Confiança de empresários e consumidores em queda
“O indicador de clima económico reforçou o movimento descendente dos quatro meses anteriores, registando o mínimo desde Setembro de 2003. No mês de referência, todos os indicadores de confiança sectoriais apresentaram um andamento negativo, especialmente intenso na Indústria Transformadora e nos Serviços.
O indicador de confiança dos Consumidores diminuiu ligeiramente em Outubro, depois de ter recuperado nos dois meses anteriores. No entanto, refira-se que, em valores efectivos sem aplicação de médias móveis de três meses, este indicador apresentou uma forte diminuição em Outubro, atingindo o mínimo histórico da série iniciada em 1986 (o mesmo valor de Julho transacto). Este comportamento poderá reflectir os desenvolvimentos recentes nos mercados financeiros“
in INE.
“(…) You’re walking. And you don’t always realize it,
but you’re always falling.
With each step you fall forward slightly.
And then catch yourself from falling.
Over and over, you’re falling.
And then catching yourself from falling.
And this is how you can be walking and falling
at the same time. (…)”
Laurie Anderson, Walking & Falling (1982)
Mais retalho a inaugurar lá para quando batermos no fundo da crise?
Há um ror de novos espaços comerciais (centros comerciais), espalhados um pouco por todo o país, com data de inauguração prevista para os próximos meses.
Milhares de metros quadrados de prateleiras serão colocados ao dispor de eventuais clientes, quer em zonas muito densamente servidas por oferta comercial concorrente, quer em zonas apenas densamente servidas por oferta comercial concorrente. Haverá a excepção que confirma a regra.
Vem-me à memória uma frase célebre do anedotário futebolístico nacional: estávamos à beira do abismo e decidimos dar um passo em frente.
Haverá margem para uma redução brutal das margens dos incumbentes ser suficiente para que todos consigam navegar até tempos melhores? O que acontecerá se as legítimas dúvidas que se colocavam quanto à oportunidade de mais oferta, em cenário não recessivo, se provarem verdadeiras e postas à prova precisamente a meio de uma forte recessão?
Com o incumprimento no crédito ao consumo a subir, com o nível de endividamento reconhecidamente alto e com o começo da interiorização de que poupar é preciso, temos os ingredientes para uma bela sopa no retalho nacional.
Novo blogue de Economia
Trata-se de um blogue dinamizado pela Sedes: http://www.sedes.pt/blog/
Recordo que a Sedes é presentemente dirigida por Luís Campos e Cunha.
(via Pedro Lains)
Salário mínimo para 2009
Tal como já aqui se havia avançado em Dezembro de 2007, perspectiva-se que o salário mínimo em 2009 se fixará em 450€. Recordando o que ficou acordado:
“Segundo esse plano, o valor do salário mínimo para 2009 deverá fixar-se nos 450€, subindo depois para próximo dos 475€ em 2010, de modo a que no ano 2011 se atinja um SM de pelo menos 500€.”
Pela parte que me toca, acho que é um risco que se deve correr, o de este aumento acima da inflação poder colocar sob maior pressão algumas empresas.
Curiosidade Caixa Azul
Eis que a CGD “desprivatiza” a segmentação de clientes e assume a política como uma mais-valia: anuncia-se o serviço Caixa Azul.
Quase tudo o que precisa de saber sobre os Fundo de Investimento Imobiliário em Arrendamento Habitacional (FIIAH)
Absolutamente imperdível, o editorial de hoje do Jornal de Negócios de Pedro S. Guerreiro “Banqueiros do Povo“. Reservei opinião para saber mais detalhes, o Jornal de Negócios antecipou a deixa, muito bem.
Um excerto:
“(…) Dizer que pagar menos por mês é bom negócio é abusar do desconhecimento dos clientes. É tão errado como dizer que estender o crédito à habitação sai mais barato. É mentira: quanto mais longo é o contrato, menos capital se amortiza por mês, logo maior valor de juros se paga. Aumentar a vida dos contratos é sempre pior do que diminuí-la, só se deve fazê-lo em último caso.
Outra pista falsa está na promessa de que as casas serão compradas aos preços definidos por peritos independentes. Basta ver que as avaliações oficiais foram nos últimos anos sempre inferiores aos preços de transacção. E se assim for, os aflitos venderão as suas casas por menos do que as compraram, até porque os preços de mercado também desceram.
Poderão as famílias recusar? Dificilmente. Se estão aflitas, não estão em condições de negociar, têm de optar entre verem o património executado pelo banco ou aceitar a proposta do fundo.
Os fundos dão lucros aos investidores, limpam os balanços dos bancos e aliviam os bolsos dos aflitos. Mas é preciso garantir que a vulnerabilidade dos aflitos ou a indiferença dos contribuintes não esteja a ser explorada. Faça as contas antes de fechar negócio. O inferno tem fila à porta de financeiros americanos mas ainda lá há espaço para as boas intenções dos portugueses.”
Eu acho que o PIB vai crescer cerca de 0,314%, mais coisa, menos coisa
Se não fosse triste seria divertido ouvir Manuela Ferreira Leite e Teixeira dos Santos degladiarem-se sobre que valor assumirá a taxa de crescimento variação do PIB em 2009. É que de 0,3 para 0,6 vai uma grande diferença dizem. Ui, então não vai, mais que não seja porque 0,3 arredonda para 0 e 0,6 arredonda para 1. Haja pachorra! O que distingue as duas estimativas pouco mais é que a margem média de revisão dos valores divulgados pelo próprio INE.
Não há mesmo nada mais interessantes para discutir? Por aqui, só com um pouquito menos de superficialidade reconheço, faz-se uma primeira tentativa: “Um orçamento que já não será avaliado nas eleições “.
