Série Europa III: O meu excedente será sempre o teu défice

O meu excedente será sempre o teu défice é a continuação de Série Europa II: O que está mal no projeto europeu e na Zona Euro

Voltando ao nosso exemplo. Para o país mais rico, a pressão será no sentido inverso. Os seus produtos, com uma moeda tão cobiçada e considerada reserva de valor a nível internacional, tendem a perder competitividade.

A produção pode ser muito eficiente, mas o “excesso” de eficiência e de sucesso acabam por levar à valorização da moeda e desvalorização da dos compradores. Sempre que alguém de outro país queira comprar o produto de elevado valor acrescentado como uma máquina ou um computador terá que trocar a sua moeda local mais fraca pela moeda do país produtor e descobrirá o custo real do produto.

O mercado dos clientes de carros e máquinas alemãs, encolherá e, com o tempo, a própria solidez dessa economia descerá uns níveis, ao ponto de, eventualmente, a moeda desvalorizar um pouco e os compradores voltarem a ter interesse e possibilidade em adquirir os produtos.

Esta era a realidade pré-euro em que Portugal viveu, enquanto membro da União Europeia durante meros 13 anos. E alguns aspetos mantêm-se. Por exemplo, os excedentes de um país terão que ser obrigatoriamente os défices de outro(s) e assim será, pelo menos enquanto não houver comércio intergalático e as relações comerciais se resumirem a este espaço limitado que é o Planeta Terra.

Continua em Série Europa IV: A Zona Euro

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2 Comentários

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  • Pedro Fidalgo Responder

    Nós temos alguns bens, perceptíveis, mas que não são mensuráveis, como a cordialidade do povo, a gastronomia, o turismo que são mensuráveis da mesma forma que os que connosco competem, mas que deveriam ser mais valorizados. Não é só a qualidade da gastronomia, mas a simpatia e disponibilidade que colocamos nesses atos, que deveriam contar. Ir comer “moules” em Bruxelas ou Amesterdão não é o mesmo que as comer em Portugal. Servirem-nos profissionalmente é excelente mas não é o mesmo que ser servido com o mesmo profissionalismo mas com um sorriso e simpatia e sobretudo com o sentido de querer ajudar o outro. Se não houver forma de subir os preços, deveriam pagar mais impostos, para compensar os impostos que as empresas não pagam nesses países.
    Uma opinião, claro.
    Pedro

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