Um episódio sobre o estudo da pobreza em Portugal
Arquivado em: Economia Nacional, Números Estatística, Pobreza / Riqueza, Segurança Social
O meu texto publicado hoje no Jornal de Negócios: “Pobreza: O estranho caso dos indicadores desaparecidos“.
Um excerto:
“No final da década de noventa, a pretexto de uma das muitas reestruturações que presenciei nos cerca de 10 anos de carreira que passei no INE, fui convidado a integrar uma equipa que tinha por objectivo efectuar investigação e desenvolvimento de metodologias de identificação e quantificação da pobreza em Portugal.
Tinha chegado à casa uma nova vogal para o conselho de administração (Lídia Barreiros), oriunda do Eurostat, com particular sensibilidade e especiais pergaminhos no estudo da pobreza.Numa sucessão feliz de eventos, formou-se uma equipa empenhada, que pôde começar, quase do zero, a formação nesta área, abordando um tema, até ali, com poucas tradições entre as estatísticas oficiais. A formação teve sequência a nível nacional, contactando com os melhores especialistas e também marcando presença em fóruns internacionais. Foram-se criando contactos e caminhos para, no espaço de poucos anos, estarmos em condições de apresentar propostas louvadas e reconhecidas entre quem sabia do tema, aquém e além mar. Explorando a informação que o INE vinha recolhendo anualmente, junto de milhares de famílias, através do então Painel Harmonizado de Agregados Familiares da União Europeia, fomos complementando a tradicional medição da pobreza monetária (o necessariamente limitado indicador oficial da UE) com outras medidas que procuravam captar dimensões adicionais da pobreza. Foi assim que chegamos a um índice de pobreza segundo as condições de vida (baseando-se no acesso/privação a bens e serviços), outro para a pobreza subjectiva (aferido por auto-avaliação dos próprios), outro para identificar a pobreza persistente (durante quanto tempo a mesma família persiste como pobre segundo os restantes indicadores) e, mais tarde, em colaboração com o instituto Ricardo Jorge, esboçamos um indicador de pobreza absoluta, apurando o valor para um cabaz básico indispensável para assegurar a subsistência. Simultaneamente, fomos analisando o impacto das transferências sociais em alguns dos indicadores produzidos, de modo a aferir a eficácia das políticas sociais. Vem este relambório a propósito de uma novidade recente que encontrei, por acaso, no Diário da República. No passado dia 4 de Julho, o Parlamento aprovou sob uma proposta de dois deputados socialistas, Ricardo Rodrigues e Ana Catarina, uma resolução na qual se “Recomenda a definição de um limiar de pobreza e a avaliação das políticas públicas destinadas à sua erradicação”- Resolução da Assembleia da República n.º 31/2008*. (Continua aqui)”
Mau clima em pleno Verão
O 2º trimestre ameaça ser o pior do ano em termos económicos. Se calhar o melhor mesmo é desejar que seja efectivamente o pior do ano.
“O indicador de clima económico manteve em Julho a evolução negativa observada no mês anterior. Em Julho, tal como no mês anterior, todos os indicadores de confiança sectoriais apresentaram um andamento negativo.
O indicador de confiança dos Consumidores acentuou a sua tendência negativa, reflectindo sobretudo um maior pessimismo sobre as perspectivas de evolução da situação económica do país.”
Mais informação aqui (INE).
O que é que consegue comprar por 5 dólares?
Um grupo de estudos da Nokia criou um site (fivedollarcomparison.com) onde qualquer pessoa, em qualquer parte do mundo, pode submeter fotos do que consegue comprar por 5 dólares no país onde vive. Dizem eles, traduzindo livremente, que se estão a focar em identificar e perceber futuras disrupções e oportunidades, olhando 3 a 15 anos no futuro e que pretendem usar os resultados para desenvolver novas ideias para produtos e serviços. Esquecendo então que estas pessoas que submetem as suas fotos estão a ajudar a Nokia à borla, este projecto podia ter sido inventado pela Economist…uma espécie de indíce Big Mac ao contrário!

- Gasolina nos EUA
Ver: uma ida ao cabeleireiro no Uganda, um galão de Diesel nos EUA (aproximadamente 3.8 litros), uma gasosa em Itália, um saco de detergente para lavar loiça na Finlândia, uma caixa de metal trabalhado para guardar o Corão na Índia.
Cláudia Dias
Quando devo levar o automóvel à inspecção?
Quando um veículo ligeiro de passageiros completa quatro anos sobre a data da matrícula o seu proprietário sabe que terá de levá-lo à inspecção, seguindo-se posteriormente inspecções a cada dois anos até completar oito anos. Para além desta idade as inspecções obrigatórias são anuais.
