Volume de Depósitos no BES em quebra: alguns comentários

Segundo noticiado hoje, no espaço de dois meses, tivemos o total de depósitos no BES em quebra tendo diminuído 2 mil milhões de euros. Não sendo um valor dramático é significativo e, diria mesmo, natural. Um banco que vai perdendo progressivamente o seu estatuto e a sua credibilidade, naturalmente irá perdendo negócio para outros bancos ou para opções diferentes de aforro/consumo.

Mas haverá razões objetivas para que essa saída se mantenha ou mesmo acentue? Dentro do que acabamos de referir – penalização pela menor qualidade da gestão bancária do BES – sim, fará sentido o BES perder negócio nos depósitos e demais atividades, mas note-se que esta razão encontra fundamentos justificáveis não numa reação de fuga irracional mas numa interpretação de curto/médio prazo quanto à capacidade de o BES continuar a oferecer produtos claramente competitivos.

Perante um volume enorme de prejuízos é natural que decorra um período de reestruturação profunda ou mesmo de mudança de natureza na instituição e, como tal, a expectativa de um regresso à normalidade em termos de capacidade de gerar retorno que possa atrair investidores e de sustentar produtos cativantes para os aforradores não se projetar para breve. Contudo, em particular nos depósitos, não há razões objetivas além destas para que, por exemplo, alguém com uma aplicação já constituída venha resgatá-la antecipadamente (provavelmente com perda de remuneração) para a trocar por outra menos atraente noutro banco, só por temor relacionado com o BES.

É que tanto o Banco de Portugal como o Governo já garantiram publicamente que todos os depósitos do BES estão assegurados (um compromisso que vai portanto além dos €100.000/cliente garantidos pelo Fundo de Garantia de Depósitos aos investidores não qualificados) e, como tal, em termos de segurança, ter um depósito no BES ou em qualquer outro banco nacional é absolutamente indiferente. Se tem depósitos que no total são inferiores a €100.000 menor será ainda o risco dado que a sua garantia não depende sequer deste pronunciamento ad-hoc das autoridades, advém diretamente das regras instituídas e solidárias envolvendo todos os bancos e o Estado.

Dito isto, recomendamos ponderação, calma e a maior clarificação possível da situação, sem misturar alhos com bugalhos.

Bons negócios!

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