É preciso recuar a agosto de 2025 para se identificar um valor da taxa de variação homóloga do índice de preços no consumidor mais elevado do que o registado em março de 2026. A inflação homóloga fixou-se em março nos 2,7% subindo seis pontos percentuais num único mês.
Média anual ainda não reflete subida
Se considerarmos a média dos últimos 12 meses – o referencial de preços usado habitualmente, por exemplo, para as negociações salariais – a taxa de inflação terminou março nos 2,3%, mantendo-se assim estável, não tendo a subida de março sido suficiente para fazer mexer o ponteiro da média anual.
Esta é uma realidade que certamente se irá alterar se, nos próximos meses, se repetirem valores de inflação homóloga superiores aos 2,3% da variação média anual.
Combustíveis como motor da inflação
O INE justifica a subida de preços entre fevereiro e março “quase na totalidade” pelo aumento do preço dos combustíveis.
Segundo o INE, “A variação do índice relativo aos produtos energéticos aumentou para 5,8% (-2,2% em fevereiro) e o índice referente aos produtos alimentares não transformados registou uma variação de 6,4% (6,7% no mês anterior).”
Se excluirmos os produtos alimentares e energéticos da equação, ficando com o indicador de inflação subjacente, este terá registado uma variação de 2,0%, taxa superior em 0,1 p.p. à do mês precedente. Ou seja, num patamar e com uma aceleração muito menor do que os produtos energéticos, por enquanto.