Até aqui nada de novo? Muito bem, mas houve de facto uma alteração recente: a inspecção deve ser feita o mais tardar até ao dia de aniversário do automóvel, podendo ser realizada nos três meses anteriores. Até aqui o que contava era o mês de aniversário, agora, deveido à proverbial tendência do português em deixar tudo para a última hra (ou seja para os últimos dias de cada mês) o Estado força a que as inspecções se distribuam ao longo de cada mês. Se tem um carro que já está sujeito a inspecção verifique a data de matrícula que poderá encontrar no seu livrete.
Analistas financeiros com melhor acreditação
A recente crise financeira, os sucessivos tiros ao lado de algumas análises, a dificuldade de distinguir o trigo do joio; vários factores levaram o regulador que se ocupa do mercado mobiliário a tentar aumentar os padrões de qualidade e de credibilidae da análise financeira que chega aos investidores. No fundo, esta notícia : “CMVM coloca em consulta pública proposta de alteração ao regulamento de intermediação financeira“, actualiza o assunto aqui abordado “Análise financeira: “Só ao fim de alguns anos os analistas começam a dominar a matéria.”
Quando o cliente não é o melhor activo bancário
Há dias o Rui citava aqui um texto sobre o cliente como melhor activo bancário. Quase ao mesmo tempo o Pedro Rebelo relatava com angustiante minúcia a fraude com o seu cartão do Barclays e a (falta) de serviço do seu banco de anos:
À chegada, está um único Cliente na agência e nenhum dos colaboradores se encontra ao telefone. Não entendo porque ninguém me telefona tendo em consideração os vários pedidos de contacto urgente.
A saga continua aqui e aqui, até ao momento, decorridos quase dois meses após o primeiro contacto, não há notícias de qualquer decisão do banco para resolver o problema do seu cliente ou sequer de “serviço” digno desse nome.
O que o Barclays talvez não saiba ainda é que um (bom) cliente poderá criar um passivo para a instituição: na era dos media sociais um cliente individual pode levantar a voz, ampliado por outros e ser ouvido por muitos.
Será exagero considerar que alguém deve deixar de ser cliente do Barclays por causa desta série de falhas do banco: todos os bancos têm deficiências nos seus serviços e falhas na forma como gerem os seus “melhores activos”.
Todavia, é legítimo considerar que entre as centenas de leitores que acompanharam os relatos do Pedro alguns pensarão duas vezes antes de se tornarem clientes do Barclays Bank e poderão optar por outro banco em virtude desta experiência partilhada.
As perdas mais sérias poderão estar nos resultados do Google: muitos poderão chegar aos artigos através dos resultados do Google, se entretanto o banco não recorrer a serviços de search engine optimization para gerir a sua reputação online e limitar os danos.
Os relatos do Pedro, bem escritos, credíveis, extremamente críticos e ao mesmo tempo equilibrados, do “seu” banco são puro veneno para quem, indeciso, digita no Google o nome do banco. O facto de o Pedro trabalhar para um banco concorrente não lhe retira credibilidade alguma, acrescenta-lhe.
António Dias
Será o segundo trimestre o pior do ano de 2008?
” (…) No plano interno, o indicador de clima económico, já disponível para Junho, e o indicador de actividade económica, disponível para Maio, agravaram-se significativamente. Ao nível da procura interna, o consumo privado terá desacelerado em Maio, em resultado da deterioração observada quer no consumo corrente, quer no duradouro. O indicador de investimento também apontou para um abrandamento desta variável em Maio, devido ao agravamento apresentado em todas as componentes, mas sobretudo na de construção. No mesmo mês, do lado da oferta, a informação dos Indicadores de Curto Prazo (ICP) revelou um menor dinamismo nos sectores dos serviços, indústria e construção. Refira-se, no entanto, que nos últimos meses o andamento destes indicadores foi em parte influenciado por efeitos de calendário. Ainda relativamente a Maio, em termos nominais, ter-se-á verificado uma desaceleração das importações (6,4 p.p.) e das exportações (4,8 p.p.), comportamento também parcialmente explicado por efeitos de calendário.
Em Junho, a inflação homóloga foi de 3,4%, mais 0,6 p.p que no mês anterior, atingindo o máximo dos últimos dois anos. O diferencial entre o Índice Harmonizado de Preços no Consumidor (IHPC) da AE e de Portugal diminuiu 0,3 p.p. em Junho para 0,6 p.p.. (…)”
Mais detalhes na publicação do INE.
