Depois de cerca de três meses de estabilização, a Euribor a 3 meses voltou a cair abaixo dos 2% pela primeira vez desde 6 de novembro de 2025, ao registar 1,999% no dia 6 de fevereiro de 2026. Este registo ocorre no dia seguinte a mais uma reunião do Banco Central Europeu e parece indiciar que o mercado poderá esperar a retoma de descida das taxas diretoras desta instituição, o que a suceder, teria impacto, entre outros, nas euribor.
ADENDA 10/2/2026: Entretanto, a euribor a 3 meses desceu novamente ao longo da semana fixando-se nos 1,981% no dia 10 de feveiro, definindo uma tendência de descida e registando um valor que já não se apurava desde 25 de setembro de 2025.
O que poderá levar o BCE a retomar a descida de taxas?
O objetivo central do BCE continua a ser o mesmo de sempre, garantir que a inflação da Zona Euro não se afaste dos 2%, seja por excesso, seja por defeito. Neste momento em que escrevemos este artigo (fevereiro de 2026), a inflação da Zona Euro está mais próxima de se desviar do objetivo de 2% por defeito. De facto, em janeiro, a inflação da Zona Euro tinha-se fixado nos 1,7%, registando assim uma queda face aos 2% de dezembro de 2025.
Este número, por si só, não deverá justificar uma intervenção, mas sinaliza que a observação dos preços se estará a fazer mais no sentido de antecipar se se está a gerar uma tendência de médio prazo abaixo dos 2%. Para esta possível projeção poderão contribuir fatores relacionados com alterações no comércio internacional, seja por via da incerteza provocada pelo comportamento errático dos EUA ao nível da sua política tarifária, seja pela materialização das consequências de medidas já tomadas no passado, seja ainda por poderem começar a surtir efeito outras apostas associadas à diversificação de acordos de política comercial da União Europeia com outros parceiros.

Note-se que o euro face ao dólar se encontra num câmbio incomum desde a sua fundação (1,18 dólares por euro a 6 de fevereiro, tendo cotado a valores de 1,20$/€ muito recentemente), registando um patamar que torna as importações dos EUA especialmente económicas (onde se incluem, por exemplo, as crescentes importações de gás natural liquefeito, entre muitas outras).
A manutenção deste cenário poderá levar a uma redução das pressões inflacionistas, especialmente impactantes por afetarem os custos da energia, atualmente a registarem descidas de preços face ao período homólogo, que acabam por ter impacto transversal na própria produção da indústria e serviços e seus preços.
Resta saber quais são os impactos do lado do escoamento das exportações europeias que, para os países que negociam em dólares, estarão a ficar mais dispendiosas.
Em suma…
Certo é que, com as taxas diretoras fixas nos 2% já há alguns meses e com a economia europeia próxima do pleno emprego, mas sem especiais tensões inflacionistas ao nível dos salários, o mercado dá os primeiros sinais de considerar mais provável que, a haver mudanças no curto prazo, serão mais provavelmente no sentido de descida e não de subida.
Boas notícias para quem está diretamente endividado ou para quem está a considerar investir com recurso a crédito. Ainda assim, são notícias carregadas de elevada incerteza, a acompanhar nos próximos meses para obter uma melhor definição.