Produzir mais e melhor com os mesmos recursos igual a cada vez mais desemprego?

Lido há dias no Negócios:

” (…) Tendo a revolução industrial começado vai para um quarto de milénio, como se explica então que ainda haja alguém a trabalhar? E que função social útil desempenham afinal os empresários?
A função distintiva do empresário é tornar o trabalho mais produtivo. Espera-se dele que promova a eficiência, seja fabricando mais pregos por hora, seja tornando os pregos supérfluos e substituindo-os por colas extra-fortes. Mas os ganhos de produtividade que ele gera só beneficiarão a maioria se parte substancial deles reverter para os salários, o que está longe de ser um processo automático.
Historicamente, o excesso de mão-de-obra deu origem a fluxos migratórios de dezenas de milhões de europeus para o Novo Mundo. Quando essa válvula de escape se esgotou, porém, não sobrou outra alternativa senão recorrer às forças compensadoras da organização sindical, da legislação laboral e do emprego público para impedir o alastramento do desemprego de longo prazo e a degradação dos salários. Espantosamente, a conjugação desses fatores acabou por gerar o período de mais rápido, estável e duradouro crescimento da história.
Eis senão quando uma seita de iluminados demonstrou irrefutavelmente com a ajuda de algumas equações matemáticas que andávamos todos enganados e que seria possível obter resultados muito superiores confiando no poder incontrolado dos mercados e, desde logo, retirando poder negocial aos assalariados. Graças a esses sábios conselhos, os salários mais baixos estagnaram duradouramente em muitos países, as desigualdades económicas voltaram a agravar-se e o desemprego passou a situar-se a níveis consistentemente mais elevados.
Na tentativa de conservar os padrões de bem-estar previamente atingidos, as famílias endividaram-se. Este padrão de distribuição gerou a prazo uma redução de oportunidades de investimento produtivo, estimulando o desvio dos capitais disponíveis para actividades especulativas. O resto da história já todos conhecemos. (…)”

João Pinto e Castro in “Os empreendedores não criam emprego“, Jornal de Negócios.

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