INE divulga Inquérito às Despesas das Famílias 2005/2006

O mais importante, extenso, dispendioso e útil inquérito do INE às famílias (infelizmente ainda apenas com periodicidade anual, bem abaixo da referência europeia) foi hoje divulgado na sua versão que contem os dados recolhidos entre 2005 e 2006.

Trata-se do IDEF (Inquérito às Despesas das Famílias, anteriormente designado de Inquérito aos Orçamentos Familiares). Este inquérito contém informação fundamental para o apuramento da estrutura da despesa das famílias (fulcral para o cálculo da inflação), contém informação sobre as condições de vida materiais e subjectivas (auto-avaliação pelas famílias), assim como sobre os rendimentos familiares. A informção permite conhecer estruturas demográficas, permite comparações internacionais, permite afinar e desenvolver estudos detalhados sobre a pobreza, permite calibrar outros inquéritos menos ambiciosos mas mais regulares feitos às famílias, entre outros.

Em suma, permite conhecer melhor o país em que vivemos. Infelizmente, o seu período de referência inicial atrasou-se devido a contingências várias que acabam por já ser habituais e as quais o INE, não sendo inteiramente alheio, acaba sempre por se ver forçado a assumir.

Diria que se repetem os problemas da receita (que teima em não funcionar à primeira), das omeletes, dos ovos e dos caprichos da galinha que os põe. Obstáculos ultrapassados, recomenda-se a leitura; disponível aqui.

E a inflação não pára

Os consumidores atravessam uma fase depressiva e a inflação não pára de aumentar (3,5% em Março na Zona Euro). Já ouviu falar em estagflação? Pois é.

Obras Públicas em alta, confiança nos consumidores continua a degradar-se

O sector da Construção, particularmente as empresas dedicadas maioritariamente à construção de obras públicas e, ainda que com menor intensidade, à construção de edifícios não residenciais destacam-se pelo crescimento sustentado dos seus níveis de confiança nos últimos meses. Por outro lado entre os consumidores repetem-se múltiplos mínimos históricos. Eiso resumo do destaque acabado de publicar pelo INE sobre indicadores de confiança:

INE

“O indicador de clima económico recuperou ligeiramente em Março, situando-se ao nível registado em Dezembro.

O indicador de confiança dos Consumidores continuou a diminuir, embora menos intensamente em Março do que nos meses anteriores, registando o mínimo desde Junho de 2003.

Na Indústria Transformadora, o indicador de confiança agravou-se, devido à diminuição do saldo das respostas extremas (SER) das opiniões sobre a procura global, interrompendo o movimento ligeiramente ascendente dos dois primeiros meses do ano.

Na Construção e Obras Públicas, o indicador de confiança recuperou nos três primeiros meses do ano, registando o valor mais elevado desde Outubro de 2002.

No Comércio, o indicador de confiança recuperou em Março, mais do que compensando a diminuição dos dois meses anteriores. A evolução do indicador foi determinada apenas pela recuperação observada no Comércio por Grosso.

Nos Serviços, o indicador de confiança recuperou ligeiramente em Março, devido à evolução positiva das perspectivas de procura, interrompendo o movimento descendente dos três meses anteriores.

Em Março, o indicador de confiança dos Consumidores manteve a tendência descendente anterior devido ao contributo negativo das componentes de expectativas sobre a evolução da situação económica do país e financeira das famílias, tendo as restantes componentes recuperado. As perspectivas sobre a evolução da situação económica do país apresentaram o contributo negativo mais expressivo pelo sexto mês consecutivo.”

Aos poucos a imprensa lusa vai percebendo que tem mais a ganhar

28/03/2008 por Rui Cerdeira Branco · Deixe um comentário
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Aos poucos a imprensa lusa vai percebendo que tem mais a ganhar com a aposta na simbiose com os blogues do que em diabolizá-los.

O Público que insiste na sua política de restrição de acesso na edição impresa abriu esta semana ligeiramente a porta, piscando o olho à net ao activar o velhíssimo sistema de trackback que fomentou e fomenta a interacção na blogoesfera.

BloggerO Portugal Diário, numa operação de actualização do seu portal noticioso resolveu-se a seleccionar alguns blogues especializados e a recomendá-los juntamente com os blogues dos seus editores e jornalistas. Outro tipo de piscadela de olhos que leva a ligações como esta e que acaba por ser um serviço útil para o leitor comum, particularmente aquele que anda meio perdido em busca de “outra informação/entretenimento”, minimamente recomendada e recomendável.

