As revisões lá fora, a economia alemã e os juros

juros

“O IFO, um dos mais respeitados institutos de conjuntura económica, reviu hoje em forte alta a sua previsão de crescimento para o PIB da Alemanha, prevendo agora que a maior economia europeia cresça este ano 2,5%, mais sete décimas do que a anterior previsão. (…)”

In Jornal de Negócios.

Por cá é muito, mas mesmo muito pouco frequente fazerem-se ajustamentos de estimativa para o PIB anula desta magnitude, mais pelo pouco dinamismo económico do que pela superioridade metodológico, contudo, não deixa de ser relevante sublinhar que há jornalistas (por exemplo Bruno Proença neste Editorial do Diário Económico) que parecem crer que uma revisão de uma estimativa é uma prova inequívoca da (má) qualidade das estatísticas. O que diria (dirá) esse jornalista da notícia de hoje sobre a economia Alemã? As razões metodológicas que justificam a revisão não se poderão aplicar em Portugal e em qualquer outro país do mundo? Como é óbvio mais uma vez a crítica superficial vitimando a prata da casa está a dar. Também não é com estes contributos que batalhamos pela melhoria da sistema estatístico nacional e para qualidade da informação económica.
Quanto ao que mais interessa é bom que se confirmem estas excelentes perspectivas para a economia alemão. Menos bom é este outro efeito colateral:

«O Banco Central Europeu (BCE) voltou hoje a dar indicações de que é muito provável que as taxas de juro na Zona Euro voltem a subir ao longo do próximo ano, ao sinalizar que, mesmo após o último aumento para 3,5% decidido na semana passada, a “política monetária continua a ser acomodatícia, mantendo-se o nível baixo das taxas de juro directoras” (…)».

in Jornal de Negócios.

Quem confia nas estatísticas?
Bruno PROENÇA

E afinal não houve festa. Pelo contrário, engano e decepção. Os economistas esperavam que o produto nacional registasse no terceiro trimestre uma subida face aos três meses anteriores, o que seria a prova derradeira da retoma. Ao invés, os dados oficiais mostraram uma redução de 0,2%. Os mais cínicos recordaram as anedotas sobre os fracassos dos economistas quando reivindicam poderes divinos e querem adivinhar o futuro. Os falhanços nas previsões são famosos e constantes. Afinal, os economistas só acertam numa recessão quando lhes cai em cima Mas, desta vez, têm o álibi perfeito. O Instituto Nacional de Estatística (INE) reviu os dados passados do comércio internacional e o contributo da componente externa para o produto é menos positiva, já que as importações foram superiores ao revelado pelos dados preliminares. Os valores de base das previsões estavam errados. Isto sim é preocupante, porque acontece vezes demais. As revisões das séries estatísticas por parte do INE são, infelizmente, um hábito, que coloca a nu as fragilidades do sistema estatístico nacional. O que parece ser, afinal não é. Normalmente é pior. A situação atingiu uma tal dimensão que o Banco de Portugal já alertou diversas vezes para esta situação e coloca reservas nas suas previsões, pois não confia nos dados em que se baseia A bola está do lado do INE: tem muito para fazer para melhorar a qualidade e a fiabilidade dos dados que divulga. No meio dos falhanços, os economistas acabaram por acertar nas desgraças. O investimento, uma componente fundamental para a retoma, continua em terreno negativo. E o ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, ficou a saber que está dependente de um forte desempenho da economia no quarto trimestre para que o objectivo de crescimento para 2006 (1,4%) seja uma realidade. Haverá um milagre natalício?

Diário Económico – 11 de Dezembro de 2006

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