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Quanto falta para o PIB atingir o patamar de 2019?

No dia em que o INE divulga uma atualização da sua estimativa das Contas Nacionais Trimestrais para o PIB português referente ao 2º trimestre de 2021 fomos comparar o PIB agora revelado com o apurado em 2019, tanto em volume (corrigindo do efeito da variação dos preços) como em valor (sem corrigir o efeito de preços). No fundo, responder a quão longe estamos do PIB atingir o patamar de 2019 e regressar ao ponto de produção nacional em que estávamos no último ano não afetado pela pandemia.

 

Quanto falta para o PIB atingir o patamar de 2019?

Uma das formas de comparar o PIB atual com o registado em 2019 é agregar os dados relativos ao ano completo terminado em cada trimestre. Ou seja, com a difusão dos dados referentes ao 2º trimestre de 2021, utilizámos a informação do INE relativa aos últimos quatro trimestres e chegámos ao PIB num ano completo assumindo que o ano termina no 2º trimestre.

Fizemos o mesmo para 2019 considerando que o ano fechou no 2º trimestre de 2019 a assim sucesivamente quando quisemos comparar trimestres anteriores.

Na prática, estamos a comparar a produção interna bruta gerada entre o 3º trimestre de 2020 e o 2º trimestre de 2021 com a gerada entre o 3º trimestre de 2018 e º 2º trimestre de 2019. Com esta regra podemos andar para a trás e para diante (à medida que surgirem novos trimestres de informação) e poderemos ir fazendo a comparação.

Adicionalmente, há ainda que escolher se pretendemos comparar os dados a preços de mercado também designados como dados em valor (sem corrigir para as diferenças de preços que se foram acumulando ao longo do tempo entre os dois períodos) ou a preços encadeados que procuram eliminar esse efeito preço e comparar volumes de produção.

Optámos por apresentar as duas visões, em valor e em volume.

 

Em volume:

No ano terminado no 2º trimestre de 2021, o PIB a preços encadeados continua num patamar inferior ao registado no período comparável terminado no 2º trimestre de 2019 mas começou a melhorar, sendo o patamar agora de -4,5% quando no ano terminado no trimestre anterior havia sido de -7,2%. Aliás, esses -7,2% haviam sido o pior valor desde o início da pandemia. Se repetíssemos esta conta para o 4º trimestre de 2020 (-5,3%) e para o 3º trimestre de 2020 (-3,1%) concluiriamos que foi precisamente no ano que mediou entre o 2º trimestre de 2020 e o 1º trimestre de 2021 que mais longe estivemos do PIB gerado antes da pandemia.

Ou seja, com a entrada da produção do 2º trimestre de 2021 e a saída do 2º trimestre de 2020 da soma que nos dá o ano completo terminado em junho de 2021, Portugal recuperou quase 3 pontos percentuais de PIB face ao nível base pré-pandémico, registado entre o 3º trimestre de 2018 e o 2º trimestre de 2019.

PIB a Preços Encadeados (Volume)
Ano completo face a homólogo Ano completo face a 2019
Ano completo no 2ºT 2019 2,6%
Ano completo no 3ºT 2019 2,5%
Ano completo no 4ºT 2019 2,5%
Ano completo no 1ºT 2020 1,3%
Ano completo no 2ºT 2020 -3,4% -0,9%
Ano completo no 3ºT 2020 -5,4% -3,1%
Ano completo no 4ºT 2020 -7,6% -5,3%
Ano completo no 1ºT 2021 -8,4% -7,2%
Ano completo no 2ºT 2021 -1,1% -4,5%

 

Em valor:

Em valor, o ano completo no 1º trimestre de 2021 foi também o que colocou maior distância face ao nível de produção pré-pandémico (-3,4%), registando-se uma recuperação quando avançamos para o ano completo terminado no 2º trimestre de 2021 onde a diferença face ao nível pré-pandémico foi de apenas 1,1%.

 

Em suma:

Nestas contas menos reativas ao curto prazo e que nos dão uma perspetiva menos influenciável por fator sazonais, mais suave e mais completa por abrangerem um ciclo anual completo, constata-se que, em valor, poderemos ultrapassar o nível pré-pandémico já no 3º trimestre de 2021 enquanto que em volume o juri ainda está a deliberar, sendo mais provável que sejam necessários mais um ou dois trimestres sem pandemia para que tal aconteça.

Como curiosidade, se compararmos 2021 com 2020, temos que no ano terminado no 2º trimestre de 2021 ainda está 1,1% abaixo do patamar de 2020, em volume, mas já o supera marginalmente, por 0,1% em valor.

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