Funcionários públicos não vão receber 20% do que perderam com a austeridade

A conta apresentada no DEO é simples “Para 2015, a reversão de 20% da taxa de redução aplicada atualmente(…)” contudo por redução aplicada atualmente entende-se apenas o impacto monetário nominal expresso nos salários brutos. Ou seja, estes 20% que se deverão devolver não incidem nem sobre o aumento acumulado da taxa da ADSE que se registou (2 pontos percentuais do salário bruto a mais do que antes de se iniciar austeridade), nem tão pouco sobre a redução da remuneração horária que afetou a maioria dos funcionários públicos que tiveram de passar a trabalhar mais uma hora por dia (cerca de mais três dias por mês) para o mesmo salário (redução dos salário/hora de cerca de 14%).

As contas finais de quanto representará, na prática, a devolução agora anunciada e que ainda terá de ser inscrita no orçamento do estado para 2015 ficarão, por estes factos, bem distantes de 20% do que foi perdido. Mesmo que a devolução salarial fosse de 100% e não de 20%, como se vê, a redução de remuneração real seria de cerca de 16% do salário horário anterior. Isto sem contar com a evolução da inflação ao longo do período, naturalmente.

Alterado às 13h17: acrescentada a última frase.

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