O INE divulgou as Taxas de Juro Implícitas no Crédito à Habitação relativas a março de 2026 e revelou que a taxa de juro implícita no total de contratos existentes de crédito à habitação regista primeira subida desde janeiro de 2024 fixando-se nos 3,088%.
Tendência de 27 meses interrompida ou mero outlier?
O aumento face a fevereiro foi ligeiro (de 3,079% para 3,088%) mas é significativo por ser o primeiro em 27 meses.
Além de analisar o total de contratos, o INE averigua também como tem evoluído a situação nos meses mais recentes.
Por exemplo, segundo o INE, nos contratos celebrados nos últimos três meses, ainda se registou uma descida da taxa de juro de 2,871% em fevereiro para 2,830% em março. O INE sublinhou, contudo, que para o destino de financiamento Aquisição de Habitação, que é o mais relevante no conjunto do crédito à habitação, a taxa de juro implícita para o total dos contratos subiu para 3,086% (+0,9 pontos base do que em fevereiro).
Evolução das prestações e capital em dívida
Além das taxas de juro implícitas o INE apura igualmente, a evolução dos valores das prestações médias e do crédito em dívida.
Nestas variáveis, o INE revelou que a prestação média se fixou em € 402 euros, ou seja, €5 acima do mês anterior e mais € 4 euros que há um ano. Sendo que, nos contratos celebrados nos últimos 3 meses, o valor médio da prestação é significativamente mais elevado e está a subir: aumentou € 5 euros, para € 700, representando uma subida de 15,9% face ao igual trimestre de 2025.
Olhando a dados focados no último mês com informação conhecida (março de 2026) verificou-se que a parcela relativa a juros representou 48,8% da prestação média, cerca de €198 dos €402 (um peso relativo que tem vindo a aumentar nos últimos meses).
Por outro lado, o capital médio em dívida para a totalidade dos créditos à habitação aumentou € 584 euros, atingindo € 77 078.
A puxar estes valores claramente para cima, em termos médio, está a dinâmica dos últimos três meses nos quais o montante médio em dívida foi de € 175 838 euros, o que representa um acréscimo de € 3 976 face ao que havia sido apurado em fevereiro de 2026.
Perspetivas de futuro compatíveis com mudança de tendência
Para já a tendência de longo prazo é ainda de clara descida das taxas de juro implícitas no crédito à habitação, mas é bem provável, até pela pressão crescente sobre as Euribor (ver artigo “Euribor tem descido: impacto no crédito à habitação e certificados de aforro – abril de 2026“), que este mês tenha marcado um ponto de inflexão nessa tendência. Um cenário que só poderemos confirmar dentro de alguns meses.