O serviço publico de sindicância do Economia & Finanças está neste momento a ser usado e difundido pelo Portugal Diário. Tiveram a gentileza de pedir ainda que não fosse necessário, pelo menos para o uso que actualmente fazem desse serviço; da minha parte, isento de críticas.

Dizem-me que o novo enamoramento entre media profissionais e a blogoesfera terá outros episódios em breve na nossa aldeia. Aguardemos.

Como controlar que o retalhista passou a descida do IVA para o cliente?

Quando o IVA de um produto ou serviço passa de 21% para 5% não me parece muito complicado verificar se os vendedores/prestadores de serviços responsáveis pela distribuição desse bens estão a engordar a margem (de forma concertada ou não) por via da não actualização do preço final que cobram. Tenho em mente o caso dos ginásios, naturalmente. Mas mesmo assim será uma tarefa que exige cautela e que exige investimento por parte do regulador para não cometer injustiças nem violar abusivamente a livre concorrência.

Cobrança de Impostos Quando a alteração do IVA se resume a um ponto percentual a ameaça de fiscalização com o fito de verificar se a descida do imposto está a ser passada para o cliente parece-me que não poderá passar disso mesmo, de uma “ameaça” para por o boi a dormir.

Qual é o produto que neste momento não tem preços de comercialização com divergências entre estabelecimentos superiores a 1% (em bom rigor superiores a 0,82% que é o impacto no preço final da queda do IVA em um ponto percentual)? A pergunta é retórica só em parte pois há de facto produtos, particularmente aqueles cuja comercialização obedece a contrato, onde é fácil verificar o cumprimento ou não da passagem do IVA para o consumidor final. Por exemplo, a factura da TV por cabo. Mas há de facto uma larguíssima fatia de bens e serviços em que é impossível com clareza e justiça avaliar ou imputar as oscilações de preço (ou não oscilações) à gestão comercial da anunciada descida do IVA. Já para não falar do complicação nos arredondamentos que haveriam de surgir em algumas situações.

Ontem, por exemplo, dizia-se que a descida do IVA teria um impacto esperado de 1 cêntimo no preço dos combustíveis. Ora num contexto onde cresce a percepção de que as petrolíferas em Portugal têm aumentado suavemente as margens a cada puxada do preço das matérias primas, com sucessivas (e esperadas) revisões dos preços, como é que as Finanças (as suas entidades especializadas) vão fiscalizar que “aquela” oscilação de preço reflecte no consumidor a descida do IVA? Vão pôr em cheque e escrutinar todo o processo produtivo que leva à formação do preço dos combustíveis? Como digo, já tiveram melhor pretexto para o fazer antes de mexerem no IVA, porque devo acreditar que será desta? Julgo que é fácil compreender o meu cepticismo. Em bom rigor, perante uma descida tão ínfima do IVA acho que ficaríamos todos a ganhar se as entidades fiscalizadoras investissem o seu tempo em outro tipo de fiscalização, preocupando-se com casos mais “cabeludos”. O ganho potencial dessa fiscalização será sempre marginal face à dificuldade de produzir prova na maioria dos casos. No fundo é tudo uma questão de economia e racionalização do uso dos escassos e dispendiosos recursos públicos. Fica bem ao Ministro dizer o que disse mas convenhamos que até é desejável que esteja a fazer o papel do canídeo que vocaliza mas que não fere com a dentição. Adiante.

A dívida pública está mais magrinha

Não menos “notável” que o défice, é a redução da dívida pública. Cair mais de um ponto percentual num ano não é nada mau. A dívida pública representa agora 63,6% do PIB.

IVA desce 4,76% (actualizado)

Então mas o IVA não desce só 1%?

Não, o IVA vai descer de 21% para 20%, ou seja, vai descer 1 ponto percentual. Ora se 21 pontos estão para 100, 1 ponto está para 4,76, logo o IVA desce 4,76%.

Não tem de agradecer senhor ministro, é estatística.

Nota adicional: a descida hoje anunciada não entrará em vigor a 1 de Abril, nem a 1 de Maio, nem a 1 de Junho mas a 1 de Julho de 2008.

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