Crise da dívida soberana: Reestruturar já?

Mais um artigo que recomendamos para ir construindo opinião sobre a nossa actual crise. Desta vez trata-se de uma entrevista a um especialista internacional em crises financeiras, o argentino Rodrigo Olivares-Caminal,  que encontrámos no Jornal de Negócios: “Portugal estaria claramente melhor com uma reestruturação antes do resgate do FMI e UE (clique aqui para ler na íntegra)“. Dois pequenos excertos:

“(…) Muitos economistas defendem que uma reestruturação, pelo menos na Grécia, mas também na Irlanda e Portugal, é inevitável. Se assim é, porque é que não acontece de uma vez?
Numa fase muito inicial, os líderes europeus tentaram salvar a Grécia, pensando que, assim, acalmavam os mercados para, logo que possível e sem ninguém esperar, anunciarem uma reestruturação. Não foi o que aconteceu porque os mercados não acalmaram mas, digo-lhe: na Grécia vai acontecer. É inevitável.

Porquê?
Dada a dinâmica da dívida, não vai ser possível resolver o problema só com austeridade. E os mercados já sabem isto: as obrigações gregas estão hoje a desconto de 70%. Além disso, com o empréstimo internacional a Grécia quase duplicou a sua dívida pública, estando a passar a mesma dor de ajustamento, mas sem reestruturação.  (…)

Fala de reestruturação quase como se não houvesse efeitos negativos…
Eu conduzi um estudo para as Nações Unidas onde chegámos a duas grandes conclusões. Por um lado, não há assim tantos efeitos negativos. Por outro, o mercado distingue claramente quando um “default” é oportunista/político – como o do Equador em 2009 – ou se é o resultado de uma situação de elevado “stress” económico e financeiro – como acontece na Grécia e em Portugal. Nestes casos, há um efeito reputacional, mas não é assim tão elevado. (…)

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