Sentimento Económico na
Arquivado em: Economia Internacio., Economia Nacional, Números Estatística
Os números nacionais alemães conhecidos nos últimos dias já faziam supor este cenário. Os níveis de confiança dos empresários (e consumidores) na área euro registaram em Março os níveis mais altos desde meados do ano 2000, aproximando-se do patamar mais alto apurado no último período de expansão económica. Deixo aqui um excerto da análise que a Direcção Geral de Economia e Finanças da Comissão Europeia acabou de divulgar (artigo completo aqui):
"The Economic Sentiment Indicator (ESI) continued to increase in both the EU and the euro area in March. The indicator increased by 1.8 points in the EU and by 1.5 points in the euro area, to 113.8 and 111.2 respectively.All sectors except for the construction sector contributed to the rise of the ESI in the EU. The increase in confidence was particularly strong in the services sector, where the indicator rose by 3 points, but also in the retail sector with a 2-point increase. Confidence in the industry sector and among consumers rose by 1 point, while confidence in the construction sector remained unchanged. Developments in the euro area were broadly similar.At the individual country level, the picture is mixed, but a majority of countries showed an overall improvement in confidence. Among the large Member States, confidence improved in Germany (+1.5), Spain (+1.1), France (+0.7), Italy (+1.2), and the UK (+1.6), while it decreased in Poland (–2.8). (…)"
Na imprensa pode também ler, por exemplo, esta peça no Jornal de Negócios sobre a mesma notícia.
Taxas Moderadoras 2007 – aumentam dia 1 de Abril
Eis a tabela com alguns dos novos preços em vigor a partir de 1 de Abril:
| Consulta | Urgência | |
| Hospital Central | 4.30 € | 8.75 € |
| Hospital Distrital | 2.85 € | 7.75 € |
| Centro de Saúde | 2.10 € | 3.40 € |
| Taxa de Internamento | 5 € por dia | |
| (aplicável até 10 dias) |
Para informação mais detalhada consulte a Portaria n.º 395-A/2007, D.R. n.º 64, Série I, Suplemento de 2007-03-30.
PRACE faz um ano
Arquivado em: Legislação, Política Económica
Via Direito & Economia fico a saber que o Programa de Reestruturação da Administração Central do Estado (PRACE) foi lançado há exactamente um ano.
Depois de um longo período de decisões legislativas a conta gotas, o ritmo de produção legislativa – que se encontra na fase de definir em concreto as estruturas orgânicas de institutos e departamentos do Estado – parece finalmente acelerar.
Entretanto, o primeiro trimestre de 2007 está da dar as últimas…
Quem faz publicidade on-line em Portugal? (act.)
A pergunta foi inspirada por um artigo recente em língua inglesa (mas de um português) que apanhei recentemente nas ondas. Começa por analisar a publicidade on-line nos EUA (com base em informação estatística) e termina com comentários muito avisados sobre o cenário em Portugal: A Source of Inspiration, um novo site a adicionar à lista. Um excerto do artigo "Some budgets are bigger than others":
"(…) Browse through a bunch of Portuguese websites and 7 out of 10 online ad units are probably some credit card or personal loan company. That surely explains the large deficit in family’s budgets (more than 110%), quite different from the private savings rate we had 20 years ago (about 20%).
Telecoms and mobile operators are also extremely aggressive, specially the ring tone operators that get quite happy with a CTR of 0,00001%. Go figure. I wonder what will become of these banner-spammers when the iPhone arrives or people become more tech savvy and learn to upload a MP3 to their phone.
The question that remains to be answered for Portugal is why the auto companies seem so reluctant to invest heavily in Online Advertising. I know that the industry is going through a long crisis, but a high ROI medium seems a good medicine, don’t you think so?"
Alguns dos facto têm amostra comprovativa evidente na caixa de publicidade aqui ao lado. Quanto à interrogação relativamente à indústria automóvel só posso dizer que por aqui – via adsense – passou regularmente anúncios à Lexus, Jeep, entre outros. Não será representativo, mas faltam-me as estatísticas para a troca (face aos dados Norte Americanos).
Gestão Fiscal: devo ou não pedir factura-recibo? – Última parte (revisto)
Arquivado em: Dinheiros, Legislação, Política Fiscal, Sociedade
Na sequência do que aqui se escreveu ontem termino o raciocínio.
Vamos supor que o cliente pertence à população activa empregada e que desconta IRS regularmente todos os meses.
O que fazer nesses casos? O engodo do médico é levar o paciente a não pedir recibo bonificando-o com uma fracção do valor que o próprio médico teria de entregar ao Estado. Ou seja, o Médico prefere não lhe cobrar, por exemplo, 20 € do que fazê-lo e obrigar-se automaticamente a entregar 40€ de imposto ao Estado. Ganha o cliente 20 € e ganha ele a diferença entre o que iria pagar ao estado e o desconto que faz ao cliente. Então o cliente não deve pedir recibo, certo? Errado!
Muito dificilmente a opção de não pedir recibo será vantajosa para o cliente.
Suponhamos que a consulta custa, com recibo, 100€ e custa, sem recibo, 80€.
Sempre são menos 20€ pensará o leitor. Pense de novo, se pedir o recibo e entregar para dedução a despesa de saúde no IRS poderá receber 30% do valor pago, ou seja, 30€. A conta do médico ter-lhe-ia ficado em 70€, menos do que na opção de não pedir recibo.
