O Banco de Portugal apresentou recentemente a análise dos depósitos a prazo em 2025. Apresentamos alguns pontos merecedores de destaque sobre a evolução dos depósitos a prazo a particulares e suas taxas, em 2025, em relação a 2024.
Numa frase, os juros desceram bastante, mas os mantantes depositados continuaram a aumentar significativamente, batendo recordes históricos.
Vejamos com mais algum detalhe:
- A taxa de juro média dos novos depósitos de particulares diminuiu 0,80 pontos percentuais em 2025, para 1,36%;
- Em 2025, o montante de novas operações de depósitos a prazo de particulares totalizou 144,3 mil milhões de euros, mais 14,7 mil milhões de euros do que em 2024. Este é o valor anual mais elevado desde o início da série, em 2003.
- A diminuição da remuneração média foi transversal a todos os prazos. Nos novos depósitos com prazo até 1 ano, que representam 95% do total dos novos depósitos, a taxa de juro média desceu 0,80 pp, de 2,17%, em dezembro de 2024, para 1,37% em dezembro de 2025.
- Nos novos depósitos com prazo de 1 a 2 anos, que corresponderam a 4% do total em 2025, a remuneração média reduziu-se 0,40 pp, passando de 1,73%, em dezembro de 2024, para 1,33% em dezembro de 2025.
- Já nos novos depósitos com prazo superior a 2 anos (que mantiveram um peso residual, representando 0,4% do total), a taxa de juro média diminuiu 0,13 pp, de 1,26%, em dezembro de 2024, para 1,13% em dezembro de 2025.
- Portugal compara muito mal com os nossos parceiros em termos de remuneração dos depósitos a prazo, com a banca nacional a oferecer taxas claramente inferiores à maioria dos países. De facto, só em 3 dos 20 países da Zona Euro (ainda sem incluir a Bulgária que aderiu já em 2026) ofereceram taxas de juro médias inferiores: Grécia,Chipre e Eslovénia.

E olhando apenas para novembro e dezembro de 2025?
Em dezembro, os empréstimos às empresas nacionais até um ano de prazo subiram 3,66%, aumentando 0,01 pontos percentuais (pp) face a novembro, em linha com quase todos os restantes novos empréstimos. Do lado dos depósitos, alguns dos juros passaram a ser um pouco mais generosos.
E quanto aos restantes empréstimos às empresas?
Se considerarmos todos os novos empréstimos às emempresas,ncontramos uma variação um pouco maior: +0,02 pp, passando de 3,68% para 3,70%.
Para novos empréstimos com montantes até 0,25 milhão de euros e até 1 milhão de euros as taxas de juro cobradas pela banca aumentaram para 4,13% e 3,78%, respetivamente, após terem registado valores de 4,06% e 3,71% em novembro. Só nos empréstimos acima do milhão de euros é que se registou uma descida de 0,01 pp.
E quanto aos depósitos às empresas e às famílias?
Um dos indicadores habituais para avaliar a evolução dos novos depósitos a prazo às empresas e às famílias em Portugal é a taxa de juro média dos novos depósitos com prazo acima de um ano e, em dezembro de 2025, esse valor aumentou 0,28 pontos percentuais face a novembro, fixando-se nos 1,52%. Ainda assim, são mais 2,14 pontos percentuais do que o juro médio cobrado aos empréstimos mais populares (até um ano), um diferencial muito superior ao praticado no mesmo período em Espanha (1,78 pp) e, em particular, na Alemanha (0,81 pp).
Na prática, a banca nacional continua a suportar-se de forma mais evidente no diferencial das taxas de juro que cobra e que paga face aos seus pares europeus.
Se limitarmos a análise dos depósitos a prazo apenas às famílias, a taxa de juro média de novos depósitos a prazo até um ano fixou-se, em dezembro de 2025, nos 1,36% descendo 0,01 pp face a novembro.
