E que tal trabalhar melhor e de forma inequivocamente mais útil?

Numa época em que os media surgem inundados de um mantra único e inelutável aventado pelos políticos “é preciso trabalhar mais e por menos remuneração” ficamos com dúvidas se não seria preferível uma alternativa mais positiva e de maior futuro: “é preciso trabalhar melhor e gerando resultados mais úteis“. É que trabalhar mais horas por menos dinheiro cumpre com o mantra que está na ordem do dia e pode simplesmente não resolver nada, há até quem preveja  que se trata de um fórmula de degradação económica, um caminho rápido para uma provável segunda idade-média (trabalhava-se muito menos na idade média, mas não relevemos essa precisão histórica).

Alheando-nos dessa discussão por momentos, regressamos à nossa frase de batalha: trabalhar melhor e de forma mais útil. Fazê-lo tendo por base um espírito permanentemente virado para resolver problemas, procurar novas soluções, numa palavra inovar, pode resultar num progresso que nos parece mais sustentável, mais disseminável (exportável), mais rentabilizável e muito provavelmente que se poderá fazer em paralelo com mais riqueza financeira para quem o promove e, provavelmente, pouco impacto ao nível de um aumento da carga horária, talvez até libertando mais tempo para o lazer. Afinal, povos muito mais ricos trabalham muito menos horas e têm uma muito menor taxa de participação da população residente no mercado de trabalho (a taxa de atividade das mulheres é em Portugal das mais elevadas na Europa).

Querem um exemplo prosaico? Passar mais horas a recolher o lixo por ser muito menos útil e produtivo do que pensar em formas de reduzir o volume das embalagens, procurando alternativas tecnológicas que até se poderão revelar úteis internacionalmente. O mantra que agora se advoga, de aplicação genérica e abstrata, dá garantias de que haverá quem cuide de deixar de olhar para as horas adicionais de recolha do lixo pelo mesmo salário mensal para desviar tempo e esforço no investimento de pensar a montante, no momento anterior à geração do dito?

De forma provocadora, diríamos que precisamos de trabalhadores e administradores profundamente preguiçosos, gente que não abdicando de cumprir religiosamente com os objectivos finais que lhes estão atribuidos, usam o seu intelecto para o fazerem de forma mais lesta e eficaz, com o consumo mínino possível, tipicamente de forma inovadora. No final, o seu incentivo pessoal será o de trabalhar melhor e de forma mais útil,  terminando com mais tempo para o lazer e mais riqueza. Mas será que o discurso de simplificação do processo produtivo orientando-o exclusivamente pela cenoura e pela carga que se coloca no burro é compatível com esta outra cultura?

Enquanto matutamos mais um pouco que tal espreitar esta notícia : “Empresa portuguesa cria dispositivo contra escaras“.

 

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