Deutsche Bank: Ter empréstimos em euros numa sucursal estrangeira pode revelar-se experiência muito amarga? (act.IV)

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Uma das notícias financeiras do dia é esta do jornal i, “Depositantes nacionais procuram segurança no Deutsche Bank” que aborda a vantagem para depositantes no Deutsche Bank agora que os balcões existentes em Portugal passaram a incorporar um banco de direito alemão (até Agosto era português). A vantagem advirá não das taxas de juro que, segundo o jornal (e segundo a nossa pequena investigação) são mais baixas que as da generalidade dos bancos a operar em Portugal, mas antes da segurança de que, perante uma saída de Portugal do Euro, os depósitos não sejam automaticamente convertidos em “novos escudos” com as mais que previsíveis consequências ao nível da desvalorização da nova moeda face ao euro.

A notícia leva-nos, contudo, a um outro lado da moeda que, poderá ser ainda mais relevante em termos nacionais. Desde o início da escalada dos spreads, os bancos com suporte não nacional (sejam de direito português ou não) têm vindo a ser os que oferecem os melhores spreads e condições de recurso ao crédito, nomeadamente ao crédito à habitação. Ainda hoje, contactando agentes imobiliários, é comum estes recomendarem bancos como o Deutsche Bank como sendo dos “últimos redutos de crédito à habitação disponíveis”, ainda que exigentes quanto às garantias pedidas e ao perfil de rendimentos do devedor.

Ora se para os depósitos se admite como legítimo que um banco ao mudar de sede social fique livre de ter de respeitar a mudança de titularização de moeda de euros para escudos, supomos que o mesmo sucederá quanto aos empréstimos, podendo, nesse caso, a situação transformar-se num pesadelo para quem tem dívidas junto de sucursais de bancos não nacionais. Porquê? Porque se passar a receber rendimentos em escudos mas a sua dívida continuar em euros, de forma quase instantânea, verá a sua dívida disparar para valores que podem revelar-se incomportáveis. Se o escudo desvalorizar 30% (número aceite como provável), o empréstimo aumenta 30% em valor… Este raciocínio baseia-se no paralelismo feito tendo por base o artigo do I. Vamos tentar obter um esclarecimento junto do Banco de Portugal.

Seria interessante ter jornalistas profissionais a pedir um aclaramento desta situação.

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9 Comentários

  • Pingback:E se Receber em Escudos e Pagar em Euros? | Maisvalias

  • Pingback:“A única vantagem de deter um crédito numa moeda mais forte era se este fosse indexado a uma taxa de juro mais baixa” | Economia e Finanças

  • Francisco FredericoResponder

    Boa noite,

    tenho o meu crédito à habitação na Caixa Galícia e gostaria de saber se se trata de um banco de direito português ou espanhol. Poderei correr o risco que é descrito neste post em relação ao Deutsche Bank? Muito obrigado.

  • MapariResponder

    Não participa do Fundo de Garantia de Depósitos português (http://www.fgd.pt/pt-PT/EntidadesParticipantes/Paginas/default.aspx) e não a identificámos inequivocamente no sítio do Banco de Portugal. Sem certeza absoluta, parece-nos uma sucursal da casa mãe e como tal de direito espanhol. Por favor confirme junto do próprio banco, dado que é cliente.

  • marinaResponder

    um pedido de esclarecimento tem no mesmo banco deustche um credito habitação este é convertido em euros, e as restantes aplicações por exemplo deposito a prazo, na mesma conta tambem é convertido ?

  • MapariResponder

    Marina, não entendi a pergunta.

  • marinaResponder

    passo a explicar melhor:
    para quem tem um emprestimo habitação no deutsch se portugal sair do euro esse emprestimo pode aumentar 30% e o que acontece aos depositos a prazo nesses mesmo banco é valorizado em 30% ??

    n

  • MapariResponder

    Assumindo que o cenário se concretiza (saída do euro e menutenção de tudo o que está no DB em euros) sim. Ou se quiser, os depósitos não se desvalorizam os tais 30% (poderão ser 20% ou 50%, não sabemos com rigor) como sucederá com os que passarem de euros para a nova moeda nacional. É aliás esse o sentido da peça do jornal i cuja ligação surge no artigo.

  • Francisco FredericoResponder

    Boa tarde. Acabo de confirmar, junto da Caixa Galicia, agora designada Novacaixagalícia, que se trata de uma sucursal, em Portugal, da casa-mãe, e, como tal, sujeita ao direito espanhol.

    Está, por conseguinte, dispensada de participar no fundo de garantia de depósitos do Estado de acolhimento da Sucursal, uma vez que participa de um fundo equivalente, o Fondo de Garantia de Depósitos em Cajas de Ahorro.

    Em suma, aplica-se-lhe o mesmo caso do Deutsche Bank, como já aqui foi explicado, num cenário hipótetico da saída de Portugal do Euro.

    Já agora, lanço um desafio ao dono deste blog: que tal fazer uma lista de bancos a operar em Portugal não sujeitos ao direito português como estes dois aqui apresentados?

    Bom trabalho!

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