Sugestão de leitura: “Uma entrada desastrada para o euro”

O Diário de Notícias iniciou um série de artigos sobre a crise do euro e as transformações na economia global. Destacamos o artigo de hoje “Uma entrada desastrada para o euro” assinado por Manuel Caldeira Cabral e Manuel Pinho.

 Um pequeno excerto:

“(…) A crise tem corresponsáveis

Quando Portugal entrou para o euro já tinha uma taxa de câmbio fortemente sobrevalorizada e a culpa de tal também é de todos os que começaram por fechar os olhos a esta situação porque tal lhes convinha e, posteriormente, preferiram ocupar o tempo a discutir em infindáveis reuniões em Bruxelas se o défice orçamental era de 2,75% do PIB ou de 3,25% em vez de encarar a realidade. Dos que passaram anos a financiar o Estado e os bancos portugueses como se fossem alemães. E dos que, no BCE, perante uma situação de desequilíbrio nas balanças de transações correntes de vários países do Sul da Europa, insistiram em manter uma política monetária que fez o euro valorizar de 0,8 dólares para 1,6, entre 2000 e 2008. Só com aumentos de produtividade superiores aos dos EUA em quase 10% ao ano, ou com descidas de salários correspondentes, teria sido possível manter a competitividade internacional nestas condições.

Uma vez que todos colaboraram no problema, todos devem participar na solução. É errado passar o tempo tentando procurar exclusivamente um responsável interno por uma crise que é europeia. Tal apenas serve o interesse dos corresponsáveis no exterior e contribui para adiar as soluções comuns que temos de encontrar a nível europeu.”

2 comentários sobre “Sugestão de leitura: “Uma entrada desastrada para o euro”

  1. Os conrresponsáveis nestas e noutras situações,saem sempre impunes,e isso deve-se a uma democracia falaciosa que assim se chama por mera conveniência.Porque foi instalado um sistema que nunca atinge os fazedores das calamidades,a justiça atinge apenas aqueles que são vitimas de um mau estado,inquinado com corrupção e políticos incompetentes e rascas.Com esta politica monetária,o sector empresarial está condenado, por a via da competitividade e com ele o emprego…

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