial vitimando a prata da casa está a dar. Também não é com estes contributos que batalhamos pela melhoria da sistema estatístico nacional e para qualidade da informação económica.
Quanto ao que mais interessa é bom que se confirmem estas excelentes perspectivas para a economia alemão. Menos bom é este outro efeito colateral:
«O Banco Central Europeu (BCE) voltou hoje a dar indicações de que é muito provável que as taxas de juro na Zona Euro voltem a subir ao longo do próximo ano, ao sinalizar que, mesmo após o último aumento para 3,5% decidido na semana passada, a “política monetária continua a ser acomodatícia, mantendo-se o nível baixo das taxas de juro directoras” (…)».
