“É fundamental definir claramente a fronteira que o país não está disposto a ultrapassar. “

Recomenda-se a leitura de “Pressupostos para uma base de entendimento à esquerda?” de Ricardo Paes Mamede. Mais do que o substrato político e as mensagens internas à esquerda portuguesa, pretende-se destacar a clareza do diagnóstico e do desafio fundamental que Portugal tem pela frente, seja ele interpretado por políticos de esquerda ou de direita. Esta sugestão remete aliás para uma anterior já aqui feita (ver “Sugestão de leitura: “Uma entrada desastrada para o euro”“) intimamente relacionada como os leitores perceberão.

Um excerto para fundamentar esta perceção e convite à leitura integral e que surge alinhado com o que vários analistas internacionais têm vindo a sublinhar há bastante tempo mas que raramente tem surgido verbalizado de forma tão clara (e comprovadamente abrangente) por cá:

“(…) 7. Em teoria, Portugal pode ultrapassar a crise se flexibilizar as metas orçamentais ao mesmo tempo que a Alemanha estimule a sua procura interna, se as regras do euro evoluírem, nem que seja gradualmente, no sentido positivo, se a Europa compreender a vantagem de um plano Marshall para Portugal desenvolver os sectores em que tem uma vantagem competitiva, se a requalificação dos adultos e a educação dos jovens tornar a ser a ser um objetivo prioritário, se for possível estancar a hemorragia de jovens a emigrarem para o estrangeiro, se não houver uma surpresa negativa no sistema bancário, se for dada importância à manutenção da coesão social recuando em várias medidas extremas que já foram tomadas. Se tudo isto acontecer, então em teoria é possível. O problema é a prática. O problema da Europa é político, não é económico. 

8. É fundamental definir claramente a fronteira que o país não está disposto a ultrapassar.  (…)”

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