Segundo os dados divulgados no Portal da Transparência do SNS e via Bilhete de Identidade dos Cuidados de Saúde Primários consultados pelo jornal Observador um pouco mais de 7 em cada 10 pessoas sem médico de família vive na região de Lisboa e Vale do Tejo. Para sermos mais precisos são 71,3%de todos os utentes do SNS sem médico de família, totalizando aproximadamente 1,1 milhões de pessoas.
Ao todo o número de utentes sem médico de família voltou a aumentar sendo, em novembro de 2025, 1.557.148 um aumento de 47 mil pessoas em apenas dois meses.
A segunda região do país que mais contribui para o total de utentes sem médico de família é a região centro, com 163 mil pessoas, seguindo-se a região do Algarve com 103 mil pessoas.
Sublinhe-se que o número total de utentes não se tem mantido constante, pelo contrário, tem também aumentado, o que poderá ajudar a explicar o aumento dos utentes que embora inscritos no SNS não têm médico de família atribuído.
Os dados mais recentes, de outubro de 2025, apontam para um total de inscritos de 10.706.983 pessoas. Para comparação, no final de 2024, o INE estimava que residiam em Portugal 10.749.635 pessoas. O número de inscritos é, portanto, muito próximo do total da população residente.
A situação atual é assim de a resposta não estar a conseguir acomodar os novos utentes ao nível dos cuidados de saúde primários via médico de família e, muito menos, de resolver o acumulado de cidadãos sem médico de família.
Os desafios para o futuro parecem não ser menos intensos com a perspectiva de o número de médicos a atingir a idade da reforma a permanecer elevado e com a atratividade de novos médicos para a especialização em medicina geral ser das mais baixas entre as especializações para a carreira médica, como atestam notícias recentes.
