A publicidade é relativamente indolor como forma de pagamento?

Durante alguns dias tivemos activa no Economia e Finanças uma pesquisa onde se perguntava se “Este blogue é grátis para os seus leitores?“. Note-se que até hoje nunca tivemos qualquer conteúdo directamente pago pelos leitores mas julgamos a pergunta pertinente mesmo neste cenário em que nada é directamente cobrado.

Tudo dependerá da forma que cada leitor valorizará, por exemplo, o tempo disponibilizado a ler aquilo que, em princípio, não lhe interessa quando aqui vem. Imagine-se um leitor que procura informação sobre economia e finanças e que, para a obter por aqui, não o consegue fazer sem ter de passar por alguma forma de publicidade. O tempo que investe a descortinar o que é relevante para si pode ter um valor diferente de zero e se assim for, dois sítios iguais mas em que um ofereça apenas a informação e o outro a sirva emoldurada por publicidade apresentam um custo diferente para esse leitor.

Note também que pode acontecer que o leitor valorize receber a informação mas também a publicidade, particularmente se esta estiver relacionada com os seus interesses e/ou com o tema sobre o qual se anda a informar. Neste caso, um sítio que lhe ofereça esse tipo de publicidade face a outro sem ela (ou que contenha apenas publicidade indiferenciada) poderá ficar em vantagem pois oferece mais valor, ou seja, a publicidade também é informação valiosa.

Como se vê, a pergunta que para alguns pode até nem ter parecido particularmente pertinente, pode revelar algo determinante para quem procura gerir, sustentar e/ou rentabilizar um sítio na internet (seja algo com pendor amador ou profissional). A percepção que os leitores têm do custo ou ganho em por aqui passar é relevante. E embora a nossa singela pergunta não permita descascar muitas camadas desta cebola diz-nos que quase 90% dos leitores que responderam consideram que este sítio é grátis, que na prática não têm de pagar para o lerem, enquanto os restantes concebem que implica algum gasto, seja ele do tipo do aqui referido (o custo de oportunidade de ter de ler publicidade), seja porque assumem que usar a internet, em termos gerais, implica pagar pelo acesso, ter computador, gastar electricidade, etc.

Entretanto, na indústria dos media prossegue a discussão de como rentabilizar os conteúdos de forma a sustentar o negócios. Conteúdos diferenciados pagos? Cobrar quando o  acesso se faz por uma plataforma móvel? Micro-pagamentos (pagar para ler na íntegra artigos promovidos por resumos)? Explorar as bases de dados de e-mails dos leitores para enviar publicidade? Muitas opções, algumas experimentações e poucas certezas.

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4 Comentários

  • Marco Responder

    Felizmente há aplicações que permitem o bloqueio de publicidade nos sites, pessoalmente só acedo a conteúdos que são gratuitos. Creio que é suficiente pagar o acesso à internet.

    • Mapari Responder

      Marco, a sua posição remete para mais um conjunto de questões. Os media tradicionais já têm imensas dificuldades em sustentar o seu negócio por via do modelo centrado nas receitas publicitárias. Alguns estão a começar a vedar o acesso aos seus conteúdos, outros estão a tentar fornecer informação diferenciada de modo a poderem cobrar por ela, mas a publicidade continua a ser determinante. Imagine agora que uma parte significativa de leitores procede ao barramento da publicidade. A prazo o conceito de conteúdos “gratuitos” poderá ficar ameaçado? Uma parte não desprezível do conteúdo que aqui publicamos (e o “aqui” é um blogue amador) baseia-se no tratamento, escrutínio, crítica e complemento de informação que advem de media profissionais. Se os conteúdos forem cobrados também deixaremos de os comentar, complementar, etc.
      Talvez por isso se comece a falar do conceitos como o do fim da neutralidade da internet. Hoje tentar aceder ao Economia e Finanças ou tentar aceder ao Google news faz-se em igualdade de condições, no futuro chegar aqui pode exigir caminhar por uma estrada municipal esburacada (menos velocidade, menor capacidade para fornecer conteúdos de qualidade) enquanto chegar ao google se fará por autoestrada? É uma hipótese em aberto e é uma situação que provavelmente acabará com este aparente mundo de livre circulação por conteúdos gratuitos. Não há memos almoços grátis, mesmo que pareça que não nos apresentam a conta no final da refeição.

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  • Hernani Torres Vigário Responder

    Muito útil. Continuem. Bem hajam.

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