É o consumo privado e não as exportações que estão a estimular o PIB

É o consumo privado e não as exportações que estão a estimular o PIB: o perfil de crescimento do PIB no final de 2014 centrou-se no crescimento da procura interna (na qual se destaca o consumo privado) que mais do que compensou o impacto negativo da procura externa líquida (na qual se incluem as exportações). Em especial destaque em 2014 esteve a compra de automóveis (que impulsionou as despesa de consumo final em bens duradouros) bem como o investimento em equipamento de transporte.

PIB 2014

PIB 2014

É significativo que no primeiro ano em que o PIB sai de valores negativos em quase meia década, regresse o padrão de crescimento do passado, mais centrado no consumo do que nas exportações, facto que indicia que muito pouco de estrutural terá mudado na economia portuguesa nos últimos anos. Se mudou algo no perfil de especialização da economia, terá sido insuficiente para se refletir de forma significativa. Em rigor, habitualmente os processos de mudança estrutural decorrem durante um longo período de tempo, não sendo alcançáveis em poucos anos. E tal parece estar também a acontecer em Portugal, não sendo claro se houve, para já, alguma mudança significativa (positiva) nesse sentido.
Os sinais identificados pelo INE na sua última difusão da contas nacionais trimestrais revelam de forma inequívoca que estimular a procura interna continua a faz crescer o PIB mas contribui também para o desequilíbrio externo, precisamente por dependermos ainda largamente do que compramos lá fora, quer para aumentar a capacidade produtiva, quer para consumir.

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