As estatísticas das Contas Nacionais Trimestrais por Setor Institucional apuradas pelo INE revelam que a Administração Pública registou défice de 0,7% no primeiro trimestre de 2026.
Administrações Públicas
Este número de -0,7% ( que corresponde a um défice de – € 510 milhões) é particularmente significativo porque, no mesmo trimestre de 2025, o saldo havia sido nulo, ou seja, face a 2025, o saldo das administrações públicas parte com uma variação negativa de 0,7 pontos percentuais e encontra-se mesmo em terreno negativo.
Por coincidência, o valor final de 2025 para o saldo das administrações públicas foi positivo em 0,7% (o simétrico ao agora verificado).
Se, em vez de olharmos para as variações homólogas trimestrais, considerarmos a informação relativa a um ano completo terminado no final do primeiro trimestre de 2026, o saldo das Administrações Públicas ainda é positivo, de 0,5%, tendo descido duas décimas face ao registado no final do trimestre anterior (ou seja, face ao valor final de 2025).
Recorde-se que, há exatamente um ano, o saldo das Administrações Públicas no ano terminado no final do primeiro trimestre (de 2025) foi de 0,6%. Ou seja, apenas mais uma décima do que agora, o que dá uma perspetiva menos preocupante da evolução recente.

Famílias e Empresas Não Financeiras
Olhando para todos os setores institucionais (incluindo o setor privado e as famílias), que também incluem o setor público, a economia portuguesa apresenta uma capacidade líquida de financiar o resto do mundo, no final do primeiro trimestre de 2026, correspondente a 2,2% do PIB nacional. Este valor continua historicamente elevado, ainda que esteja em quebra (menos duas décimas face ao ano terminado no trimestre anterior).
As famílias destacam-se por manterem taxas de poupança elevadas, face ao trimestre anterior, e por conseguirem libertar recursos para financiar o resto da economia. Naturalmente, estes indicadores são agregados, nada dizendo sobre como a situação está a processar-se por tipologia de famílias.
O INE sublinha:
O crescimento do RDB [Rendimento Disponível Bruto], conjugado com o aumento de 1,3% da despesa de consumo final (1,4% no trimestre precedente), determinou uma taxa de poupança das famílias de 12,3%. A capacidade de financiamento das damílias fixou-se em 4,1% do PIB (idêntica ao trimestre precedente), refletindo um aumento da Poupança superior ao saldo das operações de capital.
Ainda na comparação trimestral, o saldo das Sociedades Não Financeiras (SNF) diminuiu em 0,2 pontos percentuais e é claramente o mais negativo dos setores institucionais, fixando-se em -3,8% do PIB.