Aprimorando a análise e metendo os juros ao barulho, voltamos às perguntas: acha que entre o momento em que tem de pagar ao médico 80€ (sem recibo) e o momento em que o Estado lhe devolve o IRS deduzido por via da apresentação de despesas de saúde (30€ sobre os 100€ pagos com recibo) consegue rentabilizar a diferença de modo a que renda juros de tal forma que no final a sua poupança equivale a mais do que os 30€ que o estado lhe devolverá? Por outras, acha que os 20€ que paga a menos no nosso exemplo dão 10€ de juros até ao dia em que recebe a devolução do IRS. Se conseguir avise-me que eu estou interessado nesse negócio. Nesse caso, pague sem recibo! Se não tiver garantida essa rentabilidade, exija o documento.
Naturalmente isto tudo não passam de situações hipotéticas. Um cliente com problemas sérios de liquidez será muito mais vulnerável à opção “sem recibo”, por exemplo. Mas o que é certo é que, perante a ineficácia da dissuasão da máquina fiscal, a existência da possibilidade de obter deduções fiscais por via da apresentação das respectivas despesas de saúde coloca os contribuintes informados tendencialmente a funcionar como actores particularmente interessados do cumprimento da lei.
Já pedir factura num restaurante, no supermercado ou no cabeleireiro tem como principal incentivo a perspectiva mais difusa de dificultar aos outros o incumprimento das obrigações fiscais deles. Um incentivo, que se lhe juntarmos algum prejuízo em tempo e em pressão social invertida – os faltosos por vezes conseguem ser muito mal educados para quem pede a factura – revela-se muito pouco atraente para muitos concidadãos.
Procedimento dos Défices Excessivos – Contributos para a evolução do défice por componentes (act.)
Arquivado em: Contas Nacionais, Economia Nacional, Política Económica
O INE divulgou ontem, ao final da tarde, pela primeira vez desde que lhe foram atribuídas competências no reporte associado ao Procedimento dos Défices Excessivos, o detalhe dos principais agregados das administrações pública, sendo "estes dados, consistentes com os que constam da notificação de Março de 2007 relativa ao Procedimento dos Défices Excessivos (…)" A informação divulgada apresenta "(…), de forma integrada, a componente não financeira das contas do sector das Administrações Públicas nas vertentes rendimento, despesa e saldo" – citando o destaque do INE.
O destaque encontra-se disponível aqui e os quadros com a informação detalhada podem ser consultado neste outro endereço.
Entretanto, no Público (Sérgio Aníbal) surge uma primeira análise a estes números, sublinhando-se os erros de estimativa entre o orçamentado e este apuramento preliminar do INE por componentes. Erros esses que, destaco eu, terão sido significativamente superiores do lado da receita (que ficou muito acima do Orçamentado inicialmente).
Retenhamos o essencial:
"(…) Quando se compara os valores de 2006 com os registados em 2005 – ano em que o défice ascendeu aos seis por cento do PIB -, a conclusão é que o contributo em percentagem do PIB para a diminuição do défice foi dado, em partes iguais, pela contenção da despesa corrente primária e pela receita fiscal.
Os impostos arrecadados aumentaram o seu peso no PIB em 0,7 pontos percentuais. A despesa corrente sem juros diminuiu a sua importância na economia também em 0,7 pontos percentuais. A ajuda restante foi dada, na sua grande maioria pelo investimento, que viu o seu peso no PIB diminuir 0,5 pontos percentuais.
(…) Em percentagem do PIB, o total da despesa contribuiu com uma descida de 1,2 pontos, ou seja, cerca de 60 por cento do total, em que cerca de 25 por cento correspondem a investimento e 35 por cento à despesa corrente primária. Os restantes 40 por cento da redução do défice foram conseguidos graças à arrecadação de mais receita fiscal. (…) "
Leia o artigo completo aqui.
Adenda: e o comentário do Governo aqui (cuidado com a confusão entre % e pontos percentuais que existe no artigo).
Big online, smart offline. Do nicho ao mainstream e vice-versa
Arquivado em: Empresas, Instituições Financ.
Na segunda-feira passada, a propósito do artigo em que anunciava a criação de uma página de acompanhamento das taxas de juro de depósitos a prazo da banca nacional, abordou-se a dicotomia existente entre banca on-line (centrada quase exclusivamente na Internet) e a banca tradicional (centrada no balcão).
Hoje chega a notícia de que um dos mais originais bancos on-line, o BIGonline (não afecto a nenhum grande grupo) se prepara para alargar a sua micro rede de balcões (actualmente três) para 14, sublinhando que pretende adicionalmente "entrar em Espanha".
"(…) "Devemos apostar em quase toda a faixa litoral Norte do país e em alguns locais do interior", afirmou Carlos Rodrigues, presidente do banco, na apresentação dos resultados aos jornalistas. "O investimento na rede de agências deverá rondar os 1,5 milhões de euros por ano", acrescentou Diogo Cunha, administrador do BIG.
No entanto, o banco vai testar uma proposta ainda mais inovadora que junta as qualidades das agências próprias e as das agências nas várias lojas da Fnac. A aposta é num balcão independente situado em zonas de elevado movimento, como centros comerciais. (…)"
É significativo que tantos bancos tradicionais tenham acabado paultinamente para criar as suas versões exclusivamente online e que o BIGonline vá fazendo o caminho inverso, ainda que apostando em localizações escolhidas a dedo. O mainstream pisca o olho ao nicho, o nicho atira-se às cerejas do mainstream.
Votos de bons negócios e de muita concorrência cordial com respeito pelos clientes é que enquanto cliente/aforrador/devedor desejo a este sector.
